quinta-feira, 18 de julho de 2013

#81

Wilson Hsu: a arte da (re)descoberta

Filho de imigrantes taiwaneses, criado na Califórnia e carioca, o artista retoma o caminho da arte em meio a (re)descoberta de sua terra natal - em pleno Saara, dá para imaginar? Então, se liga!!!

Com trabalhos tão ricos e curiosos quanto sua própria história de vida, o “carioca” Wilson Hsu vive um momento de novo entusiasmo dentro de sua trajetória artística, motivação que, ao contrário do que imaginava até então, só veio à tona em sua terra natal - na loja de flores de plástico de seus pais no Saara, sendo mais específico. Filho de imigrantes taiwaneses que se conheceram no Brasil, em São Paulo, Wilson nasceu no Rio e, pouco tempo depois, acabou deixando a cidade sem descobrir suas maravilhas para viver com sua família na Califórnia, onde foi criado e viveu até aos 18 anos. Fascinado desde pequeno pelas linhas e formas vindas dos desenhos animados e dos livros infantis, base da edução de grande parte das crianças americanas, Hsu decidiu aprimorar seus estudos em arte, mas, para isso, teria que se afastar novamente da cidade em que nasceu. E assim foi... “Nesse período, meus pais decidiram voltar ao Rio, e eu finalmente pude conhecer a cidade onde nasci. Foi um grande choque cultural. Mas, depois de um ano e meio aqui, resolvi voltar mesmo sozinho para L.A. com a intenção de fazer o que realmente gostava: estudar arte. E foi na Otis College of Art and Design que aprendi grande parte do que sei”, afirma o artista ciente de que tudo possui seu tempo (é agora).


Após dez anos longe de casa, em 2008, quando a crise americana começou a quebrar muitos negócios em diversas áreas, Hsu resolveu voltar ao Rio para ter mais uma chance de conhecer a cidade que nasceu e, agora, também ver o que ela poderia lhe oferecer. “Cansado e um pouco frustrado, resolvi tirar férias sem período determinado para voltar a trabalhar com arte. E foi na loja de flores de plástico dos meus pais no Saara, no centro do Rio, que fui sendo submerso em cores, texturas e formas, tanto das coisas e como das próprias pessoas. Eu estava de férias, mas meus olhos não”, aponta o artista, que reconhece que, antes de voltar, jamais poderia dizer que o Rio havia o inspirado de alguma forma. “Apesar de ter nascido aqui, faltava contato e vivencia.  Parte do meu trabalho tem por base cenas misteriosas de montanhas geladas, desertos, fundo de mar e robôs que cospem espermas voadores. Tanto do lado natural quanto do artificial, era um mundo completamente diferente do que eu encontrei no Rio, onde as pessoas em geral costumam ser muito receptivas e abertas, e a natureza se mistura facilmente à cidade”, completa Hsu, que, por sinal, ainda está se familiarizando com o idioma português e com a estereotipada malandragem do carioca.


Embora ainda não tenha encontrado uma oportunidade de expor seus trabalhos em terras cariocas, o artista continua dedicado a criar e, inclusive, explorar novos modelos - alguns mais próximos às novas exigências do mercado, ou seja, mais comercializáveis. “Estou voltando pouco a pouco a me dedicar à arte e também experimentando outras maneiras de trabalhar com ela. Sempre procurei usar o básico de recursos digitais. Meus desenhos são chapados, com cores muito vivas e misturas um tanto quanto inusitadas. A profundidade geralmente vem da colagem que faço com o papel impresso, sendo que a madeira é o meu suporte, onde sobreponho diversas partes de uma paisagem e destaco em acrílica o que acho necessário dentro de uma determinada cena. Nunca gostei de um trabalho 100% digital e, talvez por isso, procuro usar a colagem e a tinta para destacar, assim como para envelhecer a tela”, detalha Hsu. No entanto, diante desta nova fase, o artista se mostra muito mais aberto ao experimentalismo, enquanto suas obras, que já costumavam chamar atenção, passam a ganhar mais espaço e pessoas. “Tenho um projeto agora que, por ser mais digital, poderá ser impresso em camisetas, caderninhos e postais. A ideia é chegar mais perto das pessoas, tirando esse status de ‘coisa para não ser tocada’ que a arte muitas vezes possui”, finaliza.


Alguns desses trabalhos podem serem vistos na Wilson Hsu Art, sua página recém-criada no Facebook. Confira e curta!

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sábado, 6 de julho de 2013

news

Festival leva Nova Música a Laura Alvim

Com uma série de shows distribuída ao longo de três semanas neste mês de julho, sempre às terças e quartas-feiras, o Festival Nova Música, que começa já neste dia 09, tomará o teatro da Casa de Cultura Laura Alvim (Av. Vieira Souto, 176. Arpoador) para apresentar ao público um verdadeiro panorama do cenário musical independente carioca, com músicos e bandas que já dão o que falar, mas longe dos ouvidos do chamado grande público. Reunindo 16 atrações escolhidas a dedo e, o melhor, sem se limitar a um único gênero, o festival realiza sua primeira edição com uma aposta feliz o bastante para seguir firme na resistência: perfis variados, diversidade de ritmos e qualidade sonora.


