quinta-feira, 15 de março de 2012

#29

Riot de Janeiro: s/a da nova era

Reunindo ilustradores, designers, artistas plásticos, tatuadores, músicos e grafiteiros, essa inusitada “agência de criação” vive a arte em busca de novos conceitos e ideais.

A margem da sociedade, uma espécie de território fictício e, ao mesmo tempo, severamente existente, sempre apresentou uma originalidade criativa e uma capacidade única de lançar tendências. Mas, até pouco tempo atrás, esse conhecido lugar, mal visto aos olhos quadrados, ficava restrito somente às pessoas que vivenciavam esse ambiente e sua cultura paralela, além do preconceito (é claro). Apoiada em muitas outras mudanças dos novos tempos, a mesa dessa situação virou, e a sociedade, que antes não fazia questão de explorar esse mercado, já consegue valorizar toda arte absorvida e cultivada nas entrelinhas das cidades, vindo diretamente das ruas ou não. Aqui, o conceito da Riot de Janeiro, uma inovadora “agência de criação”, pode nos exemplificar um pouco melhor como os novos artistas podem trabalhar juntos em torno de objetivos em comum: o coletivo como um todo, a busca pela valorização da arte e, por consequência,  o reconhecimento dos jovens arteiros.


“A ideia surgiu no final de 2010, quando meu irmão (Hugo Inglez) pensou em fazer um blog de referências voltado pra arte, algo como o Ctrl Alt Rio. Logo, ele reparou que nós tínhamos amigos próximos que eram artistas incríveis, mas que nenhum deles recebia o reconhecimento merecido pelo nível do trabalho que estavam desenvolvendo. Isso muito por conta das inúmeras panelinhas que existem no meio artístico, principalmente no Rio de Janeiro. Então, ele reparou que o conteúdo artístico que ele precisava para o site poderia ser produzido por nós mesmos”, descreve Rique Inglez, irmão gêmeo de Hugo e amigo de Breno Moreira, três dos idealizadores do projeto. Apesar da semente ter sido plantada nesta época, a concepção da agência de criação foi iniciada há três meses e, pelo número de integrantes, já com a intenção de se tornar algo grande. Ao todo, a equipe Riot reúne 14 amigos, sendo três colaboradores e 11 artistas, entre grafiteiros, Djs, músicos, designers, artistas plásticos, ilustradores, fotógrafos e até tatuadores, uma curiosa e verdadeira mistura.


Reunindo propostas diferenciadas, como se cada dos integrantes fosse o elo de uma corrente da resistência artística, a Riot de Janeiro sobrevive a partir da experiência vivida de cada um. “Todos vêm de formações diferentes e alguns nem formação acadêmica têm. A verdade é que nós não nos importamos nem um pouco com a formação de alguém. Mesmo dentro da questão artística, seria muito difícil definir cada integrante, pois todos têm estilos muito diferentes e conseguem trabalhar em inúmeras mídias e técnicas. O único ponto comum mesmo é que todos têm um estilo próprio muito bem definido e original. Acho que é exatamente esse o diferencial da RiotJ. O que nós fazemos, só nós fazemos. Nosso foco é em ideias e exatamente por isso não podemos e nem queremos ter uma área específica. Qualquer ideia é válida e pode ser produzida. Dessa forma, podemos trabalhar com qualquer produto e, ao mesmo tempo, transformar tudo em trabalho”, acrescenta.


“Revoltados” com a falta de reconhecimento da arte, incluindo o ponto de vista financeiro, a Rio(t) surgiu como uma própria maneira de contornar essa situação de marginalidade artística. Desta forma, a união em nome da agência de criação também se tornou em uma verdadeira causa, muito justa por sinal. “Posso dizer que até o surgimento da RiotJ, em grande parte fomos basicamente ignorados. A todo o momento, um novo artista incrível e com imenso potencial desiste da carreira por simplesmente não conseguir se sustentar, enquanto outros medíocres ganham fama mundial com lixo. Nossa luta inicial é a mesma de praticamente todo artista jovem: conseguir sobreviver de arte. Há uma ideia absurda no Brasil de que arte não é ‘emprego’. O que é motivo de orgulho lá fora, por aqui é quase um estigma. Nós buscamos uma verdadeira valorização da cultura brasileira, por nós mesmos e por todos que ainda estão por vir”, dispara Rique, que também assina de um outro curioso projeto: o Artspam, um nome sugerido por Hugo.


Apostando no intercâmbio artístico, Rique elaborou dez cartolinas e também separou dez endereços totalmente distintos e aleatórios, todos para fora do Brasil. A ideia era apresentar ou presentear alguém com sua arte, mesmo sem saber o que seria feito com a mesma e nem quem seria o escolhido. Assim, quase em paralelo à agência, nasceu o Artspam, um spam que, ao contrário dos habituais, todos adorariam receber. “Meu sonho é que isso se espalhasse como uma nova forma de divulgação artística. Já pensou em novos artistas enviando seus trabalhos pelo mundo? Eu adoraria receber um e faria o possível para divulgar. Acho engraçado também como as pessoas ficam surpresas em ver alguém tendo uma atitude altruísta, o que mostra como isso não é comum atualmente. O mundo precisa de boas ações e de um pouco de espontaneidade”, afirma Rique, que, dos dez trabalhos enviados, recebeu apenas uma resposta, o que já fez o projeto valer a pena. “Pois é, recebi de um cara de Londres. Engraçado que foi a última que eu mandei. Fiquei muito feliz quando vi o email, já tinha até perdido as esperanças de resposta nessa primeira leva de cartolinas. Ele escreveu tudo num portunhol de google translator horrível, mas o email foi super legal e ele disse que se amarrou muito no desenho”.


Como parte da proposta do projeto, Rique retornou o email e explicou um pouco melhor sobre a proposta do Artspam e também sobre a cartolina, que trazia um desenho de com linhas muito finas, próximas e feitas com uma régua daquelas pequenas, de remédio (na foto abaixo). “Isso tornou o desenho mais legal ainda, pois as retas não são totalmente paralelas e isso dá meio que um efeito de movimento estranho. Improvisar com material é minha especialidade... No começo, eu tinha que me virar com muito pouca coisa e isso me ajudou bastante a encontrar o meu estilo, que é bem simples e minimalista”, explica Rique, que finaliza: “A gente quer conquistar o mundo partindo da cidade maravilhosa e mostrar que aqui nós conseguimos ter uma produção de nível mundial, mesmo com todas as dificuldades. O Rio(t) de Janeiro tem que ser uma referência em arte e cultura, e não só uma rebarba do que acontece lá fora, e eu não consigo pensar em uma época melhor pra isso acontecer”.


