terça-feira, 8 de maio de 2012

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CCBB mostra Ingmar Bergman aos cariocas

Morte, solidão, fé e muitos outros temas que afligem e fazem parte da natureza humana sempre estiveram diante das lentes de Ingmar Bergman (1918 – 2007) – o maior cineasta de todos os tempos, segundo Woody Allen. Com intenção de (re)apresentar grande parte desta obra ao público carioca, o Centro Cultural Banco do Brasil apresenta a partir desta terça-feira (08/05) uma verdadeira retrospectiva da obra do diretor sueco, a maior e mais completa que o país já recebeu.

Até o dia 10 de junho, quando a mostra partirá para São Paulo, os cariocas poderão ver e rever 52 produções em tela grande e mais quatro documentários sobre a vida (o cinema) de Bergman, premiado sete vezes no festival de cinema de Cannes e vencedor de três prêmios Oscar de Melhor Filme Estrangeiro com “A Fonte da Donzela”, “Através de Um Espelho” e “Fanny e Alexandre” – que estarão na mostra. “O Sétimo Selo” e “Morangos Silvestres” também se destacam na programação, assim como “O Olho do Diabo” e “Rumo à Felicidade” – tidos como inéditos.

Além dos filmes vindos diretamente do Swedish Film Institute, a mostra Ingmar Bergman, que conta com curadoria de Giscard Lucas, ainda marcará o lançamento de um livro-catálogo com uma série de ensaios, entrevistas e filmografia ilustrada.  Para justificar de vez o peso "de mais completa", a retrospectiva também  será acompanhada de um encontro com o documentarista Stig Björkman (“Imagens do Playground” e “Mas o Cinema é Minha Amante”) e do curso "O Cinema de Ingmar Bergman", que será ministrado pelo crítico Sérgio Rizzo a partir do dia 29.

Centro Cultural Banco do Brasil
Rua Primeiro de Março, 66 - Centro (21) 3808-2020
Funcionamento: de terça a domingo, das 9h às 21h.

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sábado, 5 de maio de 2012

#37

Vinil: uma feira da família música

Domingo é dia de feira, de vinil. Em sua quinta edição, o evento mostra que vai muito além da venda de discos e da garimpagem. Preparem suas vitrolas!!! 

Mesmo diante de todas as inovações da modernidade, onde um álbum já pode ser lançado em formato de aplicativo - caso de Biophilia, que resultou no prêmio de artista do ano a cantora Bjork no Webby 2012 (espécie de Oscar da internet) -, a realização de uma feira de vinil não gira nada estranho. Aliás, estranho seria se não acontecesse, ainda mais em uma cidade como o Rio de Janeiro. A lendária bolacha, que teve seu fim anunciado com a chegada dos Compacts (CD), continua exercendo sua resistência, convivendo com suas limitações e, o mais surpreendente, despertando interesse em novas e muitas pessoas. Com intenção de atender esse público e suprir uma necessidade do próprio mercado, a feira do vinil passou a ser realizada em diferentes capitais, sendo que a versão carioca foi iniciada somente em 2010. Agora, em sua quinta edição, o evento - que ocorre neste domingo (06), no Instituto Metodista Bennett -, questiona o porquê não foi realizado antes e ainda mostra que o vinil pode ser um programa para toda família.


 “O verdadeiro mistério foi entender porque o Rio de Janeiro nunca teve uma Feira de Discos antes”, exalta Maurício Gouveia, um dos idealizadores do evento e gerente do sebo Baratos da Ribeiro, onde ocorreu a primeira edição em 2010. “É incrível que o Rio, sendo a vitrine cultural do país como sempre foi, apesar de todos os inúmeros pesares, tenha saído atrás de tantas outras cidades, como São Paulo, BeloHorizonte, Curitiba e Goiânia, onde a feira conta com apoio da prefeitura”, completa. Para não deixar barato essa história, o portal Prefiro Vinil, criado em 2010 com a intenção de reunir lojistas do país inteiro, se prontificou a apoiar essa iniciativa e, a partir deste primeiro passo, a feira de vinil carioca começou a tomar forma, já que foi bem aceita pelas lojas da cidade e contou com a correria do agitador cultural Marcos “Spacecake” Oliveira. Antes de falecer no ano passado, vítima de um ataque cardíaco aos 43 anos, Marcos já havia plantado a semente para essa ideia dar muitos frutos e fixar suas raízes.