Além de dar oportunidade aos talentos locais se apresentarem com uma estrutura adequada e atrair pessoas interessadas em desbravar novos sons, o festival também se mostra importante por acreditar, promover e fortalecer a cena musical à margem do mercado. Como duas atrações se apresentam a cada dia, os encontros - alguns mais que inusitados - refletem a preocupação da curadoria (Natasha Llerena, Lucas Noleto, Livia Bousquet) em aproveitar bem o mix de bandas composto. Para completar, os shows ainda serão registrados em áudio e vídeo, com três músicas para cada artista, para serem utilizados tanto pelos grupos quanto pelo próprio festival em divulgações posteriores.


“O acesso às novas tecnologias permitiu à nova geração de talentos extravasar esta efervescência criativa de maneira mais democrática. O Festival da Nova Musica vai, a partir de nosso time de curadores, tirar uma foto deste momento da cena do Rio de Janeiro. Acho que todos vão gostar e se divertir”, afirma Felippe Llerena, diretor geral do festival, que, assim como as bandas, também é independente e faz um grande esforço para existir e ser ouvido. Com vocês: Ganeshas (foto), Novíssimos, Julia Vargas, Uzoto, Natasha Llerena, Pietá, La Vereda, Biltre, Alice Passos, Antonio Guerra Sexteto, Luiza Sales & Vinícius Castro, Tais Feijão, Juliano Rabujah, Marcelo Duani, Mohandas e Choque do Magriça. É escolher e chegar para prestigiar.

Veja a programação completa aqui

Casa de Cultura Laura Alvim 
Av. Vieira Souto, 176. Arpoador
Terças e quartas-feiras, das 19h30 às 22h30.
Ingressos: R$20,00 meia R$40,00 inteira


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segunda-feira, 1 de julho de 2013

#80

Urban Arts Rio: enfim, ela chegou!

Assediada pelos artistas e adorada pelos mais moderninhos, a galeria abre as portas de sua filial carioca apresentando a exposição “Rio de Todos os Santos”, do artista plástico João Batista.

Em um momento de efervescência no mercado das artes, no qual as galerias se reinventam  em novos modelos e espaços para captar um público à margem do elitismo em torno do padrão clássico, a Urban Arts - criada em 2009 pelo designer André Diniz - inaugura sua primeira filial em terras cariocas sem deixar de lado o lema que moldou o êxito de suas outras seis casas já abertas: “Arte (de todos) é para todos”, mas tudo com seu preço. Alavancada pelo pioneirismo “no ramo” das artes digitais, a “queridinha” dos mais antenados começou a se destacar por se mostrar aberta aos artistas, principalmente aos mais novos, e extremamente atrativa aos apreciadores, que, segundo a própria marca, também ganham com a oportunidade de dar o “primeiro passo” no mundo dos investimentos em telas. Seguindo a influência das lojinhas pós-museu, as atraentes gift shop, e apostando em obras mais acessíveis - de R$ 50 até R$ 4 mil -,  a U.A conseguiu firmar seu conceito seguindo essa receita e, no Rio, sob a batuta da jornalista e produtora de moda Paula Multedo (a Pola), não teria porque ser diferente. Apesar da certa demora, a unidade Rio, situada na Gávea, abriu suas portas no último 27/06 e pôs fim a ansiedade dos seguidores cariocas, que já podem conhecer o espaço e acompanhar a exposição “Rio de Todos os Santos”, do artista João Batista.


Embora a arte em questão esteja condicionada ao mercado e ao lucro, uma relação que começou a ser questionada ainda nos anos 40 com o termo “Indústria Cultural”, elaborado pelos frankfurtianos Theodor W. Adorno e Max Horkheimer, o bom funcionamento da galeria empresa possui um lado positivo que vai muito além de seu saldo. “Sempre acreditei que o artista, mesmo que ainda não tenha chegado ao estrelado, merecia um espaço organizado com todo o aparato necessário para que pudesse brilhar, e com requintes que vão desde convites impressos até uma assessoria focada em sua divulgação”, aponta Pola, que ressalta que sua relação com o proprietário da matriz também á pautada pela preocupação com os artistas: "Nosso contato é diário para justamente  melhor atender os clientes e artistas. Um dos nosso maiores objetivos como marca é colocar  em pratica  a ideia inicial de que as  exposições deverão rodar  pelos demais estados do nosso país, dando oportunidade dos artistas vislumbrarem esse ‘tour’ quase em tempo record”. Ou seja, se a arte possui um preço e o mercado se mostra favorável, o modelo busca potenciar os lucros da galeria para que todos possam se beneficiar dessa condição, um fato justifica a condição da arte como mercadoria, mas sem deixar de os artistas de lado, já que os mesmos, ao contribuir com o sucesso da marca, também se valorizam. No final, todos saem felizes da ‘loja’.