Saiba mais sobre a Riot de Janeiro no Facebook
Email: contato@riotdejaneiro.com

Curtiu esse post? Sigam-me os bons Facebook e Twitter

quinta-feira, 8 de março de 2012

#28

Lightpaint: uma pintura de luz

Fotógrafo criado e (re)conhecido na cena underground, Henrique Madeira se destaca como um dos precursores do lightpainting no Rio de Janeiro. É luz, câmera e ação!!!

Figura mais que (re)conhecida no cenário underground carioca e fotógrafo “das antiga”, Henrique Madeira  aparece como uma referência em uma proposta artística que até pouco tempo atrás não era muito explorada no Rio de Janeiro e, por consequência, não chamava muita atenção. Trata-se do lightpaint (a pintura de luz), uma técnica de fotografia criada a partir da relação entre a luz e a velocidade do “disparo”, o tempo que o obturador fica aberto. “O lightpaint permite que você pinte um ambiente sem deixar marcas e com imagens fora da realidade, como pintar um barco no asfalto, um peixe pulando de um copo e as simples escritas. Ao longo do tempo de registro da foto em ambientes sem luz, você consegue fazer esses desenhos com lanternas coloridas, luz de celular, isqueiro e qualquer outra fonte de luz”, explica o fera ao aprendiz.


Apesar de todo seu ineditismo aos olhos do Rio, essa técnica já era usada, mesmo sem querer, desde 1914, quando Frank Gilbreth e a esposa Lillian Moller Gilbreth deixaram a câmera com o obturador aberto para acompanhar o movimento de produção e dos trabalhadores no escritório. Neste caso, como Gilbreth estava mais interessado em recolher dados para seu estudo sobre a “Simplificação do Trabalho”, o uso da técnica ainda não explorava o conceito artístico. O primeiro artista a usar o light painting como arte foi Man Ray, que se considerava um pintor e era conhecido por suas fotografias “avant-garde”. Em 1935, com a série “Writing Space”, ele apresentou a técnica pela primeira vez como arte. Já aqui no Rio de Janeiro, Henrique Madeira começou a “brincar” com essa história somente em 2008, usando uma Powershot. Mas, em 2010, seu light já era usado profissionalmente.


O fotógrafo Fabrice Wittner (autor da foto acima) recentemente voltou a colocar o lightpainting em evidência com a série “Enlighted Souls”, que trazia imagens quase reais de crianças e desabrigados do Vietnã e Nova Zelândia. Com a técnica do light stencil, Wittner
"pintou estênceis com personagens iluminados para lembrar a perda e mostrar o espírito de uma cidade destruída”, já que Christchurch tinha acabo de ser castigada por um intenso terremoto. Outra referência no assunto é o francês Marko 93, que destaca uma curiosa mistura de lightpaint com vídeo em seus trabalhos e vale procurar um pouco mais a respeito. Já o carioca de Campo Grande, em Lisboa, Henrique Madeira busca a originalidade através de sua conexão com a cidade. “Experimento o máximo de formatos possíveis, misturo várias influências e agrego as paisagens para completar o conteúdo. Sou um amante da fotografia e suas possibilidades, e o Rio é um dos lugares mais bonitos do planeta para se fotografar. Acho que misturei alguns elementos que deram certo”, detalha o fotógrafo.


Sob influência da cultura de rua, o lightpaint do fotógrafo carioca bebe da mesma fonte e, por isso, apresenta uma ligação muito forte como o grafite, tanto que sua técnica pode ser considerada como uma espécie de pintura sem respingos de tinta e sem limites. Além de já ter apresentado o lightpaint em uma série de eventos e festas, Henrique pretende usar o lightpaint com uma proposta mais comercial (em álbuns) e também possui alguns projetos artísticos em fase de finalização (inclusive, abertos a possíveis patrocinadores). No entanto, sua “menina dos olhos”, como ele mesmo descreve, é o projeto que em breve levará uma série de oficinas para crianças carentes e em tratamento no Hospital do Câncer. De acordo com o fotógrafo, a ideia é expandir o uso da técnica e firmar o lightpaint buscando novos horizontes. Aqui é luz, câmera, ação e muita consciência. Confira melhor as pinturas de luz do fotógrafo Henrique Madeira em seu próprio BLOG.

Siga nossa página no Twitter e no Facebook.

terça-feira, 6 de março de 2012

#27

Rasmus: no topo do Dois Irmãos

Visando o alto de um dos postais mais clássicos do Rio, o DJ dinamarquês sobe o Vidigal e nos descreve um pouco melhor essa experiência e também sua sonoridade.

Em mais um dia de sol intenso - daqueles privilegiados, na praia do Leblon -, olhava o Morro Dois Irmãos e só conseguia imaginar uma coisa: como seria a vista lá de cima dessa montanha que mais parece um “elefantes de diamantes sentado”? Essa, em especifico, era uma indagação de Rasmus Lutzen, um DJ dinamarquês de passagem pelo Rio de Janeiro, mas poderia ser a de muitos cariocas, com certeza. Afinal, quem não toparia fechar um programa como esse. O fato é que nem todos sabem que isso é possível, permitido e, o melhor, não exige tanto esforço quanto pode parecer. Para subir no topo de um dos mais clássicos postais é preciso apenas vontade, já que a trilha é aberta, não apresenta riscos e possui acesso pelo alto do morro do Vidigal. Ou seja, além da vista da cidade, a “escalada” ainda conta com um verdadeiro “tour” por essa surpreendente comunidade.


Ao saber de tal facilidade, Rasmus, acompanhado de sua amiga Nicole (uma autêntica alemãrioca), logo se prontificou a fazer a trilha. Mas, como ele, que é lá da Dinamarca, foi parar no ponto de moto-taxi do Vidigal? “É a minha segunda vez no Brasil. Antes, fui muitas vezes tocar na Austrália, mas queria viver em uma cidade grande e diferente. São Paulo me pareceu interessante, já que a cena (eletrônica) é bem grande. Não sabia o que esperar e, por isso, contei com algumas dicas de brasileiros que vivem na Dinamarca, como o casal de DJ’s Renata e Jokke (que, por sinal, levantam qualquer pista)”, afirma Rasmus. “Passei meu primeiro mês no Rio e fiquei muito impressionado com a beleza da cidade, porém, surpreso que a cena eletrônica aqui ainda não é tão grande. Descobri que o forte aqui é a praia, como se o Rio fosse para o dia, e São Paulo para a noite”, completa.