 “Por sorte Marcelo Maldonado sempre esteve próximo de nós, e seu recente envolvimento com a feira cultural da Praça São Salvador o contagiou com esse ideal de feira que extrapola o simples comércio. Maldonado também partilha com o Marcos de uma visão simpática a parcerias com o Poder Público. E, sinceramente, não vejo como chegarmos ao evento ideal sem a ajuda da Riotur (divulgando o evento em outros estados ou países) ou da Prefeitura (autorizando o uso de um espaço público, por exemplo)”, aponta Maurício Gouveia, que faz questão de exaltar: “Esta talvez seja a principal questão: os lojistas, as gravadoras, as distribuidoras, o pessoal da fábrica e mesmo as bandas precisam agir como parceiras que de fato são - querendo ou não -, já que o mercado só funciona bem se todas as suas engrenagens estiverem ‘bem lubrificadas’. Acho que só faltava mesmo alguém arregaçar as mangas. E cá estamos”. A feira pode até ter demorado a sair do papel, mas, depois de se “aprimorar na marra”, hoje faz bonito e vai muito além da busca pela bolacha perdida. 


Em sua quinta edição, a feira do vinil do Rio de Janeiro apresentará 45 stands (90 mesas) com expositores de todo Brasil, lojas virtuais e selos especializados, já que a ideia é reunir materiais diferentes. “É muito importante termos um stand especializado em heavy metal, como o Rock Station, ou um em reggae/dub, como o Digital Dubs. Assim como é imprescindível a presença da Polysom/Deck, que produzem as bolachas brasileiras. Já as lojas de fora (gringas), que também estarão presentes na feira – como a Tropicália In Furs (Nova York), de Joel Stones -, trazem LPs que raramente apareceriam por aqui”, exalta Maurício, que ainda avisa que o espaço, voltado para a formação de diálogos e novas amizades, contará com uma praça de alimentação, um espaço para apresentações de DJs e, quem diria, até uma área de lazer com recreadores para criançada deixar os pais garimparem à vontade. Afinal, os dinossauros do rock & pop (de Mick Jagger a Caetano Veloso) já são avós, o ‘colecionismo’ de LPs é um hábito que une gerações e o público típico da feira é o casal tatuado, de 30 a 40 anos, muitas vezes empurrando um carrinho de bebê”, completa.


A ideia da feira de vinil do Rio de Janeiro é agradar quem gosta de caçar raridades e também quem gosta de música e não está interessado somente em comprar. Nesta edição, para consolidar seu formato e sua missão, o evento contará com a participação do jornalista Sílvio Essinger (autor de vários livros sobre música), o portenho Diego Ernesto (cantor da banda de ska Dulces Diablitos), o DJ Great Guy (morador do Flamengo) e o coletivo Grave Music (liderado pelo pesquisador André Mansur), além de colecionadores que começaram por diversão - caso do jovem casal Gabriel Almeida e Mylena Shapovalov. Apesar dos consideráveis avanços desta quinta edição da feira, Maurício ainda aponta algumas questões fundamentais para o mercado do vinil se consolidar:  melhor oferta de vitrolas e preços acessíveis são pontos fundamentais, além lançamentos de novos LP´s. “Quem realmente contribui para a revitalização do vinil são selos como a Vinyl Land, que lançou Karina Buhr, Tulipa Ruiz e  B Negão, por exemplo, e a Deck/ Vigilante, com Volantes, Vivendo do Ócio, Pitty, Cachorro Grande e muitos outros”, afirma o organizador. Domingo é dia de feira, de vinil e da família!!!

Instituto Bennet - das 12h às 20h   
R. Marquês de Abrantes,55. Flamengo (próximo ao metro)
Entrada franca

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sexta-feira, 4 de maio de 2012

#36

Phunk: é Lucas Santtana de DJ

Celebrando dez anos de resistência e pista cheia, a festa Phunk, que será realizada neste sábado, no Espaço Acústica, exibe o musico no comando das pick-ups. Vamos?  

