sábado, 28 de setembro de 2013

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Festival do Rio: 15 dias de puro cinema
 
 
Em meio a um protesto de manifestantes que ocupavam as escadarias da Câmara de Vereadores, o Festival do Rio deu início a sua 15ª edição na noite da última quinta-feira (26/10) no Cine Odeon amparado em sua já conhecida proposta: transformar a cidade maravilhosa na capital mundial do cinema. Para isso, até o próximo dia 10 de outubro, a maior mostra audiovisual latino-americana apresentará aos cariocas 380 filmes - sendo 147 documentários -, a maioria inédito e muitos outros que nem vão chegar às salas de cinema.

Além das inúmeras mostras, muitas delas competitivas, e da principal Premiére Brasil, que “acompanhou as mudanças do cinema nacional” - como a diretora executiva Ilda Santiago faz questão de ressaltar -, o evento mais aguardado pelos cinéfilos de Redentor também conta com filmes de mais de 60 países, inclusive de diretores famosos o bastante para serem Steven Soderbergh, Woody Allen e Gus van Sant.

Inspirado no belo trabalho de identidade visual realizado pelo artista carioca Marcelo Ment, o Ctrl+Alt+Rio elaborou uma lista com 13 filmes para serem acompanhados nesses 15 dias de programação, embora tenham muitos outros não menos imperdíveis, assim como as disputadas sessões com diretores convidados. Abaixo, confira a sinopse e os horários dos tais circulados em vermelho.
 
***
 
Amazônia – O Planeta Verde

Inteiramente rodado em 3D, a produção franco-brasileira, assinada pelo diretor Thierry Ragobert (O Planeta Branco, 2006), se mostra como uma verdadeira viagem pela floresta amazônica, mas, neste caso, a partir do ponto de vista de um macaco prego – o único sobrevivente (de um acidente de avião). Através dos olhos de Kong, nome do abençoado macaquinho inspirado no Carlitos do Chaplin, o longa que abriu o Festival do Rio (e encerrou o Festival de Veneza) desvenda os mistérios da fauna e da flora da maior floresta tropical do planeta em toda a sua complexidade. Trata-se da maior produção cinematográfica já realizada na Amazônia.

 

Sexta-feira, 27/09. 19h30 - Cine Carioca.
Sábado, 28/09. 16h30 – São Luiz 3.


Behind the Candelabra

Há muito tempo atrás, antes do mito Elvis, existia um pianista chamado Liberace. Ele era uma pessoa excêntrica e com atitudes de extrema extravagância, principalmente na maneira de se vestir (todo cheio de luzes já naquela época). Sendo mundialmente conhecido, Liberace tinha uma base de fãs muito leal e que o acompanhou durante os seus 40 anos de carreira. Em 1977, no entanto, ele se apaixona por um estranho jovem: Scott Thorson, com quem viveu um romance secreto de cinco anos. O filme retrata o cenário mais íntimo desta tempestuosa relação - do primeiro encontro em Vegas até o momento da ruptura (em público). O que podemos esperar desta trama? Atuações excepcionais do ator Michael Douglas (Liberace) e Matt Damon (Scott Thorson) em mais uma afiada direção de Steven Soderbergh, quem, de acordo com alguns sites especializados, poderia estar exibindo seu último filme.

 

Sexta-feira, 04/10. 23h59 – Odeon Petrobras.
Quarta-feira, 09/10. 21h30 – Roxy 3.

Blue Jasmine

Woody Allen troca a cidade de Nova York por San Francisco em sua nova comédia dramática, intitulada Blue Jasmine e centrada na personagem brilhantemente interpretada por Cate Blanchett – o que engrandece e muito o filme, que, apesar de não fugir muito da velha receita de Allen, vem sendo apontado como um dos melhores filmes do cineasta. Jasmine dá início à trama ao ver sua vida destroçada com a separação do marido, o rico empresário Hal (Alec Baldwin). Sem dinheiro, ofício e esperança, a socialite de Manhattan encontra o apoio de sua irmã para tocar sua vida sob efeitos de antidepressivos em San Francisco, onde também causará bastante incômodo com suas frustrações. No entanto, no final, ela consegue se redimir e aceitar os fatos, ou seja, encontrar um pouco de paz consigo mesma e alcançar sua independência.
 

Domingo, 29/09. 21h30 - Cinemark Downtown
Segunda-feira, 30/09. 19h - Cinemark Downtown
Quarta-feira, 02/10. 16h30 e 21h30 - Roxy 3
Sexta-feira, 04/10. 14h e 19h - Leblon 2
Quinta-feira, 10/10. 15h40 e 22h20 – Est. Vivo Gávea 5

 
Gravidade

Protagonizado por Sandra Bullock e George Clooney, o suspense do diretor Alfonso Cuaron, que, inclusive, contou com a ajuda do filho, tinha todos elementos para ser um filme nível Perigo em Alto Mar  no espaço, mas, por ser visualmente fantástico, a trama até que acaba sendo bem digerida e, no final, até surpreende.  Nesta, Bullock vive uma engenheira médica que se prepara para realizar sua primeira viagem espacial, justamente ao lado de Clooney, o veterano astronauta Matt Kowalsky. O filme, que abriu a última edição do Festival de Cannes, agradou a crítica francesa e, por isso, chega ao Rio com ares de destaque.

 
Sábado, 28/09. 23h59 - Odeon Petrobras
Quinta-feira, 03/10. 14h e 19h - São Luiz 3
Segunda, 07/10. 16h30 e 21h30 - Leblon 2
Quinta, 10/10. 21h30 - Cinemark Downtown


The Zero Theorem

Qohen Leth é um gênio da computação que vive em um universo dominado por grandes corporações, assim como o nosso. Sofrendo de uma profundo angústia existencial, ele trabalha sob as ordens de uma figura sombria conhecida como “Gerente”. Neste quadro tão familiar em nossa sociedade, sua missão é resolver o tal Teorema Zero, uma fórmula matemática que finalmente revelará o verdadeiro sentido da vida. Seu trabalho, no entanto, é constantemente interrompido por visitas da sedutora Bainsley e de Bob, o filho adolescente do Gerente. O filme, que já passou pelo Festival de Toronto e pela mostra competitiva do Festival de Veneza, marca a volta do diretor Terry Gillian (“Brazil: O filme” e “12 Macacos”) à ficção científica. Isso mesmo, trata-se de uma ficção científica.

 
Segunda-feira, 30/09. 16h30 e 21h30 – Leblon 2
Terça-feira, 01/10. 14h30 e 21h30 – Estação Botafogo 1
Quinta-feira, 03/10. 14h e 19h – Roxy 3

 
A Garota de Lugar Nenhum

Dirigido e protagonizado por Jean-Claude Brisseau, o filme se destaca por trabalhar narrativas íntimas e corajosas, uma marca registrada do cineasta, que, inclusive, optou por rodar o longa-metragem em sua própria casa. Vencedor do Leopardo de Ouro do Festival de Locarno em 2012, o filme esmiúça a rotina solitária de Michel, a qual é alterada radicalmente quando Dora - uma jovem de 26 anos - chega para viver em seu apartamento. Mesmo inesperada, a relação traz frescor à vida do professor de matemática aposentado, que se redescobre em sensações até então esquecidas. No entanto, seu lar gradualmente se torna cenário de misteriosos acontecimentos.

