De
namoro à revelação da cena indie, a banda Letuce se diferencia por sua ousadia
sonora e pela relação de amor: à música. Nesta sexta 13, o show será no Studio RJ!!!
Manja aquelas bandas formadas por casais apaixonados? Pois
bem, essas geralmente são mais intensas, mais íntimas e, até por conseqüência
da relação carnal, mais sólidas em seus conceitos – apesar de que
quase todas as bandas, no ideal de amor à música, também acabam
vivenciando espécies de namoros (com ou sem sexo). A banda Letuce, formada por
Letícia Novaes e Lucas Vasconcelos, pode aparecer como uma opção de resposta
para a pergunta citada e também exemplificar como a paixão pode influenciar o processo de
criação musical.“É
exatamente por ai. Nunca vejo ninguém perguntar para um homem que toque com os
amigos numa banda qualquer: ‘oi, Samuel Rosa, se você brigar com o Lelo, a
banda termina?’ E isso é amor; amor carnal, sexual e fraterno. É tudo amor,
tudo com sua própria dinâmica. Mantemos a sorte que é se apaixonar por quem se
apaixona por você. Fazemos música juntos e "so far, so good", afirma
Letícia, que nesta sexta-feira (13) se apresenta, ao lado do namorado e de mais
um convidado fantasma, no Studio RJ, no Arpoador. Se não da azar, rs.
Desde
o início do namoro e do primeiro álbum, “Plano Para Cima dos Outros e Para Cima
de Mim” (2009), até o lançamento de seu elogiado segundo álbum, “Manja
Perene" (2012), a banda ganhou reconhecimento, maturidade e deixou de ser uma
brincadeirinha musical apaixonada para se transformar em uma aventura musical
apaixonante, hoje já com certo e merecido destaque na “cena alternativa”. “No primeiro disco, que compusemos juntos ao violão,
estávamos numa fase apaixonante e curiosa, fase de descobertas e afins. Hoje em dia, 5
anos e meio juntos e depois, temos outra vida, portanto nossas composições são
outras também. A Terra gira, muda, mas permanece Terra. Nosso amor mudou, mas
também permanece amor. No segundo disco, por exemplo, contamos com um baixista e um baterista no processo criativo e foi maravilhoso. Viver numa bolha só faz
sentido mesmo naquela fase inicial (e quase demente) da paixão”, ironiza o lado feminino dos Letuce, que completa: “Ter amigos é maravilhoso e amigos talentosos sempre
agregam novos valores”.
Diferente do primeiro álbum, mais intimista e contido, o
segundo e atual “Manja Perene” (Bolacha), produzido por Lucas Vasconcellos e Bernardo
Pauleira, é mais ousado e consistente em suas propostas, além de soar muita
originalidade - algo que não estamos habituados a ouvir por ai. O álbum,
praticamente todo autoral, é surpreendente a cada faixa e também dentro das próprias músicas. As variações, os descompassos e as melodias são os pilares de
um trabalho que parece não ter medo de errar, nem pretensão de ser “de ouro” e,
por isso, chama atenção por sua sonoridade. Outra descoberta deste novo disco é
que o Lucas, além de esbanjar talento em diversos instrumentos, ainda solta a voz em duas
faixas, “Areia Fina” e “Anatomia Sexual” - música que nasceu de um poema
escrito por Fábio Lima em um guardanapo. “Nosso som é o som que a gente sabe, é o som que sai. Buscamos
um som novo, por isso é difícil classificar. Hoje em dia tudo é tudo, e a
Gal Costa, por exemplo, virou até música eletrônica. Isso é maravilhoso. Há
possibilidade de tentar tudo, ser livre, para o bem e para o mal, claro. E que
bom que as pessoas embarcam na nossa onda”, afirma a cantora.
Além da sonoridade diferenciada, o “Manja Perene” ainda se destaca por um
outro fator: seu processo de financiamento, viabilizado através do crowdfunding. Imagine o artista
poder receber um investimento direto ($) de seus fãs para elaborar um trabalho
do qual eles ainda não sabem o que vai ser, mas confiam na capacidade de
criação e no sucesso do projeto. Então, esse é o ponto de partida deste curioso método de arrecadação, que, por sinal, se destaca ao levar mais independência e liberdade aos
artistas. “Em breve, o crowdfunding não será mais ser visto como um "novo
método" ou um "método alternativo", e sim como um dos métodos
possíveis. Ficamos muito felizes com a colaboração dos fãs e somos eternamente
gratos a eles”, descreve a cantora, que prefere exaltar a mistura de seu som ao levantar
bandeiras de possíveis rótulos para a dupla.“’Banda alternativa’ é uma expressão
complicada, pois tudo é "alternativo" comparado ao grande mercado.
Existe o grande mercado, e todo o resto é alternativo, seja rock, forró, mpb e
nós, os misturados”, completa Letícia Novaes, que faz questão de convidar todos
para o show especial desta sexta-feira, no Studio RJ. "Vamos tocar músicas dos nossos dois discos e vai rolar um
convidado fantasma, pois é sexta 13. Vai ser divertido, venham todos”. Vamos!
Studio RJ Av. Vieira Solto, 110. Arpoardor (21) 2523 1204
Após passar anos no escuro, o teatro Tereza Rachel, inteiramente reformado, reabre suas portas com um novo nome, mas sem perder o peso de sua história. Evoé... lá!!!
Umas das principais referencias carioca ao redor do mundo, Copacabana se destaca por sua praia, sua mistura com farofa e também pela grande concentração de pessoas e bares. Mas, essa “calorosa” combinação que, sem nenhuma sombra (de dúvida), faz a alegria de todos, acaba ocultando algumas outras opções culturais, muitas delas bem características do bairro – caso do velho e bom teatro. Em toda sua extensão, são poucas salas que ainda conseguem exercer a resistência de manter uma programação de destaque, ou uma simples mesmo. Villa Lobos (que será reaberto em 2014), Baden Powell, Brigitte Blair, Gláucio Gill, Espaço Sesc e Café Arena são apenas alguns exemplos de como a região ainda é carente de um teatro de grande porte. No entanto, o tradicionalíssimo Tereza Rachel (situado no segundo piso doshoppingda Rua Siqueira Campos, 143), que entre 2001 e 2008 esteve alugado para Igreja Universal, reabre suas portas ao grande público neste sábado (07/04) para suprir essa carência e reforçar a máxima de que Copa sempre foi palco de grandes encenações - inclusive da vida real(ce).