Fazer a festa no sentido literal da palavra, ao contrário do que se imagina, não é uma tarefa tão simples quanto parece. Agora, imaginem fazer com que essa festa continue surpreendendo e atraindo a atenção do público por dez anos. É, de fato, são poucas as que conseguem estampar um “10 Anos” nos flyers de uma edição. Esse é o caso da festa Phunk, que, desde sua primeira edição em 2001, veio se reinventando até se transformar em uma das festas mais eclética e badalada do cenário alternativo carioca, algo muito além dos rótulos de festa black ou old school. Para firmar essa conquista e continuar comemorando essa marca, a próxima edição da Phunk, marcada para este sábado (05), no Espaço Acústica, contará com seus DJs residentes, Artur Miró, Coisa Fina e Saens Peña; com os VJs Simpla, Timba e Milena Sá, e com um convidado especial para animar ainda mais a noite: o cantor, compositor e multiinstrumentista Lucas Santtana, que volta a assumir as pick-ups da festa para mostrar seu trabalho também como DJ – “uma espécie de serviço comunitário”, como ele mesmo define.


Com mais de dez anos de carreira e muita bagagem, Lucas Santtana - que acaba de voltar de uma turnê pela Europa, onde fez 12 shows em seis países diferentes -, lançou seu quinto disco de estúdio, “O Deus que Devasta mas Também Cura”, ainda neste ano. Assim como outras presentes neste álbum, a faixa título foi feita em parceria e, neste caso, com Gui Amabis, para o disco “Memórias Luso-Africanas (2011). Diferente de seus quatro trabalhos anteriores, este novo disco, que reúne oito musicas autorais e duas releituras, não contou com uma pesquisa musical especifica e acabou surgindo de maneira natural, “fruto das próprias canções”, revela o musico. “Elas possuem algo em comum, uma certa proximidade. Todas contam com letras bem divertidas. Só vestimos as canções e trabalhamos as camadas orquestrais”, afirma Lucas, que também assina a produção do álbum, mixado por Buguinha Dub e masterizado por Gustavo Lenza. Para completar, o novo disco de Lucas Santanna ainda destaca inúmeras participações, caso de Céu, Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz, Curumin, Kassin, Gustavo Ruiz, Gui Amabis, Guizado, Maurício Fleury (Bixiga70), Marcos Gerez (Hurtmold), Rica Amabis e de Josué Santtana, seu filho de nove anos e autor do livro “ABC de Josué”.


Como não poderia deixar de ser, “O Deus que Devasta mas Também Cura” também marcará presença na Phunk, que servirá de base para o lançamento do clipe de "Para Onde Irá Esta Noite?", dirigido por Elimio Domingos (a.k.a DJ Saens Peña) - o mesmo do conhecido “Cira, Regina e Nana”, do disco “Sem Nostalgia” (2011). Neste novo, todo filmado em preto e branco, o cantor aparece ao lado da atriz Natalia Lage em uma festa em Santa Teresa, quase uma Phunk – que, por sua vez, já passou por quase todas as casas noturnas do Rio de Janeiro, incluindo o inesquecível Bola Preta (palco oficial da festa de 2005 até 2008 e em 2010/11). Agora, embalada por sua característica mistura entre os sons das antigas (soul/funky) e ritmos “atuais” (break beat, bass e dub), a festa invade o Espaço Acústica - por oferecer melhores condições ao público, segundo seus organizadores -, com Lucas Santtanna no comando das pick-ups. “Gosto de tocar as músicas que eu gosto e as músicas que as pessoas gostam também. Ao meu ver, ser DJ é um serviço comunitário: é tocar para as pessoas dançarem e ficarem felizes”, avisa Lucas, que já se apresentou como DJ na Phunk edição de 9 anos. Confira o vídeo abaixo, é Phunk!. 



Espaço Acústica
Praça Tiradentes,nº2 e 4 - Centro/ 21 2232-1299
Ingressos: 
R$20 antecipado 
R$30 lista até 01h (festaphunk@hotmail.com)
R$40 na hora

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quarta-feira, 2 de maio de 2012

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“Rio Limpo” livra cidade dos anúncios

Sabe aqueles imensos anúncios publicitários que estão espalhados por todo Rio de Janeiro? Pois bem, finalmente eles estão com seus dias contados. Com intenção de livrar a cidade dessa verdadeira poluição visual, o prefeito Eduardo Paes assinou nesta quarta-feira um decreto que passará a regular e restringir grande parte das propagandas vistas nas ruas do centro e da zona sul. Trata-se do irônico “Rio Limpo”.