 

Sábado, 28/09. 14h30 e 21h30 – Estação Rio 1
Terça-feira, 01/10. 16h30 e 21h30 – São Luiz 3.
Quinta-feira, 03/10. 17h20 – Estação Ipanema 1

  
Heli

Após ter causado um grande alvoroço no Festival de Cinema de Cannes, de onde saiu com o prêmio de melhor direção - dado a Amat Escalante (Sangre, 2005. e Os Bastardos, 2008.) -, o filme é capaz de chocar a todos com suas cenas de violência realista, sem filtro mesmo. No entanto, a trama se baseia na aventura amorosa de Estela, uma menina de 12 anos que vive em uma pequena cidade mexicana e se apaixona perdidamente por um jovem cadete da polícia. Ele quer fugir com ela para se casar e, para realizar tal sonho, desvia alguns pacotes de droga. Mas, quem pagará pela mancada será a família de Estela, que passará a enfrentar a violência que devasta a região. Trata-se de um seco retrato da sociedade mexicana contemporânea.

 

Quinta-feira, 03/10. 14h15 e 21h15 – Estação Rio 2
Quinta-feira, 10/10. 17h e 21h30 – Estação Rio 1

 
The Green Inferno
 
A militante Justine se une a um grupo de radicais para uma nobre missão: interromper o desmatamento ilegal em uma selva peruana, atividade que coloca em risco a vida de uma isolada tribo amazônica. Munidos de boas intenções e celulares com câmera, o grupo voa para a América Latina confiantes para realizar a missão proposta, mas, com a queda do avião no meio da selva, a euforia ganha contornos trágicos e luta se restringe apenas a sobrevivência. Agora, eles serão o jantar do povo que pretendiam proteger. O filme em questão é uma sangrenta homenagem do diretor Eli Roth (O Albergue) aos filmes italianos de canibais do final dos anos 1970 e recebeu muitos aplausos no Festival de Toronto.

 

Sexta-feira, 04/10. 23h45 - Estação Rio 2
Domingo, 06/10. 16h30 e 21h30 - Cinepolis Lagoon
Terça-feira, 08/10. 16h30 e 21h30 - Roxy 3
Quinta-feira, 10/10. 13h30 e 20h - Est Vivo Gávea 5
 
Documentários
 
 
Sacro Gra

Espécie de rodoanel de Roma, a Grande Raccordo Anulare é a mais extensa via urbana da capital italiana e o local ideal para o intrigante documentário de Gianfranco Rosi. Isso porque, o filme em questão simplesmente se baseia na vida das pessoas que vivem às margens da estrada e também da sociedade. Entre inúmeras figuras enigmáticas, destacam-se Paolo e a filha Amelia, que foram transferidos do Norte de Itália, aparente sem razão, para um novo conjunto habitacional na região. Outro ponto alto é a aparição de um casal de prostitutas idosas e duas go go dancer, entre outras. Para completar, Santo Gra foi o primeiro documentário da história a ganhar um Leão de Ouro no Festival de Veneza.

 
Terça-feira, 08/10. 19h - Estação Botafogo 1
Quarta-feira, 09/10. 21h40 - Estação Ipanema 1
Quinta-feira, 10/10. 13h30 e 19h40 - São Luiz 3
 

I Love Kuduro
 
Na mesma medida em que a internet conectou o mundo em uma única rede, gêneros musicais oriundo das mais diversas periferias começaram a ser reconhecidos como partes de uma mesma cena global. Assim ocorreu com o funk carioca, moombahton, ghettotech, raggamuffin e, talvez o mais recente deles, o kuduro. Nascido nas periferias de Luanda, em Angola, o gênero destruído na voz de Latino é o foco do novo documentário do português Mario Patrocínio, o mesmo que também retratou o cotidiano dos moradores no Complexo do Alemão. Com beats pesados, graves distorcidos, letras afiadas e uma peculiar sensualidade, este gênero se mostra como uma verdadeira febre em Angola - um movimento cultural -, enquanto o diretor evidência a influência do ritmo através do cotidiano de algumas irreverentes estrelas locais.

 
Segunda-feira, 30/09. 19h15 - Odeon Petrobras
Quarta-feira, 02/10. 14h - Oi Futuro Ipanema
Sexta-feira, 04/10. 19:30 - Cine Carioca
Quinta-feira, 10/10. 17h40 - Estação Rio 2

 
Pussy Riot : A Punk Prayer

Em fevereiro de 2012, três integrantes do grupo de punk rock feminista Pussy Riot participaram de um protesto na catedral de Cristo Salvador, em Moscou, contra a união entre Igreja e Estado perpetrada pelo presidente russo Vladimir Putin. Elas foram presas e acusadas de crime de intolerância religiosa, protagonizando um julgamento que chamou a atenção do mundo todo para a sociedade russa contemporânea. Este documentário revela os bastidores do julgamento com imagens de arquivo inéditas, além de contar com entrevistas com familiares das acusadas e advogados de defesa do caso. A filme sobre oração punk do grupo feminista foi um dos destaques do Festival Sundance 2013.

 

Quinta-feira, 03/10. 14h e 21h15 - Estação Botafogo 1
Sexta-feria, 04/10. 20h - Est Vivo Gávea 5
Quarta-feira, 09/10. 19h15 São Luiz 4

 
Metallica: Through The Never 3D

Após uma apresentação convicente no Rock in Rio, o Metallica volta ao Rio, mas, desta vez, com o filme-concerto Through The Never, dirigido pelo diretor Nimród Antal. Aliás, a trilha sonora do filme serviu de base para o set list do recente show em terras cariocas – é quase o mesmo show, mas com historinhas e em 3D. Com um legado de barulho, excessos e álcool, o Metallica deu sobrevida ao heavy metal, transformando a banda em um dos maiores nomes da indústria fonográfica na década de 90. Neste filme-concerto pós-apocalíptico, o diretor de longas de ação narra a saga de Dane, um roadie da banda que é enviado para o inferno. Paralelamente, o Metallica nos apresenta seu novo espetáculo. Será uma única exibição.

 

Quinta-feira, 03/10. 23h59 - Estação Botafogo
 
Programação completa no site oficial
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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

#91

ArtRua: um retorno mais que grandioso

Em sua segunda edição em terras cariocas, a mostra paralela à feira ArtRio volta à Gamboa e, desta vez, com ares de festival. “Só vendo de perto”, como disse o idealizador André Bretas.

Em paralelo à realização da terceira edição da ArtRio, a Feira Internacional de Arte Contemporânea do Rio de Janeiro, que abre suas portas ao público nesta quinta-feira (05/09), o ArtRua ocupa a Vila Olímpica da Gamboa para traçar um verdadeiro panorama da arte urbana nacional, segmento cada vez mais distante da marginalidade dos muros e vinculado a um lucrativo mercado. Embora ainda não tenha as ambições da matriz, que no último ano arrecadou R$ 120 milhões e recebeu 74 mil visitantes no Píer Mauá, a mostra paralela chega à sua segunda edição em terras cariocas como um grandioso festival, mas sob os mesmos objetivos: revitalizar a fantasmagórica região portuária e movimentar o amplo negócio do grafite, ou melhor, da arte vinda das ruas – como sugere o título.