Após cinco minutos subindo a Av. Presidente João Goulart e, pelo ponto de vista do Rasmus, desmistificando o estereótipo de uma “favela”, descemos da moto no Largo do Santinho, onde já demos de cara com um, segundo o dinamarquês, “inesquecível bloco”, que vinha descendo a ladeira em pura magia, enquanto o próprio já caia no embalo do samba e respondia a cadência da bateria (ele pirou). Subindo a pé até o final da mesma e infinita João Goulart, depois de passar pela Quadra - antes dominada pelo tráfico, hoje base da UPP -, pelo lindo campo de society e por centenas de becos e bares, paramos no último deles antes de pegar a tal trilha. A partir daí, partimos em direção à mata, onde andamos aproximadamente 45 minutos, contando, é claro, com algumas paradinhas. “No ano passado, conheci o Complexo de Alemão, onde eu fui tocar para a comunidade, convidado por Cabbet Araújo, no evento Abraço da Paz. No entanto, aqui no Vidigal é diferente”, afirma o DJ.


Do alto do Dois Irmãos, diante de uma vista indescritível que te cerca por todos os lados, o DJ dinamarquês começa a falar um pouco mais sobre seu trabalho. Apesar de trazer claras referências da escola escandinava em suas músicas, como Trentemoller e Kasper Bjorke, Rasmus, que já tocou em algumas festas de destaque por aqui, prefere exaltar a originalidade presente em seu som. “Eu gosto de priorizar as melodias nas músicas, dando um ar sexy
e suave. Normalmente, eu não olho muito para os artistas quando escuto uma música. Eu ouço os lançamentos e classifico as faixas que gosto de acordo com as datas, independentemente do rótulo e do artista”, aponta. Antes de voltar para Europa, Rasmus ainda se apresentará em algumas festas brasileiras. Em relação à caminhada até o topo do Dois Irmãos, trata-se de uma experiência única e viável. “A partir dessa vista, o Rio é definitivamente a cidade mais bela que conheci até agora!, completa o DJ, que também não dispensa um bom churrasco.



Siga o Ctrl+Alt+Rio no Twitter e Facebook 

sexta-feira, 2 de março de 2012

#26

Adeus à Carne: um desfile afiado

Em sua primeira montagem em grupo, o autor e ator(mentado) Michel Melamed usa o carnaval para brindar os fracassos da realidade sem ou pós-festa. "Carne Vale".

Com uma ousadia tão afiada quanto a Navalha (na Carne), de Plínio Marcos, a peça Adeus à Carne (ou Go to Brazil), primeira montagem em grupo de Michel Melamed, atravessa o samba e até mesmo o funk para celebrar a melancolia e o fracasso de uma realidade sem ou pós-carnaval - do latim “carne vale” e vale muito. Vale pela busca ao incomodo, ao diferente e pela aceitação do anormal. Trata-se de uma peça provocante e experimental, que geralmente não costuma agradar aqueles que preferem encenações de fácil digestão. Neste caso, a carne não desce, e o gole é seco como um trago.


Após um longo período de passagens de atores, cerca de 10 minutos, aparece a primeira fala do espetáculo: “Obrigado”, que antecede um suspiro e uma cusparada. Aqui, a falta de uma condução linear já abria espaço para um mar de interpretações, porém, ainda não havia como o público estabelecer conexões sem nenhuma onda. No entanto, com uma sequência de sambas tristes, o autor estabelece uma conexão mais clara com a festa do Adeus à Carne e apresenta sua desritimada e crítica escola no palco, começando pela comissão de frente, que “cria uma certa expectativa no público por sua coreografia diferenciada" – como explica o interlocutor.


Diferentemente de seus monólogos anteriores - “Homemúsica” (2007), “Dinheiro Grátis” (2006) e “Regurgitofagia” (2004), onde recebia choques de acordo com a reação da plateia -, “Adeus à Carne” traz Michel Melamed ao lado de mais cinco atores: Bruna Linzmeyer, Pedro Henrique Monteiro, Rodolfo Vaz, Thiare Maia e Thalma de Freitas, que aparece com a cabeça totalmente raspada. O figurino, de Luiza Marcier, também é fundamental na construção da decadência imposta aos personagens, que também são castigados, torturados e se apresentam como espécies de demônios - como seis emissoras de televisão.  O desfile segue com “a ala das crianças, que pode ser opcional, e com a Velha Guarda, onde vão os fundadores da escola”. Neste caso, a ala destacava os atores como emissoras e dançando funk proibidão do CV.


Depois de apresentar as alegorias de sua escola, representadas em cena por engenhosas estruturas mecânicas e amarras de alpinistas, a peça costura mais um punhado de devaneios e criticas até chegar a um ensaiado final irônico, como a própria apuração do carnaval e seus atordoantes 8.2, 9.4 e 9.9. Mas, que o cenário assinado por Bia Junqueira era digno de um “10!”, vindo do mais criterioso dos jurados,  ninguém poderá negar. Aliás, as engenhocas funcionaram muito bem, com destaque para um jogo da forca humano, e conseguiram suprir a falta de texto para acompanhar a mobilidade dos atores, que, por sinal, estavam todos muito bem (doidos). Desta forma, o desfecho da peça, assim como a dispersão na Marquês de Sapucaí e do “Duque de Caxias”, chega de um modo natural. A senhora sentada ao lado, assim como muitos, não hesitou em perguntar: já acabou?  'Carne Vale' a pena!.


Curta nossa página no facebook.com/ctrlaltrio

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

#25

Sorpresa: chinese à “carna vale”

Embalada na mistura do carnaval, a festa apresenta o trio Chinese Man e reúne diferentes vertentes, musicais e artísticas, no bloco do La Folie. Joie de Vivre amis!

A festa, criada na Grécia Antiga para celebrar a fertilidade e as boas colheitas, ganhou reconhecimento e se tornou popular somente Idade Média, quando, amparada no cristianismo, era realizada em nome do “adeus à carne” ou “carna vale”, em latim. No entanto, o carnaval que nos serviu de inspiração - com desfiles e fantasias - surgiu mesmo na sociedade vitoriana (1837 a 1901), época em que Paris era a grande referência. Atualmente, os tempos são outros e tudo mudou, porém, o carnaval segue fazendo a loucura dos foliões e, o melhor,  com muita diversidade, alegria e “Sorpresa (Sorte + Supresa)”, assim como a festa que rola nesta quinta-feira (16/02), no Centro Cultural Maria Tereza Vieira (próximo à praça Tiradentes).