Contrariando o triste desfecho da Modern Sound, fechada para dar lugar a uma imensa loja de roupas, e acompanhando o monopólio do Cine Roxy, o único cinema de Copacabana -pelo menos até a inauguração do esperado Museu da Imagem e do Som -, o Tereza Rachel retoma sua trajetória embalado por uma ampla e significativa reforma. Neste caso, a mudança foi tanta que nem o nome permaneceu o mesmo: de Tereza Rachel, nome da atriz e proprietária ("pancadona" na foto abaixo), o teatro passou a se chamar Theatro Net Rio. Através da chamada Lei do ICMS, espécie de troca entre financiamento de atividades culturais e dedução fiscal, e de investimento direto, a empresa dos skavuscas patrocinará a reviravolta do espaço, que, por sua vez, não se resumirá apenas em uma única sala. Isso porque, além do tal do Terezão (Sala Tereza Rachel), um espaço com capacidade para 789 pessoas, o Net Rio ainda contará com uma outra sala de 200 lugares, nomeada Paulo Pontes – em homenagem ao dramaturgo coautor da peça Gota d’Água, também assinada por Chico Buarque.
“Durante os anos 70 e 80, eu vinha quase que constantemente ao Rio de Janeiro para acompanhar as montagens do Grupo Ornitorrinco (de Cacá Rosset). Neste período, tudo se concentrava em Copacabana, e o teatro vivenciava um grande momento, com platéias cheias e também muitas sessões extras. Era uma verdadeira época de ouro, tanto para o Villa Lobos, como para o Tereza Rachel, onde também fiz a luz do espetáculo Chorus Line, deMichael Bennett, que marcou a estréia de Cláudia Raia nos palcos”, afirma o light designer/iluminado(r) Abel Kopanski, um verdadeiro mestre da luz. Inaugurado em outubro de 1971 com um show deGal Costa (“Fa-Tal - Gal a Todo Vapor”) e palco de tantos outros (Novos Baianos, Luiz Gonzaga, Caetano Veloso e Gilberto Gil), o Terezão parecia mesmo ter perdido o rumo da história e esquecido toda sua relevância de outrora. Nos últimos tempos, por exemplo, o espaço estava sendo usado apenas para ensaios e seleção de elenco dos musicais de Charles Möeller & Cláudio Botelho (espécie de dupla sertaneja dos musicais).
Apesar de ter recebido algumas propostas do Sesc e da prefeitura do Rio, a atriz Tereza Rachel, mesmo sob o medo das dividas, não queria abrir mão de seu teatro. No entanto, depois de mais de um ano de negociação, ela acabou sendo convencida a arrendar o espaço e, o mais curioso, por um período dez anos. O responsável por toda essa façanha foi o ator e produtor cultural Frederico Reder, que, além de reconhecer que a missão não foi nada fácil, também faz questão de ressaltar que possui prioridade na renovação do contrato e de não falar os valores dessa transação. “Não poderia ignorar a história deste teatro. Os deuses não me perdoariam. O perfil da programação, de segunda a segunda, acompanha o mesmo perfil que o teatro tinha anteriormente e que justificou seu sucesso: diversidade e liberdade de expressão. Isso é a cara de Copacabana. Acho que a reabertura do teatro pode ser a semente da revitalização do bairro”, afirmou Reder, sócio da Brainstorming Entretenimento, em entrevista ao jornal “O Globo”. Para quem quiser conferir de perto a nova cara do Terezão, o teatro apresenta em sua reinaguração o elogiado "Bibi", um espetáculo musical que comemora os 90 anos de idade e 70 de carreira da atriz Bibi Ferreira (foto). A partir de terça-feira (10/04), o “Isto É Brasil”, que conta com Carlinhos de Jesus e Ana Botafogo, também entra na programação do Net Rio. Ou seja, motivos para essa visita não vão faltar. Evoé... lá!!!
Com produção assinada por Fernando Deperon, a festa chega a sua quinta
edição apresentando a DJ Eli Iwasa na caixa preta mais querida do Rio de Janeiro: a Fosfobox. A mi Me Gusta!
Alguns procuram apenas se
divertir, outros escolhem de acordo com o som, com as pessoas que frequentam e
com o que está “embobando” no momento, porém, todos querem uma única coisa:
fazer a festa, literalmente. Apesar das reclamações em relação à falta de casas
noturnas e de mais uma série de supostas adversidades, as festas cariocas de
música eletrônica estão se destacando por explorar novos espaços, de casarões à
beira-mar até cinema pornô, e novas propostas artísticas, como se o evento
tivesse a obrigação de obrigação de agregar novas ideias e se transformar em um
super-evento para deixar “a galera” feliz. Por outro lado, essa corrida em
busca da inovação da semana que passou muitas vezes acaba ultrapassando simples
exigências, como serviços, a qualidade do som e, até mesmo, respeito ao
público. Na contra-mão desta tendência, a Me Gusta invade o Fosfobox nesta
sexta-feira (23/03) com uma receita sem mistério e muita música. A mi me gusta!!!
Em sua quinta edição – a primeira
realizada na caixa preta mais quente do Rio de Janeiro -, a festa, produzida
por Fernando Deperon, apresenta um line up que dispensa apresentações. Isso
porque, além do DJ residente Pedro Piu, a Me Gusta apresenta Eli Iwasa
(entourage) e o projeto Rockker, formado por Kriptus Gomes e Ricardo Estrella
(Tropical Beats), que, por sinal, ainda volta às carrapetas para fechar a noite
com chave de braço. No andar de cima, ou “lounge fosfobar”, a Levada fica por
conta dos Gustavos, Tata e MM. Para dar um brilho a mais, a noite também
contará com as projeções do VJ Brainstorm. “A Me Gusta não é ‘mais do mesmo’
porque preza pela qualidade, conceito dos artistas, atendimento, projeções mapeadas, decorações,
promoções e facilidade de acesso ao publico, além de ser bimestral”, afirma
Deperon, que completa: “Temos o intuito de preservar as origens da evolução
musical, cultural e visual. As projeções do VJ Brainstorm e o conhecimento
musical do residente Pedro Piu são itens fundamentais para o sucesso da Me
Gusta”
Idealizar uma boa festa, independente do gosto da
criança, não exige muitos esforços, assim como criticar uma produção: eu queria
mais bebida, eu queria bebida mais barata e quanto é a bebida? Isso, sem falar
nos “faria uma melhor”. O fato é que o que parecia ser simples e divertido, na
verdade, é chato e trabalhoso. “No pré-evento, ficamos responsáveis pelas
reuniões com os fornecedores, os orçamentos, as visitas técnicas, as
negociações de valores e outros itens. No dia, de acordo com o cronograma
elaborado anteriormente, acompanhamos a montagem, a recepção e damos um ‘check’
nos funcionários que irão trabalhar nos bares, bilheteria, segurança,
monitoramento, decoração, abertura do evento, pagamentos, fechamento e
desmontagem”, exemplifica Deparon, que começou a vivenciar o eletrônico em
97/98, época de Fundição Progresso, Guetto, Dr. Smith, Factoria, Bunker e Base.