Inspirada na Lei Cidade Limpa, sancionada em São Paulo em 2007, este decreto (versão carioca da lei do Kassab) proibirá anúncios em outdoors, marquises e no alto dos edifícios com a criação da Zona de Preservação Paisagística e Ambiental (ZPPA). A medida, que não deverá interferir nos anúncios da prefeitura, também abordará os letreiros de lojas, bares, restaurantes, bancos e shoppings, que passarão a ter tamanhos de um e meio, quatro ou dez metros quadrados, variando de acordo com a largura da fachada do imóvel.



Apesar do suposto rigor, a nova lei carioca é mais branda do que a paulistana e não inclui toda a área da cidade, nem os anúncios veiculados em ônibus e táxis. — "A legislação que rege a propaganda no Rio é uma colcha de retalhos, um verdadeiro sururu (como quase todas as outras). Ninguém entende. Assim como o Cidade Limpa de São Paulo, o Rio Limpo é radical e simples. Todo mundo vai poder fiscalizar", afirmou Paes. E vocês, o que acharam dessa nova medida?

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segunda-feira, 30 de abril de 2012

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Viradão faz viradinha no final de semana

Chegando a sua terceira edição, o Viradão Carioca - mesmo distante do nível da Virada Cultural de São Paulo, que serviu de inspiração para a criação do evento no Rio de Janeiro -, promete contagiar os cariocas entre os dias 4, 5 e 6 de maio com mais de 60 atrações confirmadas, incluindo Erasmo Carlos, Kid Abelha, Thaís Gulin, Mulheres de Chico, Monobloco e uma homenagem ao Clube da Esquina - com Lô Borges, Beto Guedes e Flávio Venturini. 

A edição 2012 do Viradão Cultural, evento promovido pela Riotur em parceria com a Globo Rio, espera empolgar os cariocas com apenas quatro palcos espalhados pela cidade: Arpoador, Bangu, Quinta da Boa Vista e Quiosque Globo Rio, que será instalado na praia de Copacabana. Este último, ao contrário dos demais, não destaca nenhuma atração musical e fica reservado somente a exibições de humoristas (Zorra Total) – com exceção da banda Marcial dos Fuzileiros Navais, que se apresenta no domingo às 9h.

Entre as atrações do Viradão, que se apresentam entre as 10h e 03h10 - de acordo com o palco -, também aparecem Arlindo Cruz, Ana Carolina, Lulu Santos, Cidade Negra, Raimundos, Detonautas, Sepultura, Dead Fish, MV Bill, entre outros – caso de Luan Santana, Fiuk e Gusttavo Lima. A festa ainda contará com atividades infantis, batalhas de Rap e de Passinho, além da participação das atrações BWG e Titica, que chegam de Angola para misturar o funk carioca com o falado (de) kuduro.

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Confira a programação do Viradão Carioca 2012:

Sexta-feira – 04/05
Palco Arpoador
17h00 – 4 Cabeça
18h45 – Michael Sullivan
20h30 – Homenagem Clube da Esquina (Lô Borges, Beto Guedes e Flávio Venturini)
Palco Quinta da Boa Vista
18h00 – Set DJ
19h00 – Batalha do Passinho
20h30 – Luan Santana
Palco Bangu (Praça das Juras)
18h00 – Set DJ
19h00 – Batalha do Passinho
20h45 – Batuk D Gueto
22h30 – Samba de Raiz (nomes a serem confirmados)
00h15 – Arlindo Cruz
02h00 – Monobloco
Palco Quiosque Globo Rio (Praia de Copacabana)
18h às 22h – Faixa de humor / Stand Up Comedy
Sábado – 05/05
Palco Arpoador
17h00 – Faixa de humor / Stand Up Comedy
18h00 – Rogê
19h30 – Mulheres de Chico
20h00 – Rio Samba N Roll
21h30 – Kid Abelha
Palco Quinta da Boa Vista
20h45 – Rancore
22h30 – Korzus
00h15 – Sepultura
Palco Bangu
18h00 – Hawaianos
18h30 – Titica (Angola)
19h00 – Mc Anita
20h30 – Arlindo Neto
22h00 – Erasmo Carlos
23h45 – Lulu Santos
01h15 – Pique Novo
02h30 – BWG (Angola)
03h00 – Márcio G
Palco Quiosque Globo Rio (Praia de Copacabana)
17h às 22h – Faixa de humor / Stand Up Comedy
Domingo – 06/05
Palco Arpoador
16h00 – Final do Campeonato Carioca no Telão
17h00 – Thais Gulin
18h45 – Pedro Luís
20h30 – Lulu Santos
Palco Quinta da Boa Vista
10h00 – Galinha Pintadinha
11h30 – Palhaço Topetão
16h00 – Final Campeonato Carioca no Telão
17h00 – Fiuk
18h00 – Naldo
19h45 – Ana Carolina
21h30 – Gusttavo Lima
23h00 – Jammil
Palco Bangu
16h00 – Final Campeonato Carioca no Telão
18h00 – Banda Bolk
19h00 – Cidade Negra
20h45 – Detonautas
22h30 – Dead Fish
00h00 – Raimundos
Palco Orla de Copacabana
09h00 – Banda Marcial dos Fuzileiros Navais