Distante da origem e da própria tradicional imagem de carnaval, a festa Sorpresa espera aproveitar o descontrole favorável do momento para agradar aqueles (muitos) que não são tão chegados à mesmice dos blocos de rua. Apesar da Sorpresa, o que surpreenderá mesmo neste agito é a mistura de conceitos, sejam artísticos ou musicais. O fato dessa idéia ter começado a partir da vinda do Chinese Man, um curioso trio francês que se destaca justamente pela mistura de ritmos, pode servir como exemplo. “A proposta é abrir uma opção para a galera menos chegada ao pânico e ao tumulto dos blocos. Aproveitar a vinda do Chinese e apresentar o som que eles fazem, um hip hop com pegadas de vários rítimos eletrônicos. Uma black music diferenciada e pouco explorada”, afirma Fernando Barbosa, do núcleo La Folie, que organiza o evento junto à marca Cabron, de Marcel Gonçalves. Sem falar no apoio de todas as pastelarias cariocas, como menciona o flyer.


Apoiado na diferenciada sonoridade do misto de selo, grupo e família, a festa conseguiu atrair mais propostas originais, como a interação artística de Marcelo Ment e Bruno Big, que levarão parte do trabalho desenvolvido nas ruas para uma apresentação ao vivo na festa. Aliás, Ment também está com a exposição Contrastes aberta no Espaço Cultural Eletrobrás Furnas, em Botafogo. “O Ment assim que soube que o Chinese iria se apresentar na festa já se prontificou em participar. Ele conheceu o grupo na França e não poderia de maneira alguma ficar de fora. Mas, não programamos nada na questão arte, foi surgindo, na parceria pura”, exalta Fernando, que também destaca a participação de Henrique Madeira, “o cara das coberturas do verdadeiro circuito underground das artes no Rio”. Além de registrar o evento, o fotógrafo também promete uma inusitada session de Light Painting, uma técnica que permite pintar o ambiente com imagem, mas sem deixar um pingo de tinta no chão. É luz, câmera e ação. (falaremos melhor sobre isso nos próximos posts).


Para engrossar o caldo dessa mistura à “carna vale”, sem deixar de lado a qualidade dos ingredientes sonoros, a Sorpresa ainda anuncia: Rockphonne, o projeto de resgate musical assinado pelo próprio Fernando Barbosa; Machintal, um verdadeiro colecionador de sons; Glocal, a dupla carioca que não deixa São Paulo dormir cedo, e Ricardo Estrella, que fechará a noite sem deixar ninguém ir embora. É, depois desta escalação de peso, realmente parece que a festa conseguiu agregar os conceitos e apresentar uma proposta de som diferenciada em pleno carnaval. Essa mistura é pura... festa. “Carnaval é festa, diversão e alegria... Não importa o gênero de som que está tocando, o que importa é a qualidade e o sentimento de união do povo em torno de uma festa louca, carnal”, completa Fernando, que avisa que quem tiver interessado em participar dessa folia terá obrigatoriamente que enviar um email confirmado sua presença. Assim, poderão entender melhor o porque da Sorpresa. Marque sua presença: lafoliegrotte@gmail.com



Saiba mais sobre o Chinese Man: http://www.chinesemanrecords.com/

Curta nossa página no Fakelook: facebook.com/ctrlaltrio

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

#24

Hareburguer: a viagem do sabor

Quem já experimentou sabe que a “fusão das estrelas mágicas” deu certo, e o harebúrguer ficou cheio de alegria, saúde e sabor. É uma brisa total essa delícia. Piuw!

Os cariocas e acariocados que costumam frequentar a praia de Ipanema entre os postos 9, 10 e também o 8 -  porque não? - provavelmente já devem ter iniciado contato com essa verdadeira “fusão de estrelas mágicas”. Trata-se do famigerado Hareburguer vegetariano, uma diferenciada opção de larica que veio de outras galáxias diretamente para as areias do Rio de Janeiro, que, por sinal, tem de tudo um muito– ainda mais em relação à “gastro_nomia”. Pensando em agregar saúde, sabor e alegria – as tais estrelas da fusão -, Raphael Borges, o Hare Rapha, acabou se transformando em um verdadeiro empreendedor de sucesso. No entanto, não é isso que torna essa viagem de negócio em realidade, se é que essa mesma pode ser levada em consideração.


Apesar do Hareburguer já existir desde a eternidade, “a mensagem se manifestou tridimensionalmente na Terra somente em 2006”, justamente quando Rapha queria arrumar dinheiro para viajar para Bahia. Pouco tempo depois, lá estava ele: trancando a faculdade de Jornalismo, tocando fogo na casa da mãe e enchendo a mala de hare-esperança para ir compartilhar sua criação com os demais. O local escolhido foi a praia, de preferência sob um sol de mil graus, e a tarefa, mesmo assim, era encarada com um astral único e admirável. (tocando flauta, explicando o cardápio e, principalmente, sendo alvo de piadas). “A ideia era criar uma nova experiência, com a essência de trazer à tona o lúdico, o ingênuo, o puro e o divertido para as pessoas. A experiência ‘Hare’ através desse universo mágico é que permeia o dia-a-dia da marca, uma hare-empresa criada com o objetivo de apresentar alimentos de alta qualidade e vibração”, explica Rapha.


Depois de cativar os “hare-corações e estômagos mais exigentes, Rapha já se dedicava suficientemente para expandir os horizontes dessa “viagem astro-gastronômica”. Com o sucesso do Hareburguer nas areias de Ipanema, a “nave-mãe” teve que baixar na Terra, e assim nasceu “a primeira fast food vegetariana de todo universo. A loja, localizada na Galeria River, foi inaugurada no último mês de agosto. “Após esse momento de novas abduções e aterrissagens, o Hareburger está de volta na praia, não apenas com o próprio Hare Rapha, mas com a presença de seres extrate-hares enviados do cosmos para alimentar os terráqueos com buraco negros da fome na praia. Cada um representa um planeta ou satélite. Por enquanto, a Hare Equipe é feita de quatro hare seres: Manu da Lua, Di Saturno, Di Plutão e Di Marte. Fazemos entregas do Arpoador ao Leblon através de nossas bikes Hareletrucutadas! É só chamar, que eu vou pessoalmente fazer a Harentrega”, diz o empreendedor de capa de revista, que garante que trata-se “do melhor hambúrguer de todas as galáxias”.