Apesar de todo o suor envolvido, o produtor parece não ter o que reclamar. “A
preocupação é com a satisfação das pessoas e em escutar o muito obrigado. Ver a
alegria e o sorriso estampados na cara das pessoas não tem preço”, completa.
Eli
já é... de casa - Com uma longa e reconhecida trajetória na cena eletrônica
nacional, seja como DJ residente, colunista e empresária (Heaven & Hell),
Eli Iwasa é uma referência quando o assunto é pista cheia. Mesmo depois de já ter rodado o Brasil e o
mundo, a DJ paulistana não esconde seu apreço pela cidade maravilhosa e seus
encantos. “É sempre um grande prazer vir ao Rio. Há anos me apresento e cada
‘gig’ foi especial a sua maneira. Fora que adoro essa mudança de ritmo. De
sentar num boteco para tomar um chopp(s), ir a Lapa e, é lógico, ir a praia”,
afirma Eli, que já vinha ao Rio antes de ser DJ. “Aqui, vi Laurent Garnier,
Adam Beyer, Cari Lekebusch e tantos outros artistas incríveis. Nessa mesma
época, vi pela primeira vez talentos como o Maurício Lopes e o Ricardinho NS
arrebentando na Bunker. Eu sou fã do Mau Lopes. Quando crescer, quero mixar
como ele, sério!”, ironiza a DJ, reconhecida por sua versatilidade de seus
sets, que vão desde o minimal e dos sons mais abstratos até o house e funk, sem
esquecer electro, do techno e do groove.
“Desde as grandes festas
até as instituições como o Fosfobox e o Dama de Ferro, só carrego boas
lembranças de todas as festas que toquei e frequentei no Rio. Todas as
minhas ‘gigs’ foram ótimas, com a pista sempre respondendo, gente conhecida e
sempre tocando o que gostava, sem fazer concessões. Para um DJ, não tem coisa
melhor! Mas, o mais importante de
tudo é que a cena carioca apoiou meu trabalho desde o comecinho da minha
carreira. Sou super grata pela confiança e por terem botado fé quando eu ainda
engatinhava como DJ”, ressalta Eli Iwasa, que antes de fazer as malas ainda
manda um recadinho aos cariocas: “Não vejo a hora de chegar aí e pegar a pista
do Fosfobox”. É amigos, a japa vai esquentar.
Fosfobox - R: Siqueira Campos, 143. Copacabana.
Ingressos:
R$20,00
- Antecipados R$30 - até
às 1h R$35 - lista após às 1h R$40 - sem lista
Reunindo
ilustradores, designers, artistas plásticos, tatuadores, músicos e grafiteiros,
essa inusitada “agência de criação” vive a arte em busca de novos conceitos e ideais.
A margem da sociedade, uma espécie de território fictício
e, ao mesmo tempo, severamente existente, sempre apresentou uma originalidade
criativa e uma capacidade única de lançar tendências. Mas, até pouco tempo
atrás, esse conhecido lugar, mal visto aos olhos quadrados, ficava restrito
somente às pessoas que vivenciavam esse ambiente e sua cultura paralela, além
do preconceito (é claro). Apoiada em muitas outras mudanças dos novos tempos, a
mesa dessa situação virou, e a sociedade, que antes não fazia questão de
explorar esse mercado, já consegue valorizar toda arte absorvida e cultivada
nas entrelinhas das cidades, vindo diretamente das ruas ou não. Aqui, o
conceito da Riot de Janeiro, uma inovadora “agência de criação”, pode nos
exemplificar um pouco melhor como os novos artistas podem trabalhar juntos em
torno de objetivos em comum: o coletivo como um todo, a busca pela valorização
da arte e, por consequência, o reconhecimento dos jovens arteiros.
“A ideia surgiu no final de 2010, quando meu irmão (Hugo
Inglez) pensou em fazer um blog de referências voltado pra arte, algo como o
Ctrl Alt Rio. Logo, ele reparou que nós tínhamos amigos próximos que eram
artistas incríveis, mas que nenhum deles recebia o reconhecimento merecido pelo
nível do trabalho que estavam desenvolvendo. Isso muito por conta das inúmeras
panelinhas que existem no meio artístico, principalmente no Rio de Janeiro.
Então, ele reparou que o conteúdo artístico que ele precisava para o site
poderia ser produzido por nós mesmos”, descreve Rique Inglez, irmão gêmeo de
Hugo e amigo de Breno Moreira, três dos idealizadores do projeto. Apesar da semente
ter sido plantada nesta época, a concepção da agência de criação foi iniciada
há três meses e, pelo número de integrantes, já com a intenção de se tornar
algo grande. Ao todo, a equipe Riot reúne 14 amigos, sendo três colaboradores e
11 artistas, entre grafiteiros, Djs, músicos, designers, artistas plásticos,
ilustradores, fotógrafos e até tatuadores, uma curiosa e verdadeira mistura.
Reunindo propostas diferenciadas,
como se cada dos integrantes fosse o elo de uma corrente da resistência
artística, a Riot de Janeiro sobrevive a partir da experiência vivida de cada
um. “Todos vêm de formações diferentes e alguns nem formação acadêmica têm. A
verdade é que nós não nos importamos nem um pouco com a formação de alguém.
Mesmo dentro da questão artística, seria muito difícil definir cada integrante,
pois todos têm estilos muito diferentes e conseguem trabalhar em inúmeras
mídias e técnicas. O único ponto comum mesmo é que todos têm um estilo próprio
muito bem definido e original. Acho que é exatamente esse o diferencial da
RiotJ. O que nós fazemos, só nós fazemos. Nosso foco é em ideias e exatamente
por isso não podemos e nem queremos ter uma área específica. Qualquer ideia é
válida e pode ser produzida. Dessa forma, podemos trabalhar com qualquer
produto e, ao mesmo tempo, transformar tudo em trabalho”, acrescenta.
“Revoltados” com a falta de
reconhecimento da arte, incluindo o ponto de vista financeiro, a Rio(t) surgiu
como uma própria maneira de contornar essa situação de marginalidade artística.