Filha de artista plástica e envolvida com artes desde pequenina, Pola Multedo,  que diz respirar arte em tudo que passa por ela, mas ressalta que a "conta sempre tem que fechar", se porta como uma segura empreendedora ao falar de seu novo negócio.  "Arte é para todos que amam e apreciam coisas belas, portanto por que não juntar a fome com a vontade de comer? Novos artistas entrando para ‘a cena’ e novos compradores felizes em embelezar suas casas com telas assinadas”, declara Pola, que também se mostra segura ao justificar a escolha da Gávea como residência: "O bairro sempre foi reduto de artistas e jovens bacanas.  Ser em frente a Puc e colado ao Baixo Gávea foi definitivamente o que me fez não ter a menor duvida que tínhamos achado o spot!". Além de se destacar pelo sucesso em torno de seu conceito, a Urban Arts também se diferencia por suas exposições, tendo em vista  que as mesmas não se resumem apenas a telas nas paredes. "Nossas exposições sempre buscam sair do obvio, queremos criar atmosferas. O processo criativo flui facilmente, o trabalhoso é por em pratica tantas ideias que brotam de um brain storm com os artistas e suas ideias mirabolantes, como, por exemplo, explodir canhões com bolhas de sabão" , brinca a proprietária. "Buscamos um ‘tema’ em conjunto com o artista e trabalhamos firme em cima dele criando um ‘mundinho’ capaz de passar das ‘telas na parede’”, completa.


"Quando comecei a procurar um artista para fazer a abertura da Urban Arts Rio de Janeiro alguns nomes me vieram a cabeça. Algumas pessoas me falaram muito do Joao Paulo e, em um bate papo em que ele me mostrou seus trabalhos, curti a ideia de seus personagens serem caricaturalmente cariocas, e em maioria nordestinos. Vislumbrei um tema ‘forte’ e bacana que eu poderia me aprofundar que foi sua facilidade e adoração em pintar Santos", aponta Pola, que também assume a curadoria das exposições. Com boas recomendações, um trabalho bem original e características favoráveis, João Batista apareceu com todos os atributos necessários para inugurar a U.A no Rio, mas ainda havia algo que seria determinante para sua escolha: "Quando ele me contou de sua característica inusitada, que é o  fato de ser daltônico, e que isso refletia em seus trabalhos - o que resulta em peças altamente coloridas e alegres, sempre com a mesma combinação de cores -, eu não tive duvidas", revela a proprietária. Aliás, segundo Pola, as artes originais, mesmo que a preços um pouco mais elevados que os prints, canecas e moleskines, não são preços que ‘assustam’ ou deixam o comprador desconfortável em perguntar o valor da arte. No mais, se não quiser coçar os bolsos, a ideia é chegar para conhecer a casa e, de quebra, ver de perto o que o João anda aprontando. Está aberta!

Urban Arts Rio
Rua Marquês de São Vicente, 188. Gávea.


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quarta-feira, 5 de junho de 2013

news

Mostra foca relação entre Beatles e cinema

The Beatles em "Yellow Submarine"
A relação entre Beatles e cinema nunca foi difícil de ser estabelecida, tendo em vista que o quarteto de Liverpool, além da fama alcançada em cima dos palcos, também estrelou cinco filmes no início de sua carreira: “Os Reis do Iê Iê Iê”(1964) e “Help!” (1965), de Richard Lester, assim como o especial para TV “Magical Mystery Tour” (1967), a animação psicodélica “Submarino Amarelo” (1968) e o documentário “Let It Be”, lançado em 1970.  Partindo deste princípio e prestando uma homenagem aos 50 anos do lançamento do primeiro disco da banda, “Please Please Me” (1963), a mostra 50 Anos de Beatles: Uma História de Cinema, que foi inaugurada na última terça-feira (04/06), na Caixa Cultural, apresentará 12 filmes beatolado ao público carioca até o próximo domingo (9), sendo sete de ficção e cinco documentários.

Em paralelo à seleção de filmes, que possuí a preocupação de ilustrar a carreira do quarteto, sua transformação musical ao longo dos anos e, é claro, a febre da beatlemania, a mostra apresentará uma inusitada palestra ministrada pelo ator e diretor Fernando Ceylão, a “Beatles Através do Cinema – 5 Décadas de Som e Imagem”, que possui entrada gratuita e ocorre nesta quinta-feira (6), às 19h30.  Além de alguns dos filmes citados, como os dois clássicos dirigidos Richard Lester, a seleção de filmes incluirá outros longas relacionado com os Beatles, caso de “What's Happening! The Beatles in the U.S.A” (1964), “Estados Unidos x John Lennon” (2006), “Across the Universe” (2006), “O Garoto de Liverpool” (2009),  “Lennon NYC” (2010) e, inclusive, “George Harrison: Living in the Material World” (2011).