No entanto, antes de querer iniciar um contato ou “um pedido telepático”, é melhor falarmos um pouco sobre o cardápio, que conta com uma divertida ilustração. Entre seis sabores, começamos pelo Tradicional, que leva “hareburger, cheddar alucinante, tomates psicodélicos, alfaces crocantes sinestésicos e mostarda transcendental”. Mas, o Hare Rock Shutney Mango´s Fly também chama atenção ao combinar “hareburger, queijo gouda da lua jupteriana IO, mango shutney (o favorito do mango monster), castanhas de caju harmonizantes e rúculas hidropônicas proto-netunianas uni-sistemárias cerebrais”. Isso sem falar nas hare sobremesas, “nos hare sucos e hare capacitores intersistemários (combustível para seu corpo planetário), ou seja, o clássico mate e o açaí com capacitor de fluxo”, como descreve o cardápio. “É de lamber os beiço”, finaliza Rapha.


Galeria River - Arpoador.
Por telepatia ou pelo harephone 94061666.
De seg. à sex., de 11h às 19:30h. Sábados de 11h às 20h.
Aos domingos a Galeria River não abre.

Curtiu o post? Curta nossa página no fakelook

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

#23

RMC 2012: abre-alas à eletrônica

Em sua quarta edição, o maior evento de música eletrônica da América Latina voltará a marcar presença no carnaval carioca. Agora, serão dez dias de programação, sete só de festa. Acha pouco?

Apesar do carnaval carioca ser reconhecido pelos desfiles das tradicionais escolas de samba, pelas mulatas na avenida e pelos animados blocos de rua, o Rio Music Conference (RMC), considerado o maior evento de música eletrônica da América Latina, abre-alas e pede passagem para voltar a “misturar” essa festa tão esperada pelos carioca e acariocados. Atendendo à demanda do mercado, a edição de 2012, que será realizada na Marina da Glória, contará com dez dias de programação (de 14/02 até 25/02), sendo três dedicados exclusivamente aos workshops, palestras e painéis, e mais sete noites com os principais nomes da cena. Haja fôlego colombina!


Realizado desde 2009, quando o mercado já dava respaldo para a realização de um evento deste porte, o RMC parece crescer e se solidificar junto com a própria profissionalização da cena. As três edições anteriores, a atual dimensão nacional e os três dias a mais na programação são fatores que podem comprovar que esse lucrativo encontro já está mais que consolidado – como aponta o organizador Guilherme Borges: “A música eletrônica cresceu e as pessoas enxergam isso, já que há um maior envolvimento. Trata-se de uma indústria, que deixou de ser apenas um estilo musical para ser um meio de produção. Agora, mais do que nunca, queremos legitimar esse conceito”.


“A ideia da conferência veio de uma necessidade do próprio mercado. Toda indústria carece de um encontro para debater as questões que envolvem a realidade do setor. Aliás, a própria profissionalização precisa de críticas, de debates e de um encontro para reunir isso tudo, aproximando as pessoas envolvidas”, completa Guilherme, que chegou à música eletrônica pela trilha do negócio (não é DJ). Com uma expectativa de público acima das 35 mil pessoas e embalado pelo calor do carnaval carioca, a edição nacional do RMC 2012 pretende movimentar cerca de R$ 30 milhões em negócios, 50% a mais do que os R$ 20 milhões registrados na edição anterior, quando o festival reuniu 25 mil pessoas em suas cinco noites.  

Conferindo a conferência

Precursora de novas tendências e capaz de captar grandes lançamentos do mercado da música eletrônica nacional, a Feira de Negócios do Rio Music Conference é tão movimentada quanto suas noites. “É muita gente querendo comprar equipamento, conhecer novos modelos e softwares, contratar DJs, conhecer novas tendências, projetos e pessoas envolvidas. Cada região possui suas próprias necessidades e um encontro nacional é muito importante neste aspecto. A edição de 2012 deverá refletir isso, já que contará com uma presença cada vez maior de profissionais não só do eixo Rio-São Paulo, mas de todo Brasil”, explica o organizador do evento.


Nos três primeiros dias, a programação do RMC apresenta uma série de seminários, debates, palestras e workshops, todos comandados por profissionais de dentro do mercado. Já nos stands, o que chama a atenção são as inúmeras agências de DJs, as gravadoras, as empresas de tecnologia, os equipamentos, os novos hardwares/softwares, os DJs shops, as rádios online, os veículos de comunicação especializados e muito outros produtos e serviços ligados direta ou indiretamente à música eletrônica e ao entretenimento. Propício para o ‘networking’, como defende o organizador, a Feira de negócios ainda destaca o espaço “Village” – uma área wi-fi com bares, restaurantes e showcases, que fica sob responsabilidade dos novos talentos.


Além das empresas que participam diretamente da Feira de Negócios do RMC, outras companhias, de dentro e de fora do setor, também são atraídas pela visibilidade do evento, que revela uma capacidade promocional de grande alcance. O público envolvido, interessado e interessante desperta a atenção de diferentes empresas de outros segmentos, como bebidas, automóveis, turismo, telefonia, moda e tecnologias em geral. Afinal, trata-se do maior evento de música eletrônica do hemisfério sul sendo realizado em pleno carnaval carioca. “Não há dúvidas que contamos com mais publicidades, apoios e parcerias. Porém, esse apoio por parte dos patrocinadores sempre existiu, não é uma coisa de agora”, ressalta Guilherme Borges.

Democrático e cheio de estrelas

Com sete noites de programação, sendo cinco noites consecutivas (de 17 a 21/02) e duas de “Closing Events” (24 e 25/02), as noites da edição nacional do RMC 2012 prometem coroar o carnaval à eletrônica em grande estilo. Apresentando dois palcos simultâneos – Copacabana, com os maiores astros das pistas mundiais, e Ipanema, com as principais tendências e artistas da vanguarda -, o RMC apresentará mais de 64 atrações, incluindo os “tops” DJs Armin Van Buuren, Steve Angelo, Kaskade, Roger Sanchez, Fedde Le Grand, entre outros. Mas, nesta edição, o line-up não ficará restrito somente aos “Celso Portiolli Vol. 1”. Aliás, um dos principais diferenciais deste ano será a sonoridade, que, além da qualidade, se apresenta muito mais democrática.   