Desta forma, a união em nome da agência de criação também se tornou em uma
verdadeira causa, muito justa por sinal. “Posso dizer que até o surgimento da
RiotJ, em grande parte fomos basicamente ignorados. A todo o momento, um novo
artista incrível e com imenso potencial desiste da carreira por simplesmente
não conseguir se sustentar, enquanto outros medíocres ganham fama mundial com
lixo. Nossa luta inicial é a mesma de praticamente todo artista jovem:
conseguir sobreviver de arte. Há uma ideia absurda no Brasil de que arte não é
‘emprego’. O que é motivo de orgulho lá fora, por aqui é quase um estigma. Nós
buscamos uma verdadeira valorização da cultura brasileira, por nós mesmos e por
todos que ainda estão por vir”, dispara Rique, que também assina de um outro
curioso projeto: o Artspam, um nome sugerido por Hugo.
Apostando no intercâmbio
artístico, Rique elaborou dez cartolinas e também separou dez endereços
totalmente distintos e aleatórios, todos para fora do Brasil. A ideia era
apresentar ou presentear alguém com sua arte, mesmo sem saber o que seria feito
com a mesma e nem quem seria o escolhido. Assim, quase em paralelo à agência,
nasceu o Artspam, um spam que, ao contrário dos habituais, todos adorariam
receber. “Meu sonho é que isso se espalhasse como uma nova forma de divulgação
artística. Já pensou em novos artistas enviando seus trabalhos pelo mundo? Eu
adoraria receber um e faria o possível para divulgar. Acho engraçado também
como as pessoas ficam surpresas em ver alguém tendo uma atitude altruísta, o
que mostra como isso não é comum atualmente. O mundo precisa de boas ações e de
um pouco de espontaneidade”, afirma Rique, que, dos dez trabalhos enviados,
recebeu apenas uma resposta, o que já fez o projeto valer a pena. “Pois é,
recebi de um cara de Londres. Engraçado que foi a última que eu mandei. Fiquei
muito feliz quando vi o email, já tinha até perdido as esperanças de resposta
nessa primeira leva de cartolinas. Ele escreveu tudo num portunhol de google
translator horrível, mas o email foi super legal e ele disse que se amarrou
muito no desenho”.
Como parte da proposta do
projeto, Rique retornou o email e explicou um pouco melhor sobre a proposta do
Artspam e também sobre a cartolina, que trazia um desenho de com linhas muito
finas, próximas e feitas com uma régua daquelas pequenas, de remédio (na foto abaixo). “Isso
tornou o desenho mais legal ainda, pois as retas não são totalmente paralelas e
isso dá meio que um efeito de movimento estranho. Improvisar com material é
minha especialidade... No começo, eu tinha que me virar com muito pouca coisa e
isso me ajudou bastante a encontrar o meu estilo, que é bem simples e
minimalista”, explica Rique, que finaliza: “A gente quer conquistar o mundo
partindo da cidade maravilhosa e mostrar que aqui nós conseguimos ter uma
produção de nível mundial, mesmo com todas as dificuldades. O Rio(t) de Janeiro
tem que ser uma referência em arte e cultura, e não só uma rebarba do que
acontece lá fora, e eu não consigo pensar em uma época melhor pra isso
acontecer”.
Fotógrafo
criado e (re)conhecido na cena underground, Henrique Madeira se destaca como um dos precursores do lightpainting no Rio de Janeiro. É luz, câmera e ação!!!
Figura mais que (re)conhecida no
cenário underground carioca e fotógrafo “das antiga”, Henrique Madeira aparece como uma referência em uma proposta artística que até pouco tempo atrás não
era muito explorada no Rio de Janeiro e, por consequência, não chamava muita atenção. Trata-se do lightpaint (a pintura de luz), uma técnica de
fotografia criada a partir da relação entre a luz e a velocidade do “disparo”,
o tempo que o obturador fica aberto. “O
lightpaint permite que você pinte um ambiente sem deixar marcas e com imagens
fora da realidade, como pintar um barco no asfalto, um peixe pulando de um copo
e as simples escritas. Ao longo do tempo de registro da foto em ambientes sem
luz, você consegue fazer esses desenhos com lanternas coloridas, luz de
celular, isqueiro e qualquer outra fonte de luz”, explica o fera ao aprendiz.
Apesar de todo seu ineditismo aos olhos do Rio, essa técnica já era
usada, mesmo sem querer, desde 1914, quando FrankGilbreth e a esposaLillianMollerGilbreth
deixaram a câmera com o obturadoraberto
para acompanhar omovimentode
produção e dos trabalhadores no escritório. Neste
caso, como Gilbreth estava mais interessado em recolher dados para seu estudo
sobre a “Simplificação do Trabalho”, o uso da técnica ainda não explorava o
conceito artístico. O primeiro artista a usar o light painting como arte foi
Man Ray, que se considerava um pintor e era conhecido por suas fotografias
“avant-garde”. Em 1935, com a série “Writing Space”, ele apresentou a técnica
pela primeira vez como arte. Já aqui no Rio de Janeiro, Henrique Madeira
começou a “brincar” com essa história somente em 2008, usando uma
Powershot. Mas, em 2010, seu light já era usado profissionalmente.
O fotógrafo Fabrice Wittner (autor da foto acima) recentemente voltou a colocar o lightpainting
em evidência com a série “Enlighted Souls”, que trazia imagens quase reais de
crianças e desabrigados do Vietnã e Nova Zelândia. Com a técnica do light
stencil, Wittner "pintou estênceis com personagens iluminados para
lembrar a perda e mostrar o espírito de uma cidade destruída”, já que
Christchurch tinha acabo de ser castigada por um intenso terremoto. Outra
referência no assunto é o francês Marko 93, que destaca uma curiosa mistura de lightpaint com vídeo em seus
trabalhos e vale procurar um pouco mais a respeito. Já o carioca de Campo
Grande, em Lisboa, Henrique Madeira busca a originalidade através de sua
conexão com a cidade. “Experimento o máximo de formatos possíveis, misturo
várias influências e agrego as paisagens para completar o conteúdo. Sou um
amante da fotografia e suas possibilidades, e o Rio é um dos lugares mais
bonitos do planeta para se fotografar. Acho que misturei alguns elementos que
deram certo”, detalha o fotógrafo.
Sob influência da cultura de rua,
o lightpaint do fotógrafo carioca bebe da mesma fonte e, por isso, apresenta
uma ligação muito forte como o grafite, tanto que sua técnica pode ser
considerada como uma espécie de pintura sem respingos de tinta e sem limites.