domingo, 29 de abril de 2012

#35

Vidigalo: é Vidigal 100 Segredos

Formado por um alemão e um português, o estúdio de design Vidigalo lança o primeiro mapa turistíco da comunidade; a ideia é eliminar a divisão entre morro e asfalto.  

Após descer na Niemeyer, subir a Presidente João Goulart, passar pelo Ninho do Urubu, dobrar à direita no Pastel do Céu e chegar à rua do bar Carlão, você poderá encontrar facilmente a casa onde funciona a Vidigalo, um estúdio de design e comunicação formado pelo alemão André Koller e pelo português Gonçalo Pires - ambos bem “acariocados”. No entanto, para quem não está habituado a circular pelo Vidigal, essa tarefa não seria tão simples assim, já que o local, além do antigo estereótipo de “área de risco”, não possui uma identificação clara de suas ruas e vielas. Ou melhor, não possuía. Isso porque, a dupla de designer gráfico e web designer, que já mora no Vidigal há dois anos, resolveu iniciar um projeto de mapeamento do morro pensando em divulgar tudo o que essa surpreendente comunidade pode oferecer aos visitantes e moradores. Assim, nasceu o primeiro mapa de bairro do Vidigal, intitulado “Vidigal 100 Segredos”. “Pensamos em divulgar o estúdio com um material que fosse útil aos moradores e que também contrariasse essa perspectiva negativa da comunidade. Sempre gostei de trabalhar com infográficos, e a ideia de mapear a comunidade apareceu como uma boa opção e também uma necessidade. Além de apresentar aos moradores o local onde eles moram, o mapa também acaba incentivando o desenvolvimento do comércio e dos espaços culturais da região”, afirma André, que ainda brinca: antes nem as encomendas Sedex chegavam aqui em casa (o Q.G. do Vidigalo).


Com dois meses do trabalho e nenhum patrocínio, seja privado ou por parte da prefeitura, André resolveu levar o mapa para dentro da comunidade e buscar o apoio dos comerciantes locais, que, ao pagarem por um espaço de anuncio na contracapa, passariam a financiar grande parte dos custos do Vidigal 100 Segredos. O mapa, que a principio teria distribuição gratuita, passou a ter um valor simbólico de R$ 3,00 para não parar no lixo - como aponta André, que, por sua vez, repassa os mapas aos donos dos estabelecimentos sem nenhum custo para que eles possam resgatar o valor investido na publicidade ou presentear seus clientes. Desta forma, as pessoas interessadas em distribuir o mapa, sendo comerciantes ou não, ainda “fazem um dinheirinho” e, principalmente, divulgam esse interessante trabalho desenvolvido pelo estúdio Vidigalo. No papel, sem ladeiras e locais de difícil acesso, a proposta parece fácil e simples de ser realizada, mas, na realidade, o desafio foi árduo e fruto de muito suor - literalmente. “A principal dificuldade encontrada para realizar o mapa foi a falta de apoio. As empresas (como o Sheraton) e a prefeitura não pareceram interessadas em investir neste projeto, talvez por se tratar de algo muito inédito. O fato do mapa ter um preço simbólico agrega valor, faz com que ele não vá para o lixo e ainda acaba sendo uma fonte de renda para as crianças do morro, que podem vender aos turistas e ganharem um dinheiro para o sorvete, a pipa e o que quiserem”, declara o “carioca” de Wolfsburg, que deixou a Alemanha há dez anos e hoje, de fato, já é brasileiro.