“O line-up deste ano comprova toda evolução do evento também na parte musical. Lógico que terá Armin Van Buuren, mas também terá uma série de outros nomes que não poderiam ficar de fora. O palco Ipanema, que fez sucesso na edição passada, voltará ainda mais forte”, exalta Guilherme Borges. Reunindo destaques de diversas linhas, o line-up do RMC 2012 apresentará oito atrações a cada noite, divididas nas duas pistas. Nomes como Ellen Allien, Jamie Jones e Solomun, que se destacaram na cena internacional em 2011 e, recentemente, estiveram enlouquecendo o público brasileiro, voltam para engrandecer ainda mais o festival. Imaginem o que não vão fazer em pleno carnaval: “ziriguidum e oba-oba” será pouco.


"Espero muito do dj set de Jamie Jones, que esteve aqui em novembro e eu não pude conferir. Não me lembro de tocar tantas tracks de um mesmo produtor. Ao meu ver, já pode ser considerado um dos melhores. Mas, certamente, também vou querer conferir o som do Solomun, do dOp, do The Twelves, além, é claro, de Guy Gerber e Ellen Allien, com quem toco no dia 17/02”, detalha o DJ e produtor Brunno Mello, que abre a pista Ipanema no primeiro dia do festival. “Eu tenho curtido muito fazer essa linha mais deep. Acho que com a idade seu bpm interno vai baixando. Mas, ao mesmo tempo, o meu compromisso é com o bass e com o groove. Então, quem chegar cedo, pode se preparar para dançar... com certeza”, completa Brunno.


Se por um lado o evento amadureceu em suas estruturas, a parte musical mostra que também não fica muito atrás. Em relação às edições anteriores, a melhora no line-up da edição 2012 é mais que notável, assim como o equilíbrio na divisão das atrações ao longo das noites – como explica o DJ Brunno Mello: “Do ponto de vista musical, o evento cresceu muito, sem dúvida. Nos dois primeiros anos, tínhamos um palco apenas para atender dois públicos distintos: o comercial e o underground. E, quase sempre, o que agradava um, não agradava o outro. Já no ano passado, com a criação de um segundo palco (Ipanema), conseguimos atender os dois públicos, um fato que se repete e fica ainda melhor agora nesta edição. Terá altas atrações que não dá para perder”.

Uma janela para o mundo

A história, que começou de maneira até despretensiosa, tornou-se grande de maneira muito rápida. Em 2010, por exemplo, a segunda edição do evento já contou com um apoio maior das empresas. No entanto, o festival, tido como nacional, ainda ficava restrito ao eixo Rio-São Paulo. No ano passado, a última edição do encontro ficou marcada pela expansão. Na ocasião, o RMC se transformou em um evento, de fato, nacional. Ou seja, o festival ganhava mais oito mini-edições regionais, intituladas de “RoadShows” e realizadas em diferentes cidades do Brasil. Atualmente, o Rio Music Conference é formado por 10 encontros regionais (um em Buenos Aires, na Argentina) e uma edição nacional.


“Organizamos o festival, mas quem faz acontecer são as pessoas que estão envolvidas com a própria música. As edições regionais não só acrescentaram, como também levou o Rio Music Conference a outros patamares. Os principais pontos positivos destes encontros formam a edição nacional, que agora sim é capaz de reunir pessoas de diferentes regiões e com diferentes necessidades. Era o complemento que faltava, pois o que pessoal do Sul busca pode ser muito diferente daquilo que o produtor vindo do nordeste precisa. As pessoas mais envolvidas de cada região fazem parte do evento e contribuem para uma troca mais ampla e, por isso, mais eficaz”, afirma Guilherme Borges.


O objetivo de imergir nas cenas locais e encarar os desafios de cada região solidificou o evento, que já apresenta respaldo suficiente para tratar com propriedade as questões artísticas e mercadológicas da produção nacional. Além de estreitar as relações com os embaixadores regionais (supostamente os mais envolvidos de cada região) e definir as prioridades para criar os debates da edição nacional, os encontros regionais contribuem para a grande novidade da conferência: o Anuário do Mercado. Trata-se de uma retrospectiva de todo o ano anterior, uma espécie de registro dos mais fatos mais relevantes. O anuário também apresenta os resultados do Prêmio RMC, uma própria premiação que conta com os votos dos embaixadores para eleger os “Melhores do Ano”. É, de fato, parece que o carnaval ficou pequeno.


Mas, porque realizar um festival de música eletrônica em pleno carnaval carioca? “A ideia foi aproveitar justamente a exposição gigantesca do carnaval carioca. O Rio fica na janela do mundo e, além do mais, é o principal destino dos turistas e ainda será uma cidade Olímpica. Apesar de alguns estranharem essa posição, pelo fato da cena ser muito diversificada, queríamos justamente isso. Creio que fizemos a escolha certa”, responde Guilherme. Segundo Brunno Mello, no início, a "inteligenzia" do setor olhava o evento com alguma desconfiança, por razões até pertinentes. Mas, passados três anos, vendo toda a conjuntura que envolve o Rio, é certo que todos preferem estar aqui. E você, vai? Fui.


Confira os valores das noites e todas as atrações: www.riomusicconference.com.br

Rio Music Conference 2012 – Marina da Glória
De 14 a 16 de fevereiro - Feira de Negócios
De 17 a 21 - Noites
24 e 25 - Closing Events

Curta nossa página no fakelook: facebook.com/ctrlaltrio

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

#22

Onzedoze: na marca dos amigos

Cansados de coqueiros, pranchas e falta de originalidade nas camisetas, dois jovens cariocas lançam moda ao apresentar peças diferenciadas e cheias de estilo (artístico).

Incomodados com os habituais coqueiros, pranchas de surfe e, principalmente, a falta de originalidade estampada nas camisetas da moçada, dois jovens cariocas resolveram usar suas respectivas experiências para iniciar uma grife preocupada com o conceito artístico, marca registrada de qualquer produto que se preze (ou tenha essa pretensão). Onzedoze poderia ser às horas, mas da hora mesmo são as camisetas da tal dupla, que também não está marcando, está preocupada em crescer sem se desligar de suas propostas: “um lado mais artístico, com desenhos feitos à mão, seguindo um conceito de estética, com cores diferenciadas, além de um cuidado especial com a finalização das peças, dando mais atenção ao corte e ao tipo de tecido”, explica Leandro Garça, um dos nomes por trás da 11.12, que, por enquanto, apresenta apenas camisetas. Porém, em breve, a marca deverá apresentar mais novidades aos cariocas.