Além de já ter apresentado o lightpaint em uma série de eventos e festas,
Henrique pretende usar o lightpaint com uma proposta mais comercial (em álbuns)
e também possui alguns projetos artísticos em fase de finalização (inclusive,
abertos a possíveis patrocinadores). No entanto, sua “menina dos olhos”, como
ele mesmo descreve, é o projeto que em breve levará uma série de oficinas para
crianças carentes e em tratamento no Hospital do Câncer. De acordo com o
fotógrafo, a ideia é expandir o uso da técnica e firmar o lightpaint buscando
novos horizontes. Aqui é luz, câmera, ação e muita consciência. Confira melhor
as pinturas de luz do fotógrafo Henrique Madeira em seu próprio BLOG.
Visando
o alto de um dos postais mais clássicos do Rio, o DJ dinamarquês sobe o Vidigal
e nos descreve um pouco melhor essa experiência e também sua sonoridade.
Em mais um dia de sol intenso - daqueles privilegiados, na
praia do Leblon -, olhava o Morro Dois Irmãos e só conseguia imaginar uma
coisa: como seria a vista lá de cima dessa montanha que mais parece um “elefantes de diamantes sentado”? Essa, em especifico, era uma indagação de
Rasmus Lutzen, um DJ dinamarquês de passagem pelo Rio de Janeiro, mas poderia
ser a de muitos cariocas, com certeza. Afinal, quem não toparia fechar um
programa como esse. O fato é que nem todos sabem que isso é possível, permitido
e, o melhor, não exige tanto esforço quanto pode parecer. Para subir no topo de
um dos mais clássicos postais é preciso apenas vontade, já que a trilha é
aberta, não apresenta riscos e possui acesso pelo alto do morro do Vidigal. Ou
seja, além da vista da cidade, a “escalada” ainda conta com um verdadeiro
“tour” por essa surpreendente comunidade.
Ao saber de tal facilidade, Rasmus, acompanhado de sua amiga
Nicole (uma autêntica alemãrioca), logo se prontificou a fazer a trilha. Mas, como ele,
que é lá da Dinamarca, foi parar no ponto de moto-taxi do Vidigal? “É a minhasegunda vezno Brasil. Antes, fuimuitas vezestocar na Austrália, mas queriaviverem uma cidade grande e diferente. SãoPaulo me pareceu interessante, já que a cena
(eletrônica) é bem grande. Não sabiao que esperar
e, por isso, contei com algumas dicas de brasileiros que vivem na Dinamarca,
como o casal de DJ’s Renata e Jokke (que, por sinal, levantam qualquer pista)”,
afirma Rasmus. “Passeimeu primeiro mêsno Rioe fiquei muito impressionado com
abeleza da cidade, porém, surpresoque acena eletrônica aqui ainda não é tão
grande.Descobri que o forte aqui é a praia, como se
o Rio fosse para o dia, e São Paulopara a noite”, completa.
Após cinco
minutos subindo a Av. Presidente João Goulart e, pelo ponto de vista do Rasmus,
desmistificando o estereótipo de uma “favela”, descemos da moto no Largo do
Santinho, onde já demos de cara com um, segundo o dinamarquês, “inesquecível
bloco”, que vinha descendo a ladeira em pura magia, enquanto o próprio já caia
no embalo do samba e respondia a cadência da bateria (ele pirou). Subindo a pé
até o final da mesma e infinita João Goulart, depois de passar pela Quadra -
antes dominada pelo tráfico, hoje base da UPP -, pelo lindo campo de society e
por centenas de becos e bares, paramos no último deles antes de pegar a tal
trilha. A partir daí, partimos em direção à mata, onde andamos aproximadamente
45 minutos, contando, é claro, com algumas paradinhas. “No ano passado,
conheci o ComplexodeAlemão,onde eu fui tocar para a comunidade,
convidado por Cabbet Araújo, no evento Abraçoda Paz. No entanto, aqui no Vidigal é diferente”, afirma o DJ.
Do
alto do Dois Irmãos, diante de uma vista indescritível que te cerca por todos
os lados, o DJ dinamarquês começa a falar um pouco mais sobre seu trabalho.
Apesar de trazer claras referências da escola escandinava em suas músicas, como
Trentemoller e Kasper Bjorke, Rasmus, que já tocou em algumas festas de
destaque por aqui, prefere exaltar a originalidade presente em seu som. “Eu
gosto de priorizar as melodias nas músicas, dando um ar sexye suave.Normalmente, eu nãoolho muito para os
artistas quando escuto uma música. Eu ouço oslançamentos
e classifico as faixas que gosto de acordo com as datas, independentemente
do rótulo e do artista”, aponta. Antes de voltar para Europa,
Rasmus ainda se apresentará em algumas festas brasileiras. Em relação à
caminhada até o topo do Dois Irmãos, trata-se de uma experiência única e viável.
“A partir dessa vista, o Rioé definitivamentea cidade maisbela que conheci até agora!,
completa o DJ, que também não dispensa um bom churrasco.
Em sua primeira
montagem em grupo, o autor e ator(mentado) Michel Melamed usa o carnaval para
brindar os fracassos da realidade sem ou pós-festa. "Carne Vale".
Com uma ousadia tão afiada quanto a
Navalha (na Carne), de Plínio Marcos, a peça Adeus à Carne (ou Go to Brazil), primeira montagem em grupo de
Michel Melamed, atravessa o samba e até
mesmo o funk para celebrar a melancolia e o fracasso de uma realidade sem ou
pós-carnaval - do latim “carne vale” e vale muito. Vale pela busca ao incomodo,
ao diferente e pela aceitação do anormal. Trata-se de uma peça provocante e
experimental, que geralmente não costuma agradar aqueles que preferem encenações de fácil digestão. Neste caso, a carne não desce, e o gole é seco
como um trago.
Após um longo período de passagens de atores, cerca
de 10 minutos, aparece a primeira fala do espetáculo: “Obrigado”, que antecede um
suspiro e uma cusparada. Aqui, a falta de uma condução linear já abria espaço
para um mar de interpretações, porém, ainda não havia como o público
estabelecer conexões sem nenhuma onda. No entanto, com uma sequência de sambas
tristes, o autor estabelece
uma conexão mais clara com a festa do Adeus à Carne e apresenta sua
desritimada e crítica escola no palco, começando pela comissão de frente, que “cria
uma certa expectativa no público por sua coreografia diferenciada" – como
explica o interlocutor.
Diferentemente de seus monólogos anteriores
- “Homemúsica” (2007), “Dinheiro Grátis” (2006) e “Regurgitofagia” (2004), onde
recebia choques de acordo com a reação da plateia -, “Adeus à Carne” traz Michel
Melamed ao lado de mais cinco atores: Bruna Linzmeyer, Pedro Henrique
Monteiro, Rodolfo Vaz, Thiare Maia e Thalma de Freitas, que aparece com a
cabeça totalmente raspada. O figurino, de Luiza Marcier, também é fundamental na construção da decadência imposta aos personagens, que também são castigados,
torturados e se apresentam como espécies de demônios - como seis emissoras de televisão. O desfile segue com “a ala das crianças, que pode ser opcional, e com a Velha Guarda, onde vão os
fundadores da escola”. Neste caso, a ala destacava os atores como emissoras e dançando funk proibidão
do CV.