Vista de um dos galpões. Ao fundo, o Morro da Providência.
Imagem: Henrique Madeira/Divulgação.
“Uma feira de arte só é uma feira quando possui uma mostra paralela. Em 2009, quando estava na Miami Art Basel, pude presenciar o nascimento de algumas mostras de grande destaque e logo pensei em trazer isso ao Rio”, revelou o “novo marchand” André Bretas, idealizador do evento e quem, desde o primeiro contato com “Brenda” (Valansi), obteve total apoio da mostra oficial “para criar um mercado de arte urbana no Rio”. Através de uma parceria entre o Instituto Rua, também idealizado por Bretas, e a produtora Visionart’z, o evento - até para compensar a última edição, marcada pela pintura de painéis em Wynwood Walls (em Miami) - ocupa agora os dois imensos galpões do antigo armazém ferroviário, além de uma área externa de 7,5 mil metros quadrados. Exagero? Não para comportar um público esperado de 10 mil pessoas.

O artista Marcelo Ment durante a produção de seu painel.
Imagem: Henrique Madeira/Divulgação
A grandiosidade do ArtRua, no entanto, não se refere somente às dimensões, mas também às inovações, como duas noites de festas (de R$ 60 a R$ 80) e o chamado Palco Jardim, que trará atrações musicais como Opala e Shibatonics ao longo de todo os dias. Em meio ao colorido dos painéis, ainda haverá um ciclo de debates sobre o Mercado da Arte (quinta) e a Revitalização Urbana (sexta), os principais motes do evento. A instalação "A casa, a carga e o vento", de Felipe Bardy, que também assina a cenografia “ecológica” do evento, e uma exposição sobre a história do Instituto Rua, montada pelo fotografo Henrique Madeira em um dos vagões esquecidos no armazém, também são destaques desta edição, que ainda terá: uma galeria para facilitar o contato entre compradores e artistas, oficinas para crianças e, é claro , uma “lojinha pós-museu”.

Painel feito pelo artista carioca Gais Ama.
Imagem: Henrique Madeira/Divulgação
Além das atrações dentro do espaço, o chamado Wall Projects, uma espécie de “museu a céu aberto”, ainda espalha diversos painéis pelos arredores da Gamboa e do morro da Providência, situado em frente aos galpões. Neste caso, a ideia é criar roteiros inspirados em cidades como Buenos Aires, onde os passeios turísticos pelos grafites fazem parte da programação cultural da cidade. Já em relação aos artistas presentes, uma verdadeira nata entre nomes de destaque, revelações em ascensão e pratas da casa, o ArtRua se mostra inquestionável, principalmente pela variedade das obras produzidas. Cada um defende seu próprio estilo, mas a genialidade aparece como algo em comum e, mesmo com muitos de fora, o resultado é para lá de surpreendente. Tem até um imenso Cristo Redentor feito em caixas de papelão.

Detalhe de parte do painel do artista: Carlos "ACME" Esquivel
Imagem: Henrique Madeira/Divulgação
“Já fiz várias coisas ligadas à reciclagem em São Paulo e essa era a chance de trazer minha mensagem para cá. Estive aqui na época da Rio+20 com o Pimp My Carroça. Mas, agora, a cidade está fervendo, o clima de  protesto está no ar e eu não poderia ficar apenas no mural e na venda de quadro. Tem muita coisa acontecendo por aí. Aqui, na verdade, eu uso um simbolo do Rio para falar de outros problemas”, apontou Tiago “Mundano”, um dos mais de 50 artistas presentes no evento, sem falar no pessoal do apoio, da manutenção e nos responsáveis pela coordenação. “Rios de corrupção”, diz a frase estampada no peito do cristo “ papo reto” de Mundano.

Intervenção realizada no Morro da Providência.
Imagem: Henrique Madeira/Divulgação.
Ao todo, entre 22 painéis e outras intervenções, o público poderá conferir de perto o trabalho por artistas como Carlos “ACME” Esquivel, “Bruno Big”, “SWK” Panmela “Anarkia” Castro,  João “Lelo”, Wesley “Combone”, Márcio “Bunys”, Carlos “Bobi”, Marcelo “Ment”, Thiago “Tarm”, Tomaz “Toz”, “Gais Ama”, “AKN” (SP), “Flip” (SP), “Sliks” (SP), “Binho” (SP), “Minhau (SP)”, “Chivitz (SP)”, “Nilo Zack” (MG) e “Selon” (GO), entre outros. “Nos surpreendemos muito com os painéis do “Bragga” (RJ) e do “Grupo Acidum”, formado por um casal de Fortaleza. Isso sem falar na participação dos franceses do 123 Klan (Carole Boudart e Sebastien Jacob) e dos australianos do Dabs Mayla (Darren Mate e  Emmelene Victoria).”, completou o idealizador sem esconder a alegria pelo nível das obras presentes no evento. “Só vendo de perto”, finalizou.

Confira a programação completa do ArtRua.

Lembra da primeira edição? (aqui)

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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

#90

Pra Iaiá: o bloco dos Los Hermanos

Na onda dos chamados “blocos temáticos”, novo fenômeno do carnaval carioca, o Pra Iaiá entra em cena para resgatar a sonoridade do saudoso quarteto e reunir seus "fãs-liões". Eles voltaram!!!

Embora a notícia sobre a criação do chamado New Kids on the Bloco tenha causado espanto até nos mais animados dos carnavalescos, um bloco de carnaval com base nas músicas da principal boy band dos anos 80 - fato que soa estranho de qualquer forma - só comprova o sucesso do modelo carnavalesco como plataforma, principalmente por abrir espaço aos novos artistas e propostas a partir da grande exposição alcançada na festa do adeus à carne. Neste contexto de renovação das clássicas e cansadas marchinhas, além da peculiar extravagância citada, a grande novidade do carnaval 2014 deverá ser mesmo o Bloco Pra Iaiá, composto exclusivamente por fãs e ex-músicos dos Los Hermanos. Sob a referência da música “Retrato Pra Iaiá”, a terceira do apropriado álbum “Bloco do Eu Sozinho” (2001), a ideia veio à tona ainda em 2010, diante da grande explosão do bloco Sargento Pimenta (dedicado aos Beatles), mas só agora virou realidade. São 16 músicos e três mestres de bateria/arranjadores, que, por sinal, darão início a preparação do esperado desfile já em outubro. Mas, enquanto o corre de eventuais patrocinadores é feito, os ‘fãs-liões’ já podem celebrar: os barbas voltaram!!!