Fruto de uma ideia vinda do modelo Leandro Garça e do grafiteiro e artista plástico Leo Uzai – que deixou a marca após o lançamento da primeira coleção, em julho de 2011 -, a Onzedoze hoje é formada por Leandro e Peu Mello. Assim como Uzai, o novo integrante da dupla também era amigo das antigas de Leandro e, por isso, a troca não interferiu no processo de criação da marca. “Eu queria continuar, mas não sozinho e nem com uma pessoa qualquer. Precisava de um amigo que pensasse como eu. E Aí que o Peu entrou. Peu Mello é surfista, designer, artista plástico e tem o mesmo feeling de ter nascido no Rio e depois viajado o mundo”, afirma Leandro, que passou dois anos atuando como modelo em Milão, Nova York, Barcelona, Munique e Hamburgo. “É um grande amigo e, talvez o único, que eu encontrei capaz de fazer parte da marca”, completa.


 Na árdua tarefa da busca pelo simples, a marca dos amigos pegou o rumo na trilha. Em dezembro, nove meses após sua criação, a Onzedoze apresentava sua segunda coleção com um mega evento, na casa do Peu. (Tão rindo? Não viram a casa ainda). “Fizemos nosso segundo evento na casa do Pedro, no Joá, com um show de Jazz da banda de outro amigo e da banda do próprio Peu, mostrando outra parte interessante do nosso conceito: juntar amigos. O evento foi um sucesso e reuniu mais de 200 pessoas, com exposições de arte, shows e, é claro, camisetas”, destaca Leandro Garça. Antes do lançamento da terceira coleção e da participação na próxima Babilônia Feira Hype, prevista para ser realizada em março, a Onzedoze deve estar presente na exposição do Peu Mello, no Z.Bra Hostel, que deverá ocorrer já neste mês de fevereiro. Para quem não quer esperar e quiser conferir as estampas dos meninos, basta aparecer na loja da Homegrown, em Ipanema, ou acessar o site da 11.12: www.onzedoze.tumblr.com Detalhe: eles trabalham com entrega em domicílio, só não vale pedir meia-meia.



ONZEDOZE
www.onzedoze.tumblr.com /onze.doze@hotmail.com 

Curta nossa página no facebook para se manter atualizado: facebook.com/ctrlaltrio


terça-feira, 24 de janeiro de 2012

#21

Criolo: do Grajaú ao estrelato

Após dar um “Nó na Orelha” da geral, o rapper aparece como o artista mais falado do momento. Dia 04/02, ele firma essa ideia aos cariocas com um show no Circo.

Kléber Gomes, mais conhecido pelo vulgo Criolo, começou sua carreira de MC em 1989, no bairro Grajaú, na zona sul de São Paulo. Porém, até pouco tempo atrás, ele era conhecido apenas no cenário underground. Nesta época, o rapper se destacava nas famosas rinhas, como se chamam as disputas entre os rimadores, e ainda era o Criolo Doido, que apesar de ter lançado o disco “Ainda Há Tempo (2006)”, não tinha alcançado tanta visibilidade. Ao menos, não como agora, depois do lançamento do “Nó na Orelha”, o seu último disco e um dos trabalhos mais elogiados de 2011.


Com produção assinada por Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral, o disco, lançado em abril, chegou sem a intenção de ser considerado um dos melhores do ano e até com certo receio por parte da galera do rap, já que o álbum é marcado pela mistura de ritmos. Em suas 10 faixas – como “Não Existe Amor em SP”, “Grajauex”, “Sucrilhos” e “Subirosdoitiozin” -, a sonoridade que embala os versos e as rimas de Criolo circula pelo samba, soul, afrobeat, reggae e até forró, isso sem perder as batidas marcantes do rap. O que parece é que o “Nó na Orelha”, literalmente, deu um nó na orelha da rapaziada e colocou o artista no centro das atenções.


A notoriedade alcançada pelo Criolo (branco) foi tamanha que, em outubro de 2011, seis meses após atar o Nó, ele já estava dividindo o palco do Vídeo Music Brasil (VMB) com Caetano Veloso para cantar uma de suas musicas. Na premiação da MTV, Criolo ainda levou os prêmios de Melhor Disco, Melhor Música e ainda artista revelação, mesmo tendo começado sua caminhada há dez anos. Isso, sem falar que o rapper também foi homenageado por Chico Buarque, que na estréia de sua esperada turnê, em Belo Horizonte, cantou o refrão da música “Cálice” na versão do “Criolim”. “Pai, afasta de mim as biqueira, afasta de mim as ‘beati’, afasta de mim a cocaine, que na quebrada escorre sangue”, diz o refrão da tal versão do rapper.  


Depois de passar discretamente pela cidade maravilhosa no final de 2011 – quando fez uma participação no (puta) show de Gui Amabis, realizado no Sesc Copacabana -, Criolo volta ao Rio neste início de ano para apresentar um pouco da essência do rap genuinamente paulistano ao caloroso público carioca. O show, que contará com abertura de Curumim e, na sequência, festa Makula, será realizado no próximo dia 04/02, no Circo Voador. Aliás, em plena forma, a melhor casa de shows do Rio de Janeiro já está comemorando seus 30 anos de vôos inesquecíveis. Trata-se de um verdadeiro encontro, e daqueles...imperdíveis.


Circo Voador - Rua dos Arcos, s/n. Lapa.
Mais informações: http://www.circovoador.com.br/
Ingressos: (valores e Compras)

Curta essa: facebook.com/ctrlaltrio

domingo, 15 de janeiro de 2012

#20

Lamparina: acesa a festa no Vidigal

Fruto de um Caldo Cultural, a festa Lamparina ilumina de um coletivo de ideias que está mudando a "cara" do Vidigal com muita animação e, principalmente, cultura. Tá ligado?


Coletivo de idéias; produtora de criação; grupo de amigos do teatro; espaço de experimentação artística e, ao mesmo tempo, diversão, além de outras coisas a mais. O que seria e quem estaria por trás disso? Na certa, deve ser uma galera bem empolgada. Mas, na real, são cinco pessoas - as quais não encheriam nem uma van com destino ao Vidigal, local onde essa história começou -, os responsáveis pela criação do evento que tem dado o que falar e, também, mudado o modo de fazer festa (na favela): a Lamparina, uma festa estilo "sala da casa de amigo", onde todo mundo é anfitrião. Segundo Carol Vaz, que conheceu a festa agora, esse foi o clima da primeira edição de 2012, realizada em plena sexta-feira 13/01.