Além da falta de patrocínio, o mapa, que apresenta uma tiragem de 4 mil exemplares em sua primeira edição, enfrentou muitas outras adversidades até conseguir ser impresso. As vielas e becos com esgoto a céu aberto da parte alta, difíceis de serem catalogadas até pela prefeitura, foi uma delas, assim como as rápidas transformações do comercio local – a oficina do Jô, por exemplo, se transforma em pista de dança nas noites do final de semana e, o melhor, com ótimas festas (Lamparina). Ao percorrer o morro de cima a baixo, o expedicionário alemão encontrou lugares de difícil acesso, presenciou batizado de bares que não tinham nome - como o da “Ana” -, enfrentou a desconfiança de alguns proprietários e conheceu muitos projetos e pessoas interessantes, como conta: “O Vidigal também possui suas próprias divisões. A parte alta (invadida) e a parte baixa (loteada) apresentam certos contrastes. Tempos atrás, a avenida dividia o morro e cada lado era dominado por uma facção diferente. Mas, no geral, é uma comunidade muito rica em sua diversidade. Aqui existem muitos pontos de cultura - como o Teatro Vidigal e o Nós do Morro -, e vivem muitos artistas, muitas pessoas ligadas à cultura e interessadas em trabalhar esse conceito. Muitas coisas mudaram desde que cheguei aqui e, certamente, essa mudança fará do Vidigal uma área ainda mais acessível ao turismo, o que também justifica a elaboração do mapa. A região está se desenvolvendo economicamente, e a euforia do povo nas ruas reflete isso. Mas, o importante é que a comunidade nos abraçou e sempre se mostrou participativa em relação à proposta do mapa e aos demais”.


A ideia de mapear o Vidigal adentro, que até pouco tempo atrás poderia representar um evidente risco de vida, hoje consegue trabalhar muito bem como o conceito da inclusão, tanto dos moradores como a do próprio bairro – antes marcado pelo domínio do tráfico e pela ausência do Estado. “A maioria dos mapas estabelecem limites territoriais, enquanto o Vidigal 100 Segredos segue um caminho oposto, ou seja, busca eliminar a linha existente entre morro e asfalto”, declara o alemão. Assim como o empresário teuto-brasileiro Hans Stern, que deu nome ao mirante do Vidigal (e não Leblon) - como defende André -, a dupla também seguia para o trabalho de fusca. Do alto Leblon, onde moravam, até a Barra, o carro sempre ratiava e acabava  precisando de reparos. Assim, a dupla conheceu o Vidigal e o mecânico Décio, proprietário da casa onde a Vidigalo começou sua história.  Dois anos depois, o estúdio, antes de lançar a segunda edição do mapa (daqui a três meses), mantém a colaboração com outros projetos dentro da comunidade, como o trabalho da VDGTV – a televisão do Vidigal -, do parque ecológico Sitiê e um evento cultural no Armazém de Ideia, onde todas as sextas Gonçalo exerce seu lado musical e se apresenta em uma jam session com músicos da banda Cacumbú, entre sessões de poesias e outros trabalhos. É pegar o mapa e subir morro sem medo de ser feliz...


*No dia 18 de junho, dia oficial da visitação da Rio+20 (Conferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável e economia verde) ao Vidigal, o mapa da agência Vidigalo, que integra essa comissão de moradores, terá sete copias ampliadas e espalhadas por diferentes pontos da comunidade para auxiliar as pessoas que estarão participando do evento. 

Informações sobre o mapa e outros serviços: http://www.vidigalo.com/

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quinta-feira, 26 de abril de 2012

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Mostra rememora ‘um século de John Cage’

Há exatos 100 anos, nascia o artista que mudaria o sentido da música e da própria arte ao explorar sua relação com o inexistente, com o cotidiano, com as imagens, com os barulhos e ruídos e, principalmente, com o que a principio não possui um enquadramento - o silêncio, por exemplo. Trata-se de John Milton Cage Jr., um “musico-poeta-pintor” vanguardista e tema da exposição “Begin Anywhere – Um século de John Cage”, que será apresentada a partir de sábado (28), no Museu de Arte Moderna (MAM).