Depois de apresentar as alegorias de sua
escola, representadas em cena por engenhosas estruturas mecânicas e amarras de
alpinistas, a peça costura mais um punhado de devaneios e criticas até chegar a
um ensaiado final irônico, como a própria apuração do carnaval e seus
atordoantes 8.2, 9.4 e 9.9. Mas, que o cenário assinado por Bia Junqueira era
digno de um “10!”, vindo do mais criterioso dos jurados, ninguém poderá negar. Aliás, as engenhocas funcionaram muito bem, com destaque para um jogo da
forca humano, e conseguiram suprir a falta de texto para acompanhar a mobilidade dos atores, que, por sinal, estavam
todos muito bem (doidos). Desta forma, o desfecho da peça, assim como a
dispersão na Marquês de Sapucaí e do “Duque de Caxias”, chega de um modo natural. A senhora sentada ao lado, assim como muitos, não hesitou em perguntar: já
acabou? 'Carne Vale' a pena!.
Embalada na
mistura do carnaval, a festa apresenta o trio Chinese Man e reúne diferentes
vertentes, musicais e artísticas, no bloco do La Folie. Joie de Vivre amis!
A festa, criada na Grécia Antiga
para celebrar a fertilidade e as boas colheitas, ganhou reconhecimento e se
tornou popular somente Idade Média, quando, amparada no cristianismo, era
realizada em nome do “adeus à carne” ou “carna vale”, em latim. No entanto, o
carnaval que nos serviu de inspiração - com desfiles e fantasias - surgiu mesmo
na sociedade vitoriana (1837 a 1901), época em que Paris era a grande
referência. Atualmente, os tempos são outros e tudo mudou, porém, o carnaval
segue fazendo a loucura dos foliões e, o melhor, com muita diversidade, alegria e
“Sorpresa (Sorte + Supresa)”, assim como a festa que rola nesta quinta-feira
(16/02), no Centro Cultural Maria Tereza Vieira (próximo à praça Tiradentes).
Distante da origem e da própria tradicional imagem de
carnaval, a festa Sorpresa espera aproveitar o descontrole favorável do momento
para agradar aqueles (muitos) que não são tão chegados à mesmice dos blocos de
rua. Apesar da Sorpresa, o que surpreenderá mesmo neste agito é a mistura de
conceitos, sejam artísticos ou musicais. O fato dessa idéia ter começado a
partir da vinda do Chinese Man, um curioso trio francês que se destaca
justamente pela mistura de ritmos, pode servir como exemplo. “A proposta é
abrir uma opção para a galera menos chegada ao pânico e ao tumulto dos blocos.
Aproveitar a vinda do Chinese e apresentar o som que eles fazem, um hip hop com
pegadas de vários rítimos eletrônicos. Uma black music diferenciada e pouco
explorada”, afirma Fernando Barbosa, do núcleo La Folie, que organiza o evento
junto à marca Cabron, de Marcel Gonçalves. Sem falar no apoio de todas as
pastelarias cariocas, como menciona o flyer.
Apoiado na diferenciada
sonoridade do misto de selo, grupo e família, a festa conseguiu atrair
mais propostas originais, como a interação artística de Marcelo Ment e Bruno
Big, que levarão parte do trabalho desenvolvido nas ruas para uma apresentação
ao vivo na festa. Aliás, Ment também está com a exposição Contrastes aberta no
Espaço Cultural Eletrobrás Furnas, em Botafogo. “O Ment assim que soube que o
Chinese iria se apresentar na festa já se prontificou em participar. Ele
conheceu o grupo na França e não poderia de maneira alguma ficar de fora. Mas,
não programamos nada na questão arte, foi surgindo, na parceria pura”, exalta
Fernando, que também destaca a participação de Henrique Madeira, “o cara das
coberturas do verdadeiro circuito underground das artes no Rio”. Além de
registrar o evento, o fotógrafo também promete uma inusitada session de Light
Painting, uma técnica que permite pintar o ambiente com imagem, mas sem deixar
um pingo de tinta no chão. É luz, câmera e ação. (falaremos melhor sobre isso
nos próximos posts).
Para engrossar o caldo dessa
mistura à “carna vale”, sem deixar de lado a qualidade dos ingredientes
sonoros, a Sorpresa ainda anuncia: Rockphonne, o
projeto de resgate musical assinado pelo próprio Fernando Barbosa; Machintal,
um verdadeiro colecionador de sons; Glocal, a dupla carioca que não deixa São
Paulo dormir cedo, e Ricardo Estrella, que fechará a noite sem deixar ninguém
ir embora. É, depois desta escalação de peso, realmente parece que a festa
conseguiu agregar os conceitos e apresentar uma proposta de som diferenciada em
pleno carnaval. Essa mistura é pura... festa. “Carnaval é festa,
diversão e alegria... Não importa o gênero de som que está tocando, o que
importa é a qualidade e o sentimento de união do povo em torno de uma festa
louca, carnal”, completa Fernando, que avisa que quem tiver interessado em
participar dessa folia terá obrigatoriamente que enviar um email confirmado sua
presença. Assim, poderão entender melhor o porque da Sorpresa. Marque sua presença: lafoliegrotte@gmail.com
Quem
já experimentou sabe que a “fusão das estrelas mágicas” deu certo, e o
harebúrguer ficou cheio de alegria, saúde e sabor. É uma brisa total essa delícia. Piuw!
Os cariocas e acariocados que
costumam frequentar a praia de Ipanema entre os postos 9, 10 e também o 8
- porque não? - provavelmente já devem ter iniciado contato com essa verdadeira “fusão de estrelas mágicas”. Trata-se
do famigerado Hareburguer vegetariano, uma diferenciada opção de larica que
veio de outras galáxias diretamente para as areias do Rio de Janeiro, que, por
sinal, tem de tudo um muito– ainda mais em relação à “gastro_nomia”. Pensando
em agregar saúde, sabor e alegria – as tais estrelas da fusão -, Raphael
Borges, o Hare Rapha, acabou se transformando em um verdadeiro empreendedor de sucesso.
No entanto, não é isso que torna essa viagem de negócio em realidade, se é que
essa mesma pode ser levada em consideração.