Apontada como uma das melhores festas de 2011, além de promessa para o verão 2012, a ideia da festa Lamparina começou a ser moldada ainda em 2006, quando o grupo, formado por André Luiz, Carolina Ivancevic, Mariana Quintão, Marcelo Mello e Pierre Santos, resolveu fazer uma festa no Vidigal que unisse diversos tipos de arte. Assim, nasceu o Caldo Cultural (mais Coxia Produções, de Nelson Marcondes e Jonathan Haagensen). “A vontade era criar um espaço de experimentação artística e ao mesmo tempo diversão, deslocando a vivência cultural dos lugares usuais para fazer com que as pessoas subissem o Vidigal e conhecessem o lugar incrível que é. Um lugar privilegiado da zona sul” descreve Carolina Ivancevic.



“Ao longo de três anos de realização, o grupo comprovou o potencial tanto dos realizadores quanto do Vidigal como um pólo cultural. Em 2009, paramos por falta de patrocínio, mas retomamos o projeto agora no final de 2011”, acrescenta Mari Quintão. Por falar em 2011, o ano foi bem “agitado” para o coletivo, que, além de ter retomado o Caldo (com um pequeno apoio da Secretaria de Cultura), se transformou em uma produtora de criação e eventos (a Solos Coletivos e produções), deu início a festa Lamparina e ainda formou uma outra: a LUVidgal. Esta última é o encontro do coletivo com a conhecida Luv, de Nicole Nandes. Quem explica melhor isso é a própria Carol: “A festa LUV era uma festa que frequentávamos e adoramos, é um movimento de Black Music no Rio e não apenas uma festa. Pensando em fazer o bonde do amor subir o morro, fizemos a LUVidigal, uma festa bailão, que agora terá sempre uma edição mensal com convidados diferentes, pocket shows entre outras boas surpresas ".



“A 'cara' dos nossos eventos, como a festa Lamparina, também carrega a personalidade da produtora e da vivencia artística dos integrantes do grupo. Além de atores, todos trabalham com cenário, luz, figurino, roteiro, produção, cinema, televisão e criação de vídeo. Ou seja, tudo envolvendo criação. Essa atmosfera intimista se reflete nos nossos eventos. Criamos sempre um cenário peculiar, uma luz criativa, um conceito musical que se aproxime do público através de um viés artístico e até poético”, conclui Carol Ivancevic, que acrescenta que acrescenta que quem vai a oficina durante o dia não consegue nem imaginar a  festa linda que se torna a noite. Os eventos da Lamparina (Luvidigal e Lampa) , inclusive, foram considerados um dos 50 melhores pela Revista de Domingo (do O Globo). É o calor dessa  Lamparina. E preparem a mascara, que a próxima edição será um baile a fantasia (10/02). Antes, rola a LUVidigal, dia 03/02. Simbora?



Saiba mais sobre a festa: facebook.com/lamparina.afesta



Curta nossa página no facebook facebook.com/ctrlaltrio

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

#19

Summer Soul: verão o festival?

Após trazer Amy Winehouse em sua edição de estréia em SP, o festival promete embalar os cariocas com Bruno Mars e Florence and The Machine. Detalhe: ainda há ingressos!

Que o Brasil está na rota dos grandes shows internacionais todos já sabem e não é de hoje. Que as estrelas da música fazem questão de nos visitar e, pouco depois, juram amor ao público brasileiro também. Porém, nem os mais entusiasmados poderiam imaginar que esses esperados shows (demorados) fossem fazer parte da agenda carioca. O fato é que o ano de 2012 mal começou, e os fãs já estão ansiosos à espera de seus artistas favoritos, como Bruno Mars, Florence and The Machine e Dionne Bromfield – atrações da segunda edição do Summer Soul Festival, marcado para o dia 25/01, no HSBC Arena. Aos cariocas, atenção: ainda há ingressos disponíveis.


Um dos destaques do verão 2011, que se consolidou na capital paulista ao apresentar a “musa” Amy Winehouse, Mayer Hawthorne e Janelle Monáe (que também esteve no Rock in Rio), o Summer Soul Festival voltará a marcar o inicio do ano e, desta vez, não deixará de fora a cidade maravilhosa. Aliás, além do Rio e São Paulo (24/01), o festival também será realizado em Florianópolis (28/01). Nesta segunda edição, o “evento do verão” terá novamente um line-up inédito, com Bruno Mars, Florence and The Machine (que apesar de anunciado não apareceu no SWU), Dionne Bromfield e Rox. De brasileiro, apenas o Seu Jorge e o repertório de seu último álbum, intitulado Músicas Para Churrasco Vol. 1. (que misturada).


Para quem gosta, trata-se de uma boa oportunidade para conferir os hits de Peter Gene Hernandez, o famoso Bruno Mars. Em apenas dois anos de carreira, ele já ganhou um Grammy e se tornou um dos mais "versáteis e completos artistas pop da atualidade" com mais de 10 milhões de cópias vendidas com seu primeiro álbum - o Doo-Wops & Hooligans, que destaca a música Just Way You Are (tipo um “ai se eu te pego” gringo). No entanto, o destaque do Summer Soul será mesmo Florence and The Machine. Liderada pela voz singular de Florence Welch, a banda inglesa se destaca com uma combinação de gêneros, que passa pelo indie rock, folk e soul. O som é bom e dispensa comentários... Se for o caso, dá uma “Googletada” ai porque vale a esmiuçada.


A sonoridade de Dionne Bromfield também deverá surpreender quem aparecer para conferir de perto o festival (que não é atrativo no quesito $). Aos 15 anos, a afilhada de Amy Winehouse aproveitou bem as oportunidades oferecidas pela “musa do soul” e, certamente, deverá ocupar esse lugar no futuro. Se depender de seu talento, não terá erro. Isso porque, a garotinha já arrancou inúmeros elogios com seu álbum de estreia, o “Introducing Dionne Bromfield”, cujas faixas são regravações de artistas do R&B, jazz e soul. Aliás, esse disco foi lançado pela Lioness Records, o selo de Amy inspirado na clássica Motown. Além de um bom show - com músicas de seu segundo disco, intitulado Good For The Soul -, esperamos que a jovenzinha tenha aprendido todas as lições com sua “madrinha”. Summer belo!!!


HSBC Arena - Av. Embaixador Abelardo Bueno, 3401.
Preços: R$ 560,00 (pista premier e camarote) R$ 380,00 (cadeira nível 1) R$ 240,00 (pista) R$ 180,00 (nível 3)
Pontos de venda: livepass  4003-1527
Mais informações: http://www.hsbcarena.com.br/ 

Curta nossa página: facebook.com/ctrlaltrio