Em homenagem ao centenário de nascimento do artista, a mostra, que conta com curadoria de Luiz Camillo Osorio e Vera Terra, resgata um pouco de sua história e genialidade. Com cinco partituras gráficas de Cage e mais nove obras do acervo do MAM, que, direta ou indiretamente, dialogam com sua poética. Entre os artistas selecionados, aparecem Pollock, Beuys, Rauschenberg, Vostell e Albers, além dos brasileiros Mira Schendel, Guilherme Vaz e Paulo Vivacqua.

Integrante do movimento Fluxus, formado por artistas plásticos, literatos e músicos, Cage ficou marcado pelo uso não convencional de instrumentos (muitas vezes inexistentes), pelo seu pioneirismo na música eletrônica, pela relação com as artes visuais e pela célebre composição 4’33’’,  uma partitura de três movimentos: chegar, se posicionar para tocar e permanecer parado por quatro minutos e 33 segundos. Apareçam lá e, de quebra, ainda confiram na programação duas performances de obras desse...   

Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (2240-4944)
Av. Infante Dom Henrique, 85. Prq. do Flamengo.
Ter/Sex, 12h às 18h. Sáb/Dom. e feriado, 12h às 19h.
De 28 de abril até 20 de maio. Entrada: R$ 8,00.

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terça-feira, 24 de abril de 2012

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Mostra fotográfica leva Rio+20 à praça

Com intenção de chamar a sociedade para um amplo debate sobre meio-ambiente, a Rio+20, conferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável e economia verde, apresentará aos cariocas uma série de eventos e atrações antes mesmo de sua realização – de 13 a 22 de junho. Nesta semana, por exemplo, uma exposição fotográfica promete chamar atenção do público e, acima de tudo (literalmente), alertar sobre a importância do tema com fotos em grandes dimensões.

Trata-se da “A Terra Vista do Céu”, que, como o título já adianta, apresenta 130 fotos de paisagens naturais obtidas de um ângulo pouco comum: de um helicóptero. Depois de passar por 110 países, a exposição ocupará a Praça Floriano, na Cinelândia, onde poderá ser vista todos os dias e, inclusive, de noite. Em paralelo à mostra, que vai desta sexta até o dia 24 de junho, o Centro Cultural Justiça Federal exibirá sessões gratuitas do filme “Home – Nosso Planeta, Nossa Casa”, de Arthus-Bertrand, autor das fotos da exposição.

O francês Yann Arthus-Bertrand, que tomou gosto pelas fotos aéreas a partir de um pequeno biscate como piloto de balão, é responsável por impactantes imagens de plantações, desertos, ilhas e vulcões e também um reconhecido ativista ambiental. Presidente da fundação Good Planet, Arthus-Bertrand também esteve presente na Rio 92 e, logo após sua visita ao Rio, iniciou uma viagem de oito anos ao redor do mundo, a mesma que deu origem ao seu emblemático livro “La Terra Vue du Ciel”, lançado em 2000, e à mostra. Nesta quinta (26), às 12h, ele marcará presença em um encontro com fotógrafos cariocas no cine Odeon.

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segunda-feira, 23 de abril de 2012

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ArtRio anuncia novidades além da feira

A Feira Internacional de Arte Contemporânea do Rio de Janeiro, que em sua primeira edição reuniu 46 mil pessoas no Píer Mauá, voltará mais ambiciosa em 2012. Além de dobrar seu espaço físico, receber outras 40 galerias (120 no total) e contar com um orçamento de R$ 9 milhões - R$ 3,5 milhões a mais que em 2011 -, a ArtRio confirmou o lançamento de seu próprio portal de notícias e a realização de um ciclo de palestras. Agora, o lema é: “O Rio é arte. O tempo todo. Em toda parte”!!!

Com a confirmação de tais novidades, a ArtRio 2012, que será realizada somente entre os dias 13 e 16 de setembro, deixa de ser uma feira de três dias para se tornar uma referência no cotidiano cultural da cidade – como afirmaram à imprensa Luis Calainho e Brenda Valansi, dois dos quatro sócios do evento. O endereço eletrônico da feira (www.artrio.art.br), que também sairá em forma de aplicativo para iPhone, estará disponível ao público a partir de maio.

