Festlip: oito países e um único idioma
Com intenção de
estreitar os laços entre os países lusófonos, o festival teatral esmiúça
realidades e culturas diferentes, mas fala a mesma língua. Imperdível e sem legendas... confere aí!!!
Diferenças culturais,
realidades contrastantes e um único idioma. O que parece ser a receita para uma
grande revolução, na verdade, nada mais é que o ponto de partida do Festival
Internacional de Teatro da Língua Portuguesa (Festlip), que, sob os cuidados da
atriz e produtora Tânia Pires, abriu sua quinta edição em terras cariocas nesta
quarta-feira (21/08) com o espetáculo Amêsa, estrelada pela atriz Heloisa Jorge, nascida em Angola e radicada
na Bahia. Além da peça citada, que aborda a recente e sangrenta guerra civil angolana (1975-2002) a
partir das memórias da própria personagem e da poesia de José Mena Abrantes, o
festival lusófono apresentará outras seis montagens vindas de Angola (Luanary,
do grupo Dadaismo, e O Cego e O Paralítico, do Elinga Teatro), Moçambique
(Cinzas Sobre as Mãos, do S’narte e Lareira Artes), Portugal (Cromotografia, do
Teatro de Garagem), Cabo Verbe (Esquizofrenia, do Craq’otchod) e, inclusive, de
São Paulo (As Desgraçadas, da Cia. Auroras - foto abaixo).
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A atriz Mariana Leme, no centro, fala sobre a participação da Cia. Auroras no Festlip 2013. Confira a entrevista abaixo. |
Embora Guiné-Bissau,
Timor Leste e São Tomé e Príncipe não estejam em cena, todos os oito países da
Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP) entram na programação, se não
nos palcos, nas palestras, oficinas e mostras, como a fotográfica "De
Timor Leste a Portugal: um olhar brasileiro", do iluminador cênico e
fotógrafo Valmyr Ferreira, e a gastronômica “O Tempero da Língua Portuguesa”,
na qual o chef Ronaldo Cunha apresenta pratos inspirados na culinária dos oito
países no restaurante Quadrucci (no Leblon). Assim como nas edições anteriores
e para coroar esse encontro em grande estilo, o festival internacional de um
único idioma ainda apresentará uma grande festa nesta sexta-feira, o chamado
FestlipShow, que será realizado no Casarão Ameno Rasendá, no Catete, enquanto o
som ficará por conta do DJ Mam, Vivianne Tosto (canta Clara Nunes) e o angolano
Abel Duerê.
A atriz Mariana Leme,
integrante da citada Cia. Auroras e uma das protagonistas da peça As Desgraçadas,
falou com o Ctrl+Alt+RIO sobre o trabalho desenvolvido pelo grupo, a montagem
em questão e, é claro, sobre a participação no Festlip. Confira a entrevista abaixo:
- Como
surgiu o convite para participarem do Festlip? E como se sentem representando o
teatro brasileiro no festival?
A Giu Rocha, atriz e integrante da Cia.
Auroras, atuou no Festlip em 2010 com um espetáculo da Cia. Antro Exposto. Ela
que nos deu a dica de que o festival de teatro da Língua Portuguesa era muito
bacana. Assim, resolvemos inscrever a peça As Desgraçadas no edital; fomos
selecionadas para a edição de 2012, que acabou não acontecendo, e o convite foi
reafirmado para este ano de 2013.
Representar o Brasil no Festival é uma
honra para a Cia. Auroras. Fazer teatro e falar de arte é de imensa
responsabilidade. Nossa Cia. é formada por jovens artistas com sede de
conhecimento, e mostrar uma dramaturgia contemporânea, divertida e com sutileza
de detalhes nos traz um prazer imenso.
- O
que teria a falar sobre essa parceria da companhia com Felipe Sant’Angelo? Já
trabalharam com ele antes?
O Felipe Sant`Angelo é um dramaturgo que
colabora demais com o trabalho da Cia. Auroras. Ele é responsável por outras adaptações
da Cia. Nesta montagem ele é peça fundamental, pois nos inspiramos na peça As
Criadas do Jean Genet para elaborar o espetáculo inédito que nos representa.
- O
que destacaria dentro da trama de As Desgraçadas? Há alguma mensagem por trás da
trama, algo além da desilusão através da figura feminina?
Sim. A peça trata do universo feminino, mas, para além disso, critica as relações de poder, valores morais e éticos, enfim, a estrutura contemporânea familiar e trabalhista.
- A
Cia. Auroras é composta por quem atualmente? Após seis anos de casa (com você
nesta formação), como analisa o atual momento da companhia?
A Cia. Auroras é formada por quatro atrizes:
Rita Batata, Giu Rocha, Mariana Leme e Beatriz Morelli, que, por sinal, assina sua
primeira direção nesta peça. Este é um momento muito importante na carreira da
Cia., onde nos firmamos como artistas e exploramos o intercâmbio com outras
artes.
- E
o que podemos esperar num futuro em breve... há novidades à vista? Quais são os
planos para depois do Festlip?
Seguimos em cartaz no Teatro Cacilda
Becker em São Paulo até o dia 25 de agosto e também estamos produzindo nossa
próxima peça, que será um infantil. Quem sabe após o Festlip possa sair alguma
parceria com algum grupo internacional.
Festlip
– de 21 a 30 de agosto.
Confira a programação e os preços aqui.
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