Cena de "George Harrison - Living in the Material World"
Destaque dentro da mostra, o documentário “Estados Unidos x Jonh Lennon”, de David Leaf e John Sheinfeld e que será exibido na sexta-feira (7), foca o lado ativista do beatle entre os anos de 1966 e 1976, quando o então presidente Richard Nixon comandava a Guerra do Vietnã e, consequentemente,  enfrentava uma grande rejeição no meio artístico. Nesta época, Lennon vivia nos Estados Unidos e era uma das vozes ativa contra a política americana, assim como sua musa Yoko Ono e outros ativistas, como Bobby Seale, líder dos Panteras Negras. Deixando um pouco de lado a trilha sonora, que dispensa comentários, o filme se mostra interessante por esmiuçar o posicionamento da banda e de seus integrantes em meio aquele conturbado momento. Sendo beatlemaníaco ou não, a mostra vale o ingresso e, se possível, o retorno.

Os ingressos custam de R$ 2 (meia-entrada) a R$ 4, com exceção de “O Garoto de Liverpool” e “What's happening! The Beatles in USA”, que terão entrada gratuita.

Quarta-feira (5/6)
16h – Imagine – John Lennon, de Andrew Solt (EUA,1988, 100 min, 14 anos)
18h – Os Cinco Rapazes de Liverpool, de Iain Softley (Alemanha/Inglaterra,1994, 100 min, 14 anos)

Quinta-feira (6/6)
16h – Febre de Juventude, de Robert Zemeckis (Inglaterra, 1978, 104 min, 12 anos)
18h – What's happening! The Beatles in USA, de Albert Maysles e David Maysles (EUA, 1964, 81 min, 12 anos)
19h30 – Palestra: “Beatles através do cinema – 5 décadas de som e imagem” – Palestrante: Fernando Ceylão (ator, autor, diretor e beatlemaníaco)

Sexta-feira (7/6)
16h – Estados Unidos X Lennon, de David Leaf e John Sheinfeld (EUA, 2006, 99 min, 14 anos)
18h – Capítulo 27, de Jarrett Schaeffer (EUA, 2008, 84 min, ficção, 16 anos)

Sábado (8/6)
14h
– Help!, de Richard Lester (Inglaterra,1965, 90 min, livre)
16h – Lennon NYC, de Michael Epstein (EUA, 2010, 114 min, 12 anos)

Domingo (9/6)
14h – George Harrison: Living in the Material World, de Martin Scorcese (EUA, 2011, 208 min, 14 anos). Filme exibido em duas partes, com intervalo de 10 minutos
18h – Across the Universe, de Julie Teymor (EUA, 2006, 133 min, 10 anos)

Caixa Cultural Rio de Janeiro – Cinema 1.
Av. Almirante Barroso, 25. Centro (Metrô: Estação Carioca)
Bilheteria: de terça-feira a domingo, das 10h às 20h
Lotação: 78 lugares (mais 3 para cadeirantes)
www.caixa.gov.br/caixacultural


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terça-feira, 4 de junho de 2013

news

BMW Festival leva fino do jazz ao Vivo Rio 

Pat Matheny
Após o sucesso obtido nos dois anos anteriores, quando trouxeram nomes como Sharon Jones, Maceo Parker e Charles Lloyd, entre outras lendas internacionais, o BMW Jazz Festival passou a gerar uma grande expectativa em torno de sua terceira edição e, com base na programação anunciada, que volta apostar na mistura entre revelações e grandes pesos, parece não ter decepcionado em nada os fãs de jazz. Isso porque, entre os dias 06 e 10 de junho, alternando São Paulo e Rio de Janeiro, o festival apresentará Pat Metheny, Brad Mehldau, Johnathan Blake, Joe Lovano e Esperanza Spalding, além de Egberto Gismonti e Orquestra Corações Futuristas (somente em SP). 

Ao contrário das anteriores, a terceira edição também dedicará uma de suas três noites a um único artista - o guitarrista americano Pat Metheny, que virá acompanhado da banda Unity. "Essa é a primeira vez em um festival de Jazz no Brasil que teremos uma noite dedicada a apenas um músico", afirmou Zuza Homem de Mello, um dos curadores do festival junto a Pedro Albuquerque, durante a apresentação da programação. Além de Metheny, que inicia o festival em SP (06) e encerra no Rio (10), o BMW Jazz destaca outro grande nome entre suas atrações: Brad Mehldau (Trio), que deverá realizar uma melhor apresentação em seu retorno ao país, já que, desta vez, ele virá apenas com seu trio e sem vocalistas acompanhantes, como na última.

Esperanza Spalding, uma promissora revelação.