Apesar do Hareburguer já existir
desde a eternidade, “a mensagem se manifestou tridimensionalmente na Terra
somente em 2006”, justamente quando Rapha queria arrumar dinheiro para viajar
para Bahia. Pouco tempo depois, lá estava ele: trancando a faculdade de
Jornalismo, tocando fogo na casa da mãe e enchendo a mala de hare-esperança
para ir compartilhar sua criação com os demais. O local escolhido foi a praia,
de preferência sob um sol de mil graus, e a tarefa, mesmo assim, era encarada
com um astral único e admirável. (tocando flauta, explicando o cardápio e,
principalmente, sendo alvo de piadas). “A ideia era criar uma nova experiência,
com a essência de trazer à tona o lúdico, o ingênuo, o puro e o divertido para
as pessoas. A experiência ‘Hare’ através desse universo mágico é que permeia o dia-a-dia
da marca, uma hare-empresa criada com o objetivo de apresentar alimentos de
alta qualidade e vibração”, explica Rapha.
Depois de cativar os
“hare-corações e estômagos mais exigentes, Rapha já se dedicava suficientemente
para expandir os horizontes dessa “viagem astro-gastronômica”. Com o sucesso do
Hareburguer nas areias de Ipanema, a “nave-mãe” teve que baixar na Terra, e
assim nasceu “a primeira fast food vegetariana de todo universo. A loja,
localizada na Galeria River, foi inaugurada no último mês de agosto. “Após esse
momento de novas abduções e aterrissagens, o Hareburger está de volta na praia,
não apenas com o próprio Hare Rapha, mas com a presença de seres extrate-hares
enviados do cosmos para alimentar os terráqueos com buraco negros da fome na
praia. Cada um representa um planeta ou satélite. Por enquanto, a Hare Equipe é
feita de quatro hare seres: Manu da Lua, Di Saturno, Di Plutão e Di Marte.
Fazemos entregas do Arpoador ao Leblon através de nossas bikes
Hareletrucutadas! É só chamar, que eu vou pessoalmente fazer a Harentrega”, diz
o empreendedor de capa de revista, que garante que trata-se “do melhor hambúrguer de todas as galáxias”.
No entanto, antes de querer
iniciar um contato ou “um pedido telepático”, é melhor falarmos um pouco sobre
o cardápio, que conta com uma divertida ilustração. Entre seis sabores, começamos pelo Tradicional, que leva
“hareburger, cheddar alucinante, tomates psicodélicos, alfaces crocantes sinestésicos
e mostarda transcendental”. Mas, o Hare Rock Shutney Mango´s Fly também chama atenção
ao combinar “hareburger, queijo gouda da lua jupteriana IO, mango shutney (o
favorito do mango monster), castanhas de caju harmonizantes e rúculas
hidropônicas proto-netunianas uni-sistemárias cerebrais”. Isso sem falar nas
hare sobremesas, “nos hare sucos e hare capacitores intersistemários (combustível
para seu corpo planetário), ou seja, o clássico mate e o açaí com capacitor de
fluxo”, como descreve o cardápio. “É de lamber os beiço”, finaliza Rapha.
Galeria River - Arpoador.
Por telepatia ou pelo harephone 94061666.
De seg. à sex., de 11h às 19:30h. Sábados de 11h às
20h.
Aos domingos a Galeria River não
abre.
Em sua quarta edição, o maior evento de música eletrônica da América Latina voltará a marcar presença no carnaval carioca. Agora, serão dez dias de programação, sete só de festa. Acha pouco?
Apesar do carnaval carioca ser reconhecido pelos desfiles das tradicionais escolas de samba, pelas mulatas na avenida e pelos animados blocos de rua, o Rio Music Conference (RMC), considerado o maior evento de música eletrônica da América Latina, abre-alas e pede passagem para voltar a “misturar” essa festa tão esperada pelos carioca e acariocados. Atendendo à demanda do mercado, a edição de 2012, que será realizada na Marina da Glória, contará com dez dias de programação (de 14/02 até 25/02), sendo três dedicados exclusivamente aos workshops, palestras e painéis, e mais sete noites com os principais nomes da cena. Haja fôlego colombina!
Realizado desde 2009, quando o mercado já dava respaldo para a realização de um evento deste porte, o RMC parece crescer e se solidificar junto com a própria profissionalização da cena. As três edições anteriores, a atual dimensão nacional e os três dias a mais na programação são fatores que podem comprovar que esse lucrativo encontro já está mais que consolidado – como aponta o organizador Guilherme Borges: “A música eletrônica cresceu e as pessoas enxergam isso, já que há um maior envolvimento. Trata-se de uma indústria, que deixou de ser apenas um estilo musical para ser um meio de produção. Agora, mais do que nunca, queremos legitimar esse conceito”.
“A ideia da conferência veio de uma necessidade do próprio mercado. Toda indústria carece de um encontro para debater as questões que envolvem a realidade do setor. Aliás, a própria profissionalização precisa de críticas, de debates e de um encontro para reunir isso tudo, aproximando as pessoas envolvidas”, completa Guilherme, que chegou à música eletrônica pela trilha do negócio (não é DJ). Com uma expectativa de público acima das 35 mil pessoas e embalado pelo calor do carnaval carioca, a edição nacional do RMC 2012 pretende movimentar cerca de R$ 30 milhões em negócios, 50% a mais do que os R$ 20 milhões registrados na edição anterior, quando o festival reuniu 25 mil pessoas em suas cinco noites.
Conferindo a conferência
Precursora de novas tendências e capaz de captar grandes lançamentos do mercado da música eletrônica nacional, a Feira de Negócios do Rio Music Conference é tão movimentada quanto suas noites. “É muita gente querendo comprar equipamento, conhecer novos modelos e softwares, contratar DJs, conhecer novas tendências, projetos e pessoas envolvidas. Cada região possui suas próprias necessidades e um encontro nacional é muito importante neste aspecto. A edição de 2012 deverá refletir isso, já que contará com uma presença cada vez maior de profissionais não só do eixo Rio-São Paulo, mas de todo Brasil”, explica o organizador do evento.
Nos três primeiros dias, a programação do RMC apresenta uma série de seminários, debates, palestras e workshops, todos comandados por profissionais de dentro do mercado. Já nos stands, o que chama a atenção são as inúmeras agências de DJs, as gravadoras, as empresas de tecnologia, os equipamentos, os novos hardwares/softwares, os DJs shops, as rádios online, os veículos de comunicação especializados e muito outros produtos e serviços ligados direta ou indiretamente à música eletrônica e ao entretenimento. Propício para o ‘networking’, como defende o organizador, a Feira de negócios ainda destaca o espaço “Village” – uma área wi-fi com bares, restaurantes e showcases, que fica sob responsabilidade dos novos talentos.