O fenômeno dos “blocos covers ou temáticos” no carnaval carioca, além de abrir espaço e esticar a bagunça ao longo de todo ano com shows para custear o desfile e a própria banda, também está ligado à própria transformação (micaretização) do carnaval de rua do Rio, que a cada ano registra novos blocos e recordes de público. “Um bloco que toca somente músicas de um determinado artista é chamado de ‘bloco temático’, e Pra Iaiá, Toca Raul, Mulheres de Chico, Exalta Rei e Sargento Pimenta são alguns exemplos. O carnaval carioca vive uma retomada histórica de alguns anos para cá. Mas, sem dúvida, o Monobloco foi um dos grandes responsáveis por esta guinada, ao trazer para o carnaval músicas consagradas de vários artistas”, aponta Rodrigo Ferraz, produtor e instrumentista do grupo ao buscar uma justificativa mais palpável. “Os blocos se renovaram e, consequentemente, o carnaval de rua também. As pessoas que não gostavam de samba ou marchinhas começaram a ver uma nova possibilidade dentro desse novo cenário”, completa.


Ao contrário dos demais novos blocos, que optam por seguir a tradição de longos carnavais ou se criam a partir de um trocadilho chamativo – como o Largo do Machado, Mas Não Largo do Copo -, os blocos temáticos possuem a vantagem de reunir os foliões em nome de algo em comum, seja a banda favorita ou até mesmo a profissão, caso do Me Beija Que Eu Sou Cineasta. “O primeiro bloco temático do carnaval carioca foi o Mulheres de Chico e, a partir daí, as pessoas começaram a ver que realmente poderia ser muito divertido criar blocos temáticos e unir duas paixões (carnaval e músicas de determinado artista)”, defendem os integrantes do bloco. “Grande parte do Bloco Pra Iaiá é fã incondicional de Los Hermanos desde o primeiro disco lançado em 1999. Adaptar essas músicas que escutamos por 14 anos e que marcaram nossas vidas para um bloco de carnaval, nossa outra grande paixão, é algo fantástico”, alega Ferraz.


“Os blocos temáticos são na verdade uma grande homenagem. Em muitos casos, assim como ocorre com o Los Hermanos, por exemplo, a banda já acabou e deixou saudades para os fãs. O bloco de alguma maneira mata essa saudade e faz com que as pessoas possam reviver um pouco aquelas músicas passadas, enquanto o carnaval faz essa história ficar ainda mais lúdica com fantasias, estandartes, confetes e serpentina”, ressalta o músico. Neste aspecto, se os “covers” possuem certa vantagem, o Pra Iaiá está um passo a frente, tendo em vista que os próprios integrantes do quarteto costumam reunir o público para reviver suas canções, como ocorreu recentemente com o show Ventura, no qual o baterista Rodrigo Barba juntou uma galera para tocar o disco mencionado. Aliás, o próprio Pra Iaiá conta com músicos que tocavam com o Los Hermanos, caso de Bubu do trompete e do trombonista Pimenta. Isso sem falar na própria essência carnavalesca do quarteto carioca, que, por si só, já seria capaz de justificar a criação de bloco.


No entanto, para quem acha que criar um bloco se resume em convocar os amigos e escolher o artista homenageado, a história se mostra um pouco mais complexa, mas nada capaz de desanimar também. Trata-se de carnaval.  “A primeira coisa que fizemos assim que decidimos colocar a ideia do bloco em prática foi pedir autorização dos responsáveis. Jamais começaríamos sem autorização. Explicamos sobre o projeto do bloco, apresentamos o atual cenário do carnaval carioca e dos blocos temáticos. Pesquisamos informações com blocos amigos e repassamos todos esses procedimentos aos empresários da banda. Este trabalho é muito especial”, defende o dono de um dos surdos do bloco. “Estamos dando cada passo de uma vez e com muito carinho e cuidado. Sabemos que temos uma grande responsabilidade, já que os fãs de Los Hermanos são muito exigentes. Estamos trabalhando duro para que tudo fique muito bonito”, finaliza Ferraz.

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Segue a lista completa dos integrantes:
Alexandre Tanaka – Voz/guitarra
Pedro Buarque – Voz/guitarra
Gabriela Pasche – Voz
Rodrigo Grisalho Ramos – baixo
Thiago Afonso – cavaco
Eduardo Vilela – Repique
Rafael Ferraz – Caixa
Angelo Gagliardi – caixa
Luiza Ribeiro – Tamborim
Lucas Torres – Tamborim/agudos
Ana letícia Magalhães – ganzá/xequerê
Ayama Prado – Surdo
Rodrigo Ferraz – Surdo
Breno Lopes – Surdo
Bubu – Trompete
Pimenta – Trombone
Mestres e arranjadores
Thiago Vichi
Letícia Salgueiro
Fernando Jacutinga

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quarta-feira, 21 de agosto de 2013

#89

Festlip: oito países e um único idioma

Com intenção de estreitar os laços entre os países lusófonos, o festival teatral esmiúça realidades e culturas diferentes, mas fala a mesma língua. Imperdível e sem legendas... confere aí!!!  

Diferenças culturais, realidades contrastantes e um único idioma. O que parece ser a receita para uma grande revolução, na verdade, nada mais é que o ponto de partida do Festival Internacional de Teatro da Língua Portuguesa (Festlip), que, sob os cuidados da atriz e produtora Tânia Pires, abriu sua quinta edição em terras cariocas nesta quarta-feira (21/08) com o espetáculo Amêsa, estrelada pela atriz Heloisa Jorge, nascida em Angola e radicada na Bahia. Além da peça citada, que aborda a recente e sangrenta guerra civil angolana (1975-2002) a partir das memórias da própria personagem e da poesia de José Mena Abrantes, o festival lusófono apresentará outras seis montagens vindas de Angola (Luanary, do grupo Dadaismo, e O Cego e O Paralítico, do Elinga Teatro), Moçambique (Cinzas Sobre as Mãos, do S’narte e Lareira Artes), Portugal (Cromotografia, do Teatro de Garagem), Cabo Verbe (Esquizofrenia, do Craq’otchod) e, inclusive, de São Paulo (As Desgraçadas, da Cia. Auroras - foto abaixo).

A atriz Mariana Leme, no centro, fala sobre a participação
 da Cia. Auroras no Festlip 2013. Confira a entrevista abaixo.
Embora Guiné-Bissau, Timor Leste e São Tomé e Príncipe não estejam em cena, todos os oito países da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP) entram na programação, se não nos palcos, nas palestras, oficinas e mostras, como a fotográfica "De Timor Leste a Portugal: um olhar brasileiro", do iluminador cênico e fotógrafo Valmyr Ferreira, e a gastronômica “O Tempero da Língua Portuguesa”, na qual o chef Ronaldo Cunha apresenta pratos inspirados na culinária dos oito países no restaurante Quadrucci (no Leblon). Assim como nas edições anteriores e para coroar esse encontro em grande estilo, o festival internacional de um único idioma ainda apresentará uma grande festa nesta sexta-feira, o chamado FestlipShow, que será realizado no Casarão Ameno Rasendá, no Catete, enquanto o som ficará por conta do DJ Mam, Vivianne Tosto (canta Clara Nunes) e o angolano Abel Duerê.

A atriz Mariana Leme, integrante da citada Cia. Auroras e uma das protagonistas da peça As Desgraçadas, falou com o Ctrl+Alt+RIO sobre o trabalho desenvolvido pelo grupo, a montagem em questão e, é claro, sobre a participação no Festlip. Confira a entrevista abaixo:

- Como surgiu o convite para participarem do Festlip? E como se sentem representando o teatro brasileiro no festival?