Na capital carioca, o festival começa somente no dia 8 de junho e logo com duas revelações de grande destaque na cena atual, James Farm e Esperanza Spalding & Radio Music Society. Na sequência, dia 09/06, o BMW Jazz também apresentará dois shows, o já citado Brad Mehldau Trio e Joe Lovano & Dave Douglas Quintet, enquanto a noite final - o show único - ficará por conta de Pat Metheny & Unity Band. Apesar de não contar com a presença de Egberto Gismonti e nem com um show gratuito no Parque Garota de Ipanema - como o previsto no Parque do Ibirapuera -, a edição carioca do festival não deixa de ser uma boa oportunidade de acompanhar artistas que, em outras situações, dificilmente se apresentariam no Rio, ainda mais com ingressos abaixo da média de preço. Não é de graça, como estamos acostumados em relação ao jazz, mas também não chega a ser um Lollapalooza da vida.
  
BMW Jazz Festival RJ

8 de junho, às 21h
James Farm
Esperanza Spalding & Radio Music Society
9 de junho, às 20h
Brad Mehldau Trio
Joe Lovano & Dave Douglas Quintet
10 de junho, às 21h
Pat Metheny & Unity Band

Vivo Rio

Av. Infante Dom Henrique, 85. Glória.
Entrada: de R$ 50 a R$ 150

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sexta-feira, 31 de maio de 2013

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StudioRJ revive matriz com série e Tulipa

Com intenção de homenagear a matriz paulistana, fechado em grande estilo no início do mês de maio por conta da grande especulação imobiliária em torno da famigerada Rua Augusta - a qual se manifestou através de um aumento desproporcional do aluguel do espaço -, o vivíssimo Studio RJ apresentará um novo projeto a partir do mês de junho: o Noite Studio SP, que a cada mês apresentará um artista marcado na história da casa (de todos os adoradores de música). Dando início à série, a casa recebe neste sábado a cantora paulistana (de São Lourenço-MG) Tulipa Ruiz, que volta ao Rio com os sucessos de seu mais recente trabalho, “Tudo Tanto” (2012), e outras surpresas inesperadas. Afinal de contas, Studio é Studio, seja em São Paulo ou no Arpex. 

Após o bem-sucedido lançamento de “Efêmera” (2010), álbum que a projetou (inter)nacionalmente, Tulipa Ruiz contrariou o título do disco de estréia com o lançamento de seu segundo álbum autoral e passou de promissora revelação a estrela em ascensão da chamada "nova mpb". Viabilizado através de um edital da Natura Musical, o “Tudo Tanto” de Tulipa, sob os cuidados e arranjos do pai Luiz Chagas (ex-Isca de Polícia), repete a parceria com o irmão produtor e guitarrista Gustavo Ruiz e ainda conta com participações de grandes artistas, como Criolo, Daniel Ganjaman, Kassin, Lulu Santos, Rafael Castro e São Paulo Underground. Marcadas pela composição esperta de Tulipa, as 11 faixas desse tudo, de “É” até “Cada Voz”, chama atenção tanto pela sonoridade quanto pela riqueza da instrumentação. É um disco de Show, sem dúvida!  Para completar a noite, o Studio RJ completa a Noite Studio SP com a festa Ritz.

Noite Studio SP: Tulipa Ruiz + Ritz
Horário: Show: 22h / Festa: 0h
Preço: Show: R$ 120 (inteira), R$ 60 (meia entrada, lista amiga pelo site 
www.studiorj.org, ou com 1 quilo de alimento não perecível).

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quarta-feira, 29 de maio de 2013

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Exposição exalta relevância da mulher na arte

Reunindo 120 obras emblemáticas, de 65 artistas diferentes - todas elas mulheres -, a exposição “Elles – Mulheres Artistas na Coleção do Centre Georges Pompindou”, vinda diretamente da França e apresentada pela primeira vez no Brasil, chama atenção por exaltar a relevância da mulher na história da arte e, mesmo de modo subjetivo, reacender outras importantes questões, como: elas continuam sendo minoria no mercado artístico, ainda são restritas a objetos de observação e  qual o motivo de não existirem artistas do sexo feminino equiparadas a Leonardo da Vinci e Michelangelo? Apesar de não trazer respostas por escrito, a mostra em questão, que foi inaugurada na última sexta-feira e seguirá em cartaz até o dia 14/07 no CCBB (Av. Primeiro de Março, 66. Centro), reúne obras impactantes o bastante para reforçar que não há mais espaço para possíveis distinções de gêneros nos museus e galerias, já que, acima de tudo, a arte é livre (e feminina).