Além das empresas que participam diretamente da Feira de Negócios do RMC, outras companhias, de dentro e de fora do setor, também são atraídas pela visibilidade do evento, que revela uma capacidade promocional de grande alcance. O público envolvido, interessado e interessante desperta a atenção de diferentes empresas de outros segmentos, como bebidas, automóveis, turismo, telefonia, moda e tecnologias em geral. Afinal, trata-se do maior evento de música eletrônica do hemisfério sul sendo realizado em pleno carnaval carioca. “Não há dúvidas que contamos com mais publicidades, apoios e parcerias. Porém, esse apoio por parte dos patrocinadores sempre existiu, não é uma coisa de agora”, ressalta Guilherme Borges.
Democrático e cheio de estrelas
Com sete noites de programação, sendo cinco noites consecutivas (de 17 a 21/02) e duas de “Closing Events” (24 e 25/02), as noites da edição nacional do RMC 2012 prometem coroar o carnaval à eletrônica em grande estilo. Apresentando dois palcos simultâneos – Copacabana, com os maiores astros das pistas mundiais, e Ipanema, com as principais tendências e artistas da vanguarda -, o RMC apresentará mais de 64 atrações, incluindo os “tops” DJs Armin Van Buuren, Steve Angelo, Kaskade, Roger Sanchez, Fedde Le Grand, entre outros. Mas, nesta edição, o line-up não ficará restrito somente aos “Celso Portiolli Vol. 1”. Aliás, um dos principais diferenciais deste ano será a sonoridade, que, além da qualidade, se apresenta muito mais democrática.
“O line-up deste ano comprova toda evolução do evento também na parte musical. Lógico que terá Armin Van Buuren, mas também terá uma série de outros nomes que não poderiam ficar de fora. O palco Ipanema, que fez sucesso na edição passada, voltará ainda mais forte”, exalta Guilherme Borges. Reunindo destaques de diversas linhas, o line-up do RMC 2012 apresentará oito atrações a cada noite, divididas nas duas pistas. Nomes como Ellen Allien, Jamie Jones e Solomun, que se destacaram na cena internacional em 2011 e, recentemente, estiveram enlouquecendo o público brasileiro, voltam para engrandecer ainda mais o festival. Imaginem o que não vão fazer em pleno carnaval: “ziriguidum e oba-oba” será pouco.
"Espero muito do dj set de Jamie Jones, que esteve aqui em novembro e eu não pude conferir. Não me lembro de tocar tantas tracks de um mesmo produtor. Ao meu ver, já pode ser considerado um dos melhores. Mas, certamente, também vou querer conferir o som do Solomun, do dOp, do The Twelves, além, é claro, de Guy Gerber e Ellen Allien, com quem toco no dia 17/02”, detalha o DJ e produtor Brunno Mello, que abre a pista Ipanema no primeiro dia do festival. “Eu tenho curtido muito fazer essa linha mais deep. Acho que com a idade seu bpm interno vai baixando. Mas, ao mesmo tempo, o meu compromisso é com o bass e com o groove. Então, quem chegar cedo, pode se preparar para dançar... com certeza”, completa Brunno.
Se por um lado o evento amadureceu em suas estruturas, a parte musical mostra que também não fica muito atrás. Em relação às edições anteriores, a melhora no line-up da edição 2012 é mais que notável, assim como o equilíbrio na divisão das atrações ao longo das noites – como explica o DJ Brunno Mello: “Do ponto de vista musical, o evento cresceu muito, sem dúvida. Nos dois primeiros anos, tínhamos um palco apenas para atender dois públicos distintos: o comercial e o underground. E, quase sempre, o que agradava um, não agradava o outro. Já no ano passado, com a criação de um segundo palco (Ipanema), conseguimos atender os dois públicos, um fato que se repete e fica ainda melhor agora nesta edição. Terá altas atrações que não dá para perder”.
Uma janela para o mundo
A história, que começou de maneira até despretensiosa, tornou-se grande de maneira muito rápida. Em 2010, por exemplo, a segunda edição do evento já contou com um apoio maior das empresas. No entanto, o festival, tido como nacional, ainda ficava restrito ao eixo Rio-São Paulo. No ano passado, a última edição do encontro ficou marcada pela expansão. Na ocasião, o RMC se transformou em um evento, de fato, nacional. Ou seja, o festival ganhava mais oito mini-edições regionais, intituladas de “RoadShows” e realizadas em diferentes cidades do Brasil. Atualmente, o Rio Music Conference é formado por 10 encontros regionais (um em Buenos Aires, na Argentina) e uma edição nacional.
“Organizamos o festival, mas quem faz acontecer são as pessoas que estão envolvidas com a própria música. As edições regionais não só acrescentaram, como também levou o Rio Music Conference a outros patamares. Os principais pontos positivos destes encontros formam a edição nacional, que agora sim é capaz de reunir pessoas de diferentes regiões e com diferentes necessidades. Era o complemento que faltava, pois o que pessoal do Sul busca pode ser muito diferente daquilo que o produtor vindo do nordeste precisa. As pessoas mais envolvidas de cada região fazem parte do evento e contribuem para uma troca mais ampla e, por isso, mais eficaz”, afirma Guilherme Borges.
O objetivo de imergir nas cenas locais e encarar os desafios de cada região solidificou o evento, que já apresenta respaldo suficiente para tratar com propriedade as questões artísticas e mercadológicas da produção nacional. Além de estreitar as relações com os embaixadores regionais (supostamente os mais envolvidos de cada região) e definir as prioridades para criar os debates da edição nacional, os encontros regionais contribuem para a grande novidade da conferência: o Anuário do Mercado. Trata-se de uma retrospectiva de todo o ano anterior, uma espécie de registro dos mais fatos mais relevantes. O anuário também apresenta os resultados do Prêmio RMC, uma própria premiação que conta com os votos dos embaixadores para eleger os “Melhores do Ano”. É, de fato, parece que o carnaval ficou pequeno.
Mas, porque realizar um festival de música eletrônica em pleno carnaval carioca? “A ideia foi aproveitar justamente a exposição gigantesca do carnaval carioca. O Rio fica na janela do mundo e, além do mais, é o principal destino dos turistas e ainda será uma cidade Olímpica. Apesar de alguns estranharem essa posição, pelo fato da cena ser muito diversificada, queríamos justamente isso. Creio que fizemos a escolha certa”, responde Guilherme. Segundo Brunno Mello, no início, a "inteligenzia" do setor olhava o evento com alguma desconfiança, por razões até pertinentes. Mas, passados três anos, vendo toda a conjuntura que envolve o Rio, é certo que todos preferem estar aqui. E você, vai? Fui.