A Giu Rocha, atriz e integrante da Cia. Auroras, atuou no Festlip em 2010 com um espetáculo da Cia. Antro Exposto. Ela que nos deu a dica de que o festival de teatro da Língua Portuguesa era muito bacana. Assim, resolvemos inscrever a peça As Desgraçadas no edital; fomos selecionadas para a edição de 2012, que acabou não acontecendo, e o convite foi reafirmado para este ano de 2013.

Representar o Brasil no Festival é uma honra para a Cia. Auroras. Fazer teatro e falar de arte é de imensa responsabilidade. Nossa Cia. é formada por jovens artistas com sede de conhecimento, e mostrar uma dramaturgia contemporânea, divertida e com sutileza de detalhes nos traz um prazer imenso.

- O que teria a falar sobre essa parceria da companhia com Felipe Sant’Angelo? Já trabalharam com ele antes?  
O Felipe Sant`Angelo é um dramaturgo que colabora demais com o trabalho da Cia. Auroras. Ele é responsável por outras adaptações da Cia. Nesta montagem ele é peça fundamental, pois nos inspiramos na peça As Criadas do Jean Genet para elaborar o espetáculo inédito que nos representa.

- O que destacaria dentro da trama de As Desgraçadas? Há alguma mensagem por trás da trama, algo além da desilusão através da figura feminina?

Sim. A peça trata do universo feminino, mas, para além disso, critica as relações de poder, valores morais e éticos, enfim, a estrutura contemporânea familiar e trabalhista.

- A Cia. Auroras é composta por quem atualmente? Após seis anos de casa (com você nesta formação), como analisa o atual momento da companhia?

A Cia. Auroras é formada por quatro atrizes: Rita Batata, Giu Rocha, Mariana Leme e Beatriz Morelli, que, por sinal, assina sua primeira direção nesta peça. Este é um momento muito importante na carreira da Cia., onde nos firmamos como artistas e exploramos o intercâmbio com outras artes.

- E o que podemos esperar num futuro em breve... há novidades à vista? Quais são os planos para depois do Festlip?

Seguimos em cartaz no Teatro Cacilda Becker em São Paulo até o dia 25 de agosto e também estamos produzindo nossa próxima peça, que será um infantil. Quem sabe após o Festlip possa sair alguma parceria com algum grupo internacional.

Festlip – de 21 a 30 de agosto.
Confira a programação e os preços aqui. 

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quinta-feira, 15 de agosto de 2013

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RapNacional.com: você na Cruzada

Há meses na ativa e com algumas memoráveis edições já realizadas, todas sem nenhum tipo de contratempo registrado, o evento “RapNacional.com Cruzada”, que ocorre todas as sextas-feiras (das 19h às 23h) na Cruzada São Sebastião - o até então restrito conjunto habitacional situado nos fundos do shopping Leblon -, apresenta a comunidade aos mais curiosos e, de quebra, transforma o clima do local ao abrir espaço a novos nomes do rap "nacional carioca". Neste caso, dispensada a suposta política de pacificação das UPP´s, a cultura é o que salva. Aliás, um salve aos valentes da Cruzada, simbora fazer a festa!!!


Em uma parceria com o pessoal da banda Biltre, que também deverá se apresentar nas próximas semanas,  sob o som pesadão do BananoBike e com Tchelo Valentim no comando dos “mics”, o projeto, além do rap, do funk e da dança – com o famoso passinho da moçada -, também passará a trabalhar com teatro, poesia e outros ritmos muito em breve. Mas, para isso se tornar realidade de fato, sua participação é, no mínimo, fundamental; que tal fortalecer o elo da corrente e levar sua contribuição ao conjunto? A comunidade está aberta... só chegar sem medo de ser (ou fazer alguém) feliz.    

Serviço:
RapNacional.com Cruzada

Local: Cruzada São Sebastião - Leblon (na rua)
Horário: 19h às 23h Entrada: Gratuita
Classificação indicativa: Livre

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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

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“Agenor”: um resgate ao Lado B de Cazuza

Na contramão das conhecidas “O Tempo não para”, “Brasil”, “Pro Dia Nascer Feliz”, “Bete Balanço”, “Codinome Beija-Flor”, “Ideologia” e “Vida Louca Vida”, entre outras que marcaram a discografia do autor, a coletânea “Agenor - Canções de Cazuza” - título que se refere ao nome de registro do poeta, Agenor de Miranda Araújo Neto - se debruça sobre as canções esquecidas e letras cruas do chamado lado B do artista para reapresentá-las sob o nada previsível olhar da nova geração, representada através de um seleto misto de músicos e bandas, como Silva, Mombojó, Catarina Dee Jah, Letuce, Do Amor, Qinho, Kassin, Momo e por ai vai. Para aqueles que acham que já conhecem o ídolo ou ficaram curioso em conferir essas releituras atualizadas e experimentais, o disco está disponível para download no site do projeto e também no soundcloud. É ouvir e se surpreender. Viva Cazuza!


Para elaboração do projeto, que basicamente segue os mesmos moldes dos anteriores tributos elaborados em nome de Marina Lima, Péricles Cavalcanti e Angela Ro Ro – com o elogiado “Coitadinha Bem Feito”, por exemplo -, o DJ Zé Pedro, dono do selo Joia Moderna e idealizador da coletânea, apresentou três canções para cada um dos 17 selecionados (a maioria do Rio), que escolhiam apenas uma para adentrarem com total liberdade ao universo obscuro de Cazuza. Aliás, a proposta do álbum, que conta com curadoria de Lorena Calabria e uma capa nada convencional assinada por Omar Salomão - com o desenho de um inseto e o ícone como “vespídeo solitário, temido pela terrível ferroada” -, era justamente fazer com que os artistas se apropriassem da faixa escolhida para experimentar, imprimir impressões e torná-las inéditas, sendo reconhecíveis ou não ao rock nacional dos anos 80. O importante, neste aspecto, era (re)aproximar a vasta obra de Cazuza para que aqueles que ainda eram crianças quando o artista partiu em 1990. Ou seja, “Agenor” revive o poeta em seu lado visceral e, até então, escondido, o carioca além do “vida louca”.

Abaixo, confira a lista completas dos artistas:  

Botika - Ritual
Bruno Cosentino - Inocência Do Prazer
Brunno Monteiro - Nunca Sofri Por Amor
Catarina Dee Jah - Largado no Mundo
China - Culpa de Estimação
Do Amor - Gatinha de Rua
Domenico Lancellotti - Vingança Boba
Felipe Cordeiro - Tapas na Cara
Kassin - Doralinda
Letuce - Não Amo Ninguém
Mariano Marovatto - Incapacidade de Amar
Mombojó - Vem Comigo
MoMo - Blues do Iniciante
Qinho - Sorte e Azar
Silva - Mais Feliz
Tono - Amor, Amor
Wado - Down em Mim


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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

#88

Allan Sieber: três cores e um novo desafio

Perto de completar 20 anos de carreira, o quadrinhista gaúcho se distancia das tiras e cartuns para dar forma a uma nova exposição: “Racionamento de cores”. Confira a entrevista...