Durante toda história da arte e, mais especifico, no século 19, as artistas mulheres causavam um enorme desconforto ao trocar a esfera privada pela pública, seja pela quebra dos padrões vigentes, pela ameaça da concorrência diferenciada ou por puro machismo. O célebre Auguste Renoir, por exemplo, ganhou fama com impecáveis retratos de mulheres e meninas de bochechas rosadas, mas, por outro lado, era criteriosamente contra a presença feminina no mundo da arte. “A mulher artista é ridícula, mas sou a favor das cantoras e das dançarinas”, dizia o pintor francês, uma afirmação que não deixou de se legitimar com o passar dos anos, porém, não nesta exposição. Isso porque, a mostra em cartaz no CCBB, que conta curadoria assinada pelas francesas Emma Lavigne e Cécile Debray, além da produção da brasileira Ana Helena Curti, segue o caminho oposto. Aliás, em 2010, quando foi inaugurada em Paris, a mostra chegou a ser acompanhada debates e palestras sobre o tema.

La Chambre Bleue (O Quarto Azul, 1923), de Suzanne Valadon, subverteu a forma como a mulher era representada.

Mesmo sem levantar esse merecido debate, as obras reunidas na “Elles”, datadas de 1907 a 2010, falam por si só, tendo em vista que a maioria delas não se desprende deste contexto. Desta forma, a exposição em questão reúne obras de criadoras pioneiras, como Frida Kahlo (“The Frame” 1938, na foto) e Louise Bourgeois, e contemporâneas, como Valie Export, Nan Goldin e Sophie Calle, além de brasileiras como Lygia Pape, Anna Maria Maiolino e Anna Bella Geiger. Um dos trabalhos mais famosos do Guerrilla Girl, grupo anônimo de artistas que usavam máscaras de gorila para provar a conduta misógina dos museus na França e EUA, os quais insistiam em privilegiar obras de artistas masculinos, também poderá ser conferido na mostra através de um cartaz de 1989, A Grande Odalisca, do pintor Jean-Auguste Dominique Ingres. Neste, o grupo troca a cabeça usada pelo de uma macaca e, inclusive, insere uma inscrição abaixo da colagem: “As mulheres precisam estar nuas para entrar no Metropolitan Museum? Menos de 5% dos artistas nas seções de arte moderna são mulheres, mas 85% dos nus são femininos”. 

Elles: Mulheres Artistas na Coleção do Centro Geoges Pompidou
CCBB RJ – Rua 1º de Março, 66. Centro.
Até 14/07. De Terça a Dom., das 9h às 21h. Grátis.

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domingo, 26 de maio de 2013

#79

Pedro Vasconcellos: “Sonhos Esculturais”

A partir da vontade de abordar noites mal dormidas de criação de forma reservada e pessoal, o artista carioca resgata seu passado artístico para dar vida a uma exposição de olho no futuro!!!

Publicitário de formação e artista desde pequeno – aos oito anos já ganhava o prêmio de novos talentos da H.Stern na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV) -, o carioca Pedro Vasconcellos resgata referências de seu passado para moldar um novo futuro na exposição “Sonhos Esculturais”, em cartaz no Oztel (Rua Pinheiro Guimarães, 91. Botafogo) até o dia 23/06. Após passar pela fase inicial, da cola colorida, e pela anterior Liberdade Geométrica, que trazia obras em escala maior e com diversas cores, Pedro decidiu apostar em algo diferente: em trabalhos menores, intimistas, menos coloridos e mais inconscientes. “Surgiu a vontade de falar sobre essas noites mal dormidas de forma mais reservada e pessoal”, justifica o artista ao falar das dificuldades enfrentadas durante seu período de processo criativo, no qual confessa, de fato, dormir mal com por ter a cabeça repleta de idéias ao mesmo tempo. No final, após relutante o descanso, os sonhos do artista tomaram formas - esculturais, como traz no título -  e ganharam vida nessa nova mostra. No entanto, antes pensar em conferir, é preciso estar acordado...    


Com pouco mais de 30 anos de idade e certa vivência no mundo da arte, Pedro Vasconcellos, que assina a curadoria artística do espaço 00 Bistrô, em Ipanema, e do Z.bra Hostel, no Leblon, reconhece o visível amadurecimento de seu trabalho, mas não deixa de exaltar a relação com o que já foi criado. “Vejo o amadurecimento como um resgate ao meu passado. Digo isso porque, na série Sonhos Esculturais, eu volto a usar materiais concretos, como corda, cera de vela, pregos e tantos outros materiais que comecei a trabalhar ainda aos 5 anos, nas minhas primeiras aulas de carpintaria. Mas, aqui estou usando referencias do passado para construir um novo futuro”, aponta o carioca, que completa: “Os elementos concretos servem tanto para aumentar a mensagem que quero passar em cada obra como para exalar o sentimento que cada uma carrega em si. A evolução na verdade está mais em quem vê e se identifica com o trabalho do que nele em si. As obras só ajudam as pessoas a pensarem, mas o sentimento está dentro delas”.


Em relação ao por quê do uso desses elementos em sua novas obras, chamadas de “esculturas vivas”, o artista explica que a ideia era justamente ampliar sua profundidade, um sentido maior: “Minha intenção era fazer com que cada obra fosse mais do que tinta sobre tela. Usei vários elementos para transformar cada trabalho em verdadeiras peças ou esculturas. E digo vivas porque vejo movimento e vida em cada uma delas”. Essa foi a proposta de Pedro em “Sonhos Esculturais”, mas o que veio antes: o sonho ou as esculturas? “Normalmente, eu começo pela vontade de expressar algo, de materializar na obra a mensagem que quero passar dentro da proposta da série que estiver trabalhando. Algumas vezes acontece da mensagem mudar de tom e, com isso, a obra acabar ganhando outro formato. Mas, lá atrás, a mensagem ainda era a mesma”, responde o artista, que ressalta que a “inspiração também não cai do céu e do nada”, mas sim da experimentação, dos testes, dos erros e da continuidade do exercício  “Assim nasce uma série dentro de mim. As vezes, não tenho vontade de expô-las, mas, quando tenho, a exposição acontece”, completa.


Embora tenha integrado o coletivo Abacaxi com Hortelã, participado de exposições conjuntas e assinado três individuais, o artista carioca reconhece que a tarefa de elaborar uma mostra “independente” não é tão simples quanto parece. “Montar uma exposição fora do circuito das galerias requer persistência e dedicação, desde a escolha das obras, até a definição do conceito, da precificação, do lugar e da disposição das obras em si. Mas, acredito que isso faz parte do processo de auto-confiança que o artista sempre quer se questionar”, afirma. Além de produzir, comprar e trocar obras com artistas de sua geração, Pedro também vende - e bem -, mas para quem?  “Os meus compradores são pessoas que, aos poucos, estão visitando exposições e enriquecendo o próprio olhar, não os colecionadores tradicionais. O meu interesse não é vender para pessoas que pensam no tamanho e na cor predominante da obra em primeiro lugar, que decidem de acordo com a cor da parede ou do sofá. Quero que se identifiquem com a peça, mesmo que o melhor lugar, decorativamente falando, seja o lavabo”, finaliza.


Saiba mais sobre o trabalho de PedroVasconcellos.

Pedro Vasconcellos Sonhos Esculturais

Local: Oztel (www.oztel.com.br).
Rua Pinheiro Guimarães, 91 - Botafogo.
Até dia 23/6.

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sexta-feira, 24 de maio de 2013

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Me Gusta (e)leva Super Flu ao Fosfobox

Com nome de torcida organizada do Fluminense, o Super Flu, duo alemão de música eletrônica que realiza uma mini-turnê de quatro noites pelo Brasil, desembarca pela primeira vez em terras cariocas e com status de principal atração da Me Gusta, festa que, após algumas edições de sucesso - com Eli Iwasa e Anderson Noise, por exemplo -, virou referência na noite do Rio. Neste sábado (25/05), além “dos alemão”, a festa volta a ocupar o Fosfobox com “Propulse”, residente da Moving na D-Edge, em São Paulo, Rodrigo S, do núcleo Wooble, e o residente (onipresente) Pedro Piu. Para completar, no andar de cima, o som fica por conta de Tiago Moura (ultraxpedition) e Rafa Canholato (Funk The Chic). Me Gusta? Ô!


Formado em 2005 por Feliks Thielemann e Mathias Schwarz, o Super Flu começou a se destacar na cena independente alemã com uma aparelhagem exótica, uma postura irreverente e, principalmente, desconcertantes lives. Já no ano seguinte, o duo ganhava a capital Berlim - a Meca da música eletrônica – com suas primeiras tracks, lançadas pela Herzblut Recordings. Após o lançamento da própria label, a Monaberry, e terem passado por renomadas pistas, como a do Karate Klub e da Traum Schallplatten, Feliks e Mathias tomaram a Europa com um estilo bem próprio e um marketing certeiro, além de uma inconfundível mistura de influências e batidas. De CocoRosie a New Kids On The Block, passando por barulhos da grande cidade, o Super Flu é uma viagem do techno ao minimal entre referências pop, elementos de jazz e bases de new beat, enquanto as faixas sempre surpreendem com uma grande variedade de instrumentos, entre violinos, guitarras e ruídos.

Propulse  vai a Copa(cabana)

Pioneiro no formato de apresentação ao vivo em clubes e festivais da música eletrônica, Fabiano “Propulse” Zorzan, é um conceituado produtor, músico e viciado em novas tecnologias, uma combinação entre engenheiro de som com amante da música dançante de vanguarda. Com uma bagagem de nove anos de residencia da festa Moving, realizada no D-Edge, em São Paulo, Propulse chega ao Rio querendo pegar uma bela praia, é claro, e também prometendo apresentar suas mais recentes produções, ou seja, pancada para cariocada não esquecer tão cedo. É som para gente grande (dançar feito criança). Para quem deseja ouvir um som mais que diferente, diferenciado, a dica está dada, e a pista cheia. Me Gusta!  


Me Gusta - Super Flu
Fosfobox – Rua Siqueira Campos, 143. Copacabana.