Reconhecido por seu humor sarcástico, pela premiada animação “Deus é Pai” e inúmeras tirinhas geniais – como “Bifaland, A Cidade Maldita”, “Vida de Estagiário”, “Preto no Branco” e “The Mommy's Boys”, entre outras -, o quadrinhista Allan Sieber, prestes a celebrar 20 anos de carreira, resolveu se desafiar e buscar novos ares em uma nova exposição, intitulada “Racionamento de cores”, em cartaz desde a última semana na loja e galeria La Cucaracha (também dedicada ao universo das histórias em quadrinhos). O curioso desta mostra é que, ao contrariar a lógica, o artista gaúcho decidiu se distanciar das tiras e cartuns para explorar apenas três cores primárias (vermelho, azul e amarelo), com as quais elaborou 13 desenhos inéditos, de 40cm x 28cm, feitos em aquarela e pastel oleoso. O resultado é surpreendente, e a mostra, por sua vez, imperdível. No entanto, antes de se apressar em visitar o aconchegante espaço, saiba um pouco mais sobre o que quadrinhista tem a dizer sobre esse racionamento de cores e, inclusive, sobre a realidade ainda desanimadora da animação nacional.

O quadrinhista gaúcho Allan Sieber. Imagem: Folha de SP.

1. Primeiramente, como surgiu a ideia (ou convite) de montar essa exposição tão inusitada na La Cucaracha?

 - Eu queria fazer algo que não envolvesse só humor ou dependesse do humor. Na verdade, meu humor está cada dia mais combalido. Propus para Matias Mad Maxxx, o dono da La Cucaracha e amigo de longa data, e ele topou.

2. De onde veio a necessidade de trabalhar com esse chamado “racionamento de cores” e porque, acredito que pela primeira vez, optou por não usar tiras e cartuns na exposição?

 - Gosto de trabalhar com limites. Me impor algumas limitações e ver o que sai trabalhando dentro disso. Tiras e cartuns terão vez numa grande exposição para o ano que vem, por conta dos meus 20 anos de carreira.


3. Há algum objetivo ou influência mais palpável para essa mudança de horizonte, como se estivesse saindo da suposta zona de conforto?

- O desenho mais selvagem e uma vontade de sair disso, do cartum e da tira. Tem uma hora que enche o saco. Como já bem vaticinou o bardo Wander Wildner, “eu não consigo ser alegre o tempo inteiro”.

4. Ao observar as ilustrações da mostra, me chamou atenção a relação entre figuras e escritas. Poderia falar mais a respeito, de onde veio isso? – como  Pogo! e Alfaro (que tem até um nariz do Eteimoso mesmo, rs.)

 - É algo que sempre esteve presente no meu trabalho: a tipografia. Adoro desenhar letras e tipos. Posso dizer até que é uma das coisas que acho fácil fazer e me dão mais prazer, brincar com letras.


5. Além desta exposição, o que anda aprontando ultimamente? Alguma novidade saindo do forno da Toscographics? O retorno da Tosco TV poderia ser uma delas?

 - Terminei o piloto da série “Mar de Paixão”, uma espécie de novelona mexicana em animação. Coisa da cabeça de André Dahmer e Arnaldo Branco. Adoraria voltar com o Tosco TV, mas, aparentemente, foi um projeto muito ousado: animação adulta no Brasil.

6. Dentro de uma realidade adversa, mas com inúmeros talentos, o que falta para os quadrinhos (não infantis) serem mais reconhecidos e, é claro, valorizados (não somente no Brasil)?

 - Dificil isso. Talvez nunca aconteça. Não me pergunte porque, mas acho difícil os quadrinhos serem respeitados como a literatura ou a música, por exemplo. Também tem muito quadrinista burro. Isso deve ajudar.


7. Acredita que isso virá a ser uma realidade ou o jeito é migrar para o cinema mesmo? Porque os quadrinhos parecem estar restritos à resistência (da essência marginal)?

- Não, infelizmente quadrinho não vende bem em lugar algum, com excessão de França e Belgica. Estamos falando de quadrinhos adulto, não de super-herói, mangá ou infantil. Daniel Clowes, por exemplo, talvez o maior quadrinista da atualidade, vende pouquissimo. Acho que ele só chegou a ver uma grana decente com a adaptação dos álbuns dele para o cinema. A própria Fantagraphics, a maior e mais legal editora do mundo, está sempre para fechar as portas. As pessoas não levam quadrinho muito á sério talvez por culpa dos proprios quadrinistas, que, em grande parte das vezes, ADORAM cultivar uma aura miserenta. Tomar cerveja quente em copo de plástico, esse tipo de merda.

8. Para finalizar, mais por curiosidade, ainda se sente um gaúcho depois de mais de anos comendo joelho e tomando “refresssco de caju”? Como foi se adaptar ao Rio e ao estilo de vida do Rio?

 - Fiquei dois meses sem sair de casa assim que me mudei. Mas, depois passou. Hoje, eu acho até normal ouvir DEMORÔ FORRMÁ. O João Gordo que fala que sotaque de carioca é sotaque de ladrão, hahaha.

“Racionamento de cores”. La Cucaracha
Rua Rua Teixeira de Melo, 31H. Ipanema.
Visitação: das 11h até 21h. Grátis.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

#87

Fluxo: um novo movimento à vista

Simbolizando toda efervescência da atual fase da cena eletrônica carioca, o agito da vez convoca os mais dispostos para um dançante pós-praia aos domingos no  Cantagalo. Fala aí, Deperon... 

Em um momento em que os amantes das pistas se encontram eufóricos com tamanha efervescência da cena underground carioca, que colhe os frutos do tão cantado “amadurecimento” - com o lançamento do selo Fosfobox Records, o canal da Brainwaxtv, a (re)abertura dos clubs Cave (ex-0n11) e La Paz e a constante aparição de artistas internacionais, revelações locais e novos projetos, para não entrar em mais detalhes -, uma festa chega para resumir essa nova realidade em uma só palavra: Fluxo. Idealizado pelo produtor Fernando Deperon, o mesmo da Me Gusta e Mescla, e pelo DJ David Skullb, o agito da vez se mostra, no mínimo, surpreendente, tanto pelo preço e local quanto pela data e escolha dos DJs. A prova disso é que a festa será realizada aos domingos no alto do Cantagalo (bar Gilda) e, o melhor, a R$ 15, enquanto a primeira edição, como um aperitivo do que virá pela frente, será realizada no domingo (01/09) e contará com a sonoridade de Skullb, Brazilian Wax (Pedro Piu),  Nepal e o paulistano Marcello VOR, que anda pela cidade com seu projeto Break A Leg, uma parceria com Dani Souto. Essa é para todos fluírem na mesma corrente e, como diz o próprio produtor, começarem a semana no astral.


“Estava pensando em criar algo ‘outdoor’ há muito tempo, justamente para tentar explorar mais a energia contida fora dos clubs. Posteriormente, junto com David Skullb, fui ver uma locação na Barra, a qual não se mostrou muito interessante. Depois ele veio com essa história do bar Gilda. Quando fomos lá e pude ver o visual e a vista do local, eu desacreditei. Nunca vi nada assim na minha vida”, descreve Deperon sem esconder a alegria de proporcionar o que classificou como “evento do bem”. Isso porque, além das inovações citadas, a festa ainda traz a preocupação de apresentar um novo ponto de vista da cidade à comunidade local e vice-versa. “A Fluxo é um movimento que não pára, que serve para conectar pessoas e música. O preço mais acessível é para dar oportunidade de todos entrarem igualmente. Estamos entrando no território deles, nada mais justo”, completa o produtor, que também faz questão de ressaltar que a festa chegará com uma proposta sonora mais groove, mais soul e funkeada, ou seja, sem pancadão. “Se chegasse com uma technera por lá, a galera iria pirar”, brinca o produtor carioca.


A nova festa do alto do Cantagalo, que a princípio está programada para ocorrer das 16h às 22h, carrega toda energia carioca do pós-praia, no maior bermudão e chileno mesmo. A informalidade defendida, no entanto, não está ligada à falta de qualidade no serviço e atendimento, mas sim ao estado de espírito leve e ao conforto... coisas do Rio de Janeiro. A própria escolha da domingueira e do local, restrito a aproximadamente 120 pessoas, reflete essa preocupação do projeto, assim como a ausência de um DJ residente. Em relação ao fato da festa ocorrer no alto do morro, assim como no Vidigal e em outras comunidades, o produtor, além de não ver problema, exalta que essa característica se adapta perfeitamente a proposta da Fluxo. “Antigamente, o público tinha certo receio em subir o morro, e mais por conta da falta de oportunidade. Essa é uma chance das pessoas conhecerem um pouco mais a cidade e a valorizar o que temos, um novo local a ser descoberto”, aponta Deperon, que ainda reforça a receita: “Quero ver todo mundo curtindo o evento e aquele visual incrível da laje, com direito a um por do sol deitado em espreguiçadeiras e numa relax total”.  Seguir o fluxo, neste caso, não há problema; o pós-praia do domingo está garantido.

Bar Gilda - Cantagalo 
Entrada: R$15,00

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quinta-feira, 8 de agosto de 2013

#86

Rael lança novo álbum no Circo Voador 

Em entrevista ao Ctrl+Alt+RIO, o rapper paulistano fala sobre o lançamento do segundo álbum solo e o esperado show no Circo, que ocorre neste sábado (10/08). É na The Groov!!! 

Com mais de dez anos de rap e um novo trabalho de peso na bagagem, o paulistano Israel dos Reis - o Rael, ex-da Rima - desembarca em terras cariocas neste sábado para realizar seu primeiro e esperado show no Circo Voador, o qual marca o lançamento de seu segundo álbum autoral solo, o elogiado “Ainda Bem Que Eu Segui as Batidas do Meu Coração”, e aparece como a principal atração da festa The Groov, que, voltada à multiplicidade da música negra, também apresentará os DJs Saraiva e Ambassodors (com Luana Karoo), além da cantora baiana Larissa Luz. Lançado de maneira independente pelo Laboratório Fantasma - o selo do Emicida - e com produção assinada pelos americanos Beatnick & K Salaam, o disco em questão chega para legitimar de vez a caminhada do rapper e, inclusive, o situar entre os expoentes da nova e sua geração – como os amigos de batalha Criolo e Emicida. Embora esses itens não cheguem a ser prioridades, mas consequência de uma caminhada feita com verdade e "devagarinho", Rael sabe que sua hora chegou e, até por isso, optou por se desprender do vulgo “da Rima” para melhor correr e soltar a voz, literalmente. Se o primeiro é inesquecível, imagina no Circo... é chegar e conferir de perto.


“Eu acho que o ‘da Rima’ passava uma falsa impressão de que sou um baita rimador, quando tem gente rimando muito mais do que eu por aí. Isso se reflete bem no segundo disco, no qual eu venho cantando mais. Às vezes, em programas de rádio e TV, também me pediam para fazer um freestyle, o que não é a minha praia. Ser só Rael acho que me liberta um pouco mais nesse sentido”, justifica o artista, que, no entanto, faz questão de explicar que essa mudança não possui ligação com uma suposta troca de estilo. O fato é que se o anterior “MP3 – Música Popular do 3º Mundo”, produzido sozinho e lançado em 2010, já era marcado por uma rica mistura de ritmos, esse novo se supera em melodias e vai além. “Eu sempre flertei com outros gêneros, sempre agreguei outros estilos ao rap. Eu amo o rap, estou pelo rap sempre, até o fim, mas isso não me impede de beber em outras fontes, né?”, indaga Rael, que completa: “Isso resume o que sou. Sempre ouvi outras coisas em casa, influenciado pelo gosto dos meus pais: Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Agepê. Minha música reflete minha verdade, que é essa de várias influências”.


Para o rapper paulistano, independente desta ser a nova cara do rap ou não, os artistas estão mais dispostos a experimentar, por conta do “bombardeio” de informações vindo de todos os lados e também pela facilidade em descobrir coisas novas. “Eu busco mostrar que o rap também é música, também pode, merece e deve ser respeitado como música brasileira”, explica Rael, que, para dar vida ao segundo trabalho solo, foi desde o afrobeat de Fela Kuti até o pagode do Sensação, mas sem deixar de ser rap. Além da curiosa mistura sonora defendida, o rapper, tido como um dos artífices da fusão do gênero com o reggae, também conta com consideráveis participações, caso do próprio Emicida, Mariana Aydar, Paulo M.Sário e MC Periclão, como ele mesmo convoca o Péricles (do Exaltasamba) na clássica faixa Oya. “Eu sou fã de samba e sempre fui. Desde o início pensei em usar alguma regravação de samba no disco. O Emicida é um parceiro constante, mas sempre fizemos coisas nos trabalhos dele. Quando o Péricles aceitou nosso convite e superamos a burocracia para conseguir a liberação para gravar a música, eu queria que nossa versão fosse especial, que tivesse uma rima. Sabia que o Emicida ficaria à vontade ali”.


Uma das cinco pontas do reconhecido grupo Pentágono, com quem lançou três discos, Rael se afastou do quinteto no último ano para se dedicar à caminhada solo e, com a confiança adquirida no álbum de estreia, fez por merecer o que muitos que como ele - vindo do Jardim Iporanga, às margens da represa Guarapiranga da zona sul paulistana - não conseguem obter: suporte e estrutura. Aí, foi só ouvir as batidas de seu coração... “No primeiro disco fiz tudo sozinho, não saiu pelo Laboratório. Desta vez, eu tive muito mais estrutura para trabalhar em todos os sentidos, do estúdio até a questão da burocracia mesmo, que, por sinal, é importantíssima. Também foi muito bom poder trocar impressões com o Emicida sobre o que eu estava fazendo”, revela Rael, que completa: “Faz bastante diferença ter alguém lapidando, melhorando suas ideias ou, até mesmo, dizendo que elas não são boas. Pensar de forma coletiva ajuda muito, deixa a gente mais livre e mais leve para o trabalho como um todo”. O álbum da vez se encontra à venda e disponível para download, mas, na real, o bom mesmo é o show. “Eu já toquei no Circo, mas nunca com um show meu. Eu gosto muito de tocar no Rio e essa vai ser a primeira vez com minha banda. O público é um dos que mais pede show, interage comigo nas redes sociais e parece ter curtido o disco... Eu estou muito animado e tenho certeza de que o baile vai ser f*”, finaliza.