R$ 40 (até a 1h) e R$ 50 (após a 1h)

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segunda-feira, 20 de maio de 2013

#78

Faunopédia: os animais de João "Lelo"

Após espalhar uma série de animais pelas ruas da cidade - todos combinando formas chapadas e texturas -, o artista carioca reúne seus bichos em uma curiosa mostra na Homegrown. Tá animal!!   

Se fauna é o termo coletivo para designar a vida animal de uma determinada região ou de um período de tempo, “Faunopédia” é a palavra que, após uma procura sem resultados no Google, o designer João Lelo “inventou” para agrupar os animais que anda espelhando pelas ruas do Rio e São Paulo, tanto que a mesma, inspirada nos antigos inventários de exploradores, também intitula a exposição do artista carioca recém-inaugurada na Homegrown.  A mostra em questão, aberta ao público até o dia 05/06, se destaca ao explorar a temática dos animais em gravuras (serigrafias e xilogravuras), desenhos em papel e trabalhos sobre madeira, entre pinturas e colagens, além de duas esculturas (objetos em MDF), as primeiras exibidas de uma nova série que Lelo vem desenvolvendo desde meados do último ano. “Meu trabalho é muito sobre a experiência gráfica, a harmonia entre formas chapadas e padrões / texturas. Às vezes, eu acho que poderia usar uma linguagem totalmente abstrata, mas, no momento, ter algo figurativo ainda é importante para meu processo criativo. Gosto que o desenho tenha alguma história para contar”, revela o artista ao justificar seu fascinio pela bicharada. “É por isso que uso imagens de animais (e pessoas também). Eles são a base da minha criação. Eu escolho os animais que têm alguma simbologia interessante e que eu possa representar de maneira sintética, apenas com formas simples”, completa. 


Após ter descoberto sua vocação ainda cedo, até por influência de seus pais (arquitetos), Lelo tomou o caminho da arte sem pretensões de retorno ou objetivos maiores, queria mesmo fazer o que gostava e assim foi. A partir de pesquisas sobre streetart e viagens à floresta de pedra da capital paulista, o artista carioca, diante da possibilidade de pintar coisas grandes na rua e da necessidade de amadurecer seu trabalho, acabou escolhendo (ou sendo escolhido) o universo do graffiti, entre posters, stickers e a paixão pela serigrafia - descoberta com uma mesa de impressão caseira montada por seu pai, a qual se transformou na “gráfica de seu quarto”. “Sempre ‘fiz arte’ porque eu gostava, nunca tive uma preocupação de viver disso. Trabalhava com outras coisas para me sustentar e poder fazer as coisas que gostava. Mas começaram a me procurar pelo meu trabalho autoral e, nesse momento, vi que era uma coisa com a qual eu poderia trabalhar”, aponta João Lelo, que, além de se considerar mais um muralista que um grafiteiro atualmente, também faz questão de exaltar seu lado autodidata  “Nunca fiz curso de desenho, aprendi a desenhar em casa com meu pai. Cursei faculdade de desenho industrial, que tem introdução à história da arte, mas nada muito consistente. Aprendi muita coisa por conta própria, fui assistente de estúdio de outros artistas onde aprendi bastante coisa também”. 


Embora tenha alcançado uma notável maturidade em seus trabalhos, com destaque para diversidade de materiais explorados, Lelo, que também chegou a experimentar outros processos, como xilografia e linóleo, reconhece que não foi nada fácil dar um conceito a suas obras, mas também ressalta o aspecto positivo da escolha pelo autodidata: “Acho que foi bom seguir esse caminho, pois acho que cursos impõem muito o estilo do professor no aluno, mas também, por outro lado, meu aprendizado foi mais lento. Levei mais tempo até entender o que eu queria fazer com meu trabalho e como fazer”. Questionado sobre o atual reconhecimento da cena carioca de arte urbana, o jovem artista, mesmo tido como um dos promissores, com participações em festivais internacionais, prefere olhar os dois lados dessa inquestionável boa fase. “Acho que ainda estamos vivendo esse boom da arte urbana no Brasil e todo mundo está querendo consumir esse tipo de arte de alguma forma. É bom por um lado porque abre espaço para novos artistas entrarem no mercado, mas também tem o problema de que esses mesmos artistas acabam ficando tachados como ‘artistas urbanos’, o que limita um pouco a visão do trabalho”, aponta. Tanto para quem já reconhece as obras do muralista carioca espalhadas pelas ruas como para aqueles que se interessaram em saber mais sobre o artista, a exposição “Lelo: Faunopédia” se mostra simplesmente imperdível. É de se surpreender com o nível do trabalho apresentado, tá animal!!!


 Saiba mais sobre João Lelo no site:www.leloart.com


Serviço: Lelo: Faunopédia
Homegrown: Rua Maria Quitéria, 68. Ipanema.
Data: Até dia 05/06/13
Horário: Das 10h às 20h, seg. a sex., 12h às 18h aos sábados.

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