Circo Voador – The Groov
Rua dos Arcos, s/n. Lapa.
Ingressos: De R$ 30 a R$ 80.

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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

#85

Contemporâneo: em exposição à memoria

Sob curadoria de Leo Sales, a mostra “Caminho Velho Novo Caminho” reúne nove artistas no hostel recém-inaugurado em Botafogo. Vai ter show do Airá com violoncelistas e tudo mais...

Com uma proposta ligada à própria história do Contemporâneo, um hostel projetado pelo artista plástico e arquiteto Alessandro Sartore em um casarão de 1904 situado em Botafogo, o artista carioca Leo Sales volta a ocupar o local a partir desta sexta-feira (09/08) com a exposição “Caminho Velho: Novo Caminho”. Diferente da ocasião anterior, quando apresentou a sua segunda individual na galeria do espaço - a Wall - , Leo reúne agora uma verdadeira seleção de artistas para ocupar todo o prédio. “Em maio deste ano, eu fiz uma exposição individual lá e surgiu o convite para assumir a curadoria do espaço. Elizabeth Agra, dona do hostel, me convidou com a proposta de convidar jovens artistas, que, assim como eu, vieram da escola de artes da UERJ e do Parque Lage. Então, no encerramento da minha 'expo', fizemos um happening no qual cada um dos nove artistas fizeram uma performance do tipo ‘open studio’”, revela Leo ao falar sobre a ideia inicial da exposição, que, por sinal, traz trabalhos de André Coutinho, Castor de Assunção, Ingrid Bittar, Leandra Lambert, Luiz Rocha, Tahian Bhering, Thaís Basílio, Thiago Antonio e Renan Monteiro.


De acordo com Leo Sales, que, além da dedicação plena às arte visuais, também é formado em jornalismo, os artistas tiveram bastante liberdade para trabalhar, tendo em vista que todos foram selecionados a partir de indicações e da própria proximidade com o curador. “Nós não partimos de um tema e pedimos (simplesmente) para os artistas criarem. A partir de sucessivas reuniões chegamos à conclusão que a memória poderia ser um dos caminhos que indicavam a compreensão dos trabalhos dos artistas. Então resolvemos fazer algo que dialogasse com o passado, com a história de botafogo e a história do hostel, que já foi um casarão do século XIX”, aponta Leo, que, apesar de reconhecer que não houve convocatórias para esta exposição, faz questão de exaltar que essa possibilidade não estará descartadas para as próximas mostras do local. Ou seja, a Galeria Wall do Contemporâneo Hostel continuará aberta para receber as jovens promessas da cena carioca. “Provavelmente, essa parceria deverá continuar, sempre com o foco em dar oportunidades para novos talentos mostrarem seus trabalhos em artes visuais”, completa.


Embora a memória apareça como um universo comum a todas as obras, a ideia da exposição é justamente extrapolar os padrões e, inclusive, quebrar as barreiras do espaço expositivo. Neste caso, ao contrário de estabelecer certa limitação, o conceito criado em torno da proposta de cada artista aparece como um desafio capaz de estimular ainda mais os nomes envolvidos. “Queremos ocupar todo o espaço do hostel com desenhos, pinturas, vídeos, instalações, colagens, etc. Então, vai ter obra nos quartos, nos banheiros, nos corredores e etc... A produção é bem diversificada. Vão desde as pinturas eróticas em tela do Luiz Rocha até as colagens intimistas da Britta (Ingrid Bittar), passando pelas correspondências afetivas de Thais Basilio e pelas pinturas urbanas em móveis antigos de André Coutinho”, explica Leo Sales. Para completar, na noite de abertura, violoncelistas noruegueses farão uma performance instrumental com releitura de músicas pop ao lado do MC grafiteiro Aira' Ocrespo. A apresentação em questão integra o calendário da 19º edição do festival Rio International Cello Encounter e possui curadoria de Carolina Chew, enquanto a festa, que rola na sequência, fica por conta do DJ Sean Diss. O casarão ficará pequeno, mas ninguém vai querer ficar de fora.


Hostel Contemporâneo
Rua Bambina, 158. Botafogo.
A partir de 09/08.


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sábado, 3 de agosto de 2013

#84

Rafael Uzai: Arte à vista!!!

Intitulada "Navegando em Terra Firme", a primeira e esperada individual do artista carioca será aberta ao público a partir deste sábado (03/08) na galeria Homegrown. É só chegar...   

"Explorar tudo que existe dentro da atmosfera do planeta e usufruir de forma equilibrada os bens que a natureza nos proporcionou". É com essas palavras que o artista carioca Rafael Uzai nos resume o significado de “Navegando em Terra Firme”, expressão que se remete a fusão entre os elementos e dá nome a sua primeira e esperada individual, em cartaz a partir deste sábado (03/08) na loja-galeria Homegrown. Usando a madeira como principal matéria para dar forma a essa "viagem" e tendo o mar, as montanhas recheadas de arvores e o próprio Rio como inspiração, Rafa mergulha céu adentro para nos apresentar um trabalho sólido e, ao mesmo tempo, surpreendente, cujo objetivo das imagens é enfatizar a simplicidade e o rústico dentro disso tudo, enquanto a riqueza, neste caso, parece estar mais ligada à leveza de espirito... Se navegar é preciso, apareça lá para conferir!!!



Apesar de ter iniciado sua trajetória no universo artístico com o graffiti ainda aos 14 anos – até por influência do irmão mais velho, o também artista Léo Uzai -, Rafael não teve pressa em trabalhar em cima de sua primeira exposição, ao contrário, preferiu ter calma e deixar as coisas fluírem naturalmente. “Acredito que as coisas acontecem na hora em que devem acontecer. O convite chegou em uma hora em que a minha linha de trabalho se mostra bem definida”, aponta o artista, que também adianta o que pretende mostrar ao público em sua primeira individual: “Apresentarei coisas simples. Até então, não pintei nenhuma tela e não sei se as canvas vão aparecer dessa vez. Optei por usar mais papel e madeira”. No dia da inauguração da mostra, Rafa também apresentará os modelos de óculos assinados com o pessoal da Zerezes. “Serão 10 unidades numeradas e ainda não vi como ficou, mas acho que vai ficar bacana”, completa.

Em relação à influência adquirida pelo trabalho desenvolvido pelo irmão, que, por sinal, arrancou muitos elogios com sua exposição na mesma Homegrown, Rafael se mostra convicto, mas, por outro lado, não deixa de exaltar as singularidades em questão.  “Meu irmão me influenciou desde cedo pela troca que sempre tivemos, troca de informação e gostos. Nosso estilo é bem diferente na hora de pintar. Eu falo pastel, e ele fala fluor”, brinca o artista. Embora cada um tenha um estilo bem próprio, uma exposição em conjunto não é descartada – uma Uzais, por exemplo. Já pintamos alguns painéis na rua, entre outros trabalhos. Essa ideia de expor juntos vai vir em alguma hora sim, já conversamos sobre isso mais de uma vez”, conclui o artista.




Navegando em Terra Firme
Rua: Maria Quitéria, 68. Ipanema.
De sábado (03/08) até 24/08.
Abertura: das 18h às 22h. .


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