Reunindo informações sobre a feira, notícias do mundo das artes e conteúdos exclusivos, como, por exemplo, dicas de “circuitos artísticos” com espaços públicos, a página da ArtRio promete levar o evento para o além, além de uma simples feira de arte contemporânea. Tanto é que o projeto 2012 ainda promoverá um ciclo de palestras, que será realizado a partir de junho, no Parque Lage, na Casa do Saber e em tendas culturais da prefeitura.   

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quinta-feira, 19 de abril de 2012

#33

IMS: mostra Tutto sobre Fellini

Reunindo desenhos, fotos e filmes, a mostra Tutto Fellini, um retrato único de um dos maiores gênios do cinema, seguirá em cartaz no Instituto Moreira Salles até 17/06.

Após passar muito bem por Paris, San Sebastián, Moscou e Toronto, a mostra Tutto Fellini, uma verdadeira retrospectiva por trás das câmeras de um dos maiores gênios do cinema, presenteia os cariocas com uma longa temporada no Instituto Moreira Salles, o lindo casarão que um dia foi de Walter Moreira Salles – famoso advogado, banqueiro, diplomata, ministro da Fazenda e pai de quatro filhos, entre eles o cineasta Walter Salles (Júnior). Mas já que o assunto é cinema vamos falar de Federico Fellini, o principal foco desta imperdível exposição que ficará no Rio de Janeiro até o dia 17 de junho. Depois, a mesma segue para São Paulo, onde será apresentada no também imenso Sesc Pinheiros. L'azione!!!



A mostra, que conta com curadoria de Sam Stourdzé - diretor do Musée de l’Elysée, em Lausanne (na Suíça), se destaca por reunir não somente filmes e trechos, mas por conseguir apresentar ao público inúmeras e raras fotografias de bastidores, as primeiras charges feitas por Fellini nos jornais italianos, desenhos em que o diretor descrevia seus sonhos, alguns clássicos cartazes, entrevistas inéditas e, como se não bastasse, sessões de debates com alguns José Wilkers de plantão. Além de reunir um considerável acervo, Tutto Fellini também se destaca por buscar uma contextualização desse verdadeiro gênio através de aspectos íntimos de sua vida pessoal, da sua relação com o trabalho e da influência de sua obra na sétima arte e na sociedade.



Com o propósito de facilitar a compreensão do espectador, a mostra é subdividida em quatro temas. Cultura Popular destaca Fellini ainda no início da carreira, com caricaturas e roteiros, até seu primeiro filme como codiretor, “Mulheres e Luzes”. Esta ala também mostra todas manifestações culturais presentes na obra do diretor, caso do circo, das festas religiosas e das fotonovelas - base de seu segundo filme, “Abismo de um Sonho”. O segundo tema é Fellini em Ação, que, como o nome já adianta, foca os sets de filmagens de muitos filmes, como “8½” e “Casanova”, e sua celebre parceria com o músico Nino Rota. O terceiro aborda uma paixão do cineasta: A Cidade das Mulheres, “exaltando” mães, prostitutas, ninfomaníacas e outras. Além disso, essa ala presta homenagem à diva Anita Ekberg (de “A Doce Vida”, “Boccaccio 70”, “Os palhaços” e “Entrevista”) e Giulietta Masina (“A Estrada da Vida”, “Noites de Cabíria” e “Ginger & Fred”), sua esposa por exatos 50 anos. O último é A Invenção Biográfica, que imortaliza seus personagens - como Snàporaz, alterego do diretor interpretado por Marcello Mastroianni no filme “Cidade das Mulheres”, e esmiuça o Livro dos Sonhos, uma reunião de desenhos feitos por Fellini durante 30 anos (1960 e 1990) a partir de seus sonhos. É um delírio para os cinéfilos.



Entre voo de helicoptero com cristo redentor sobre Roma, cenas de Matroianni com Anita Ekberg na “Fonte da Juventude” e histórias bem peculiares - como a de seu pernsonagem Paparazzo, que deu nome ao termo -, a exposição, parte do calendário do Momento Itália/Brasil 2001/2012, é capaz de nos apresentar um Fellini que ainda não conhecíamos, com certeza. “A mostra evidencia que o que interessa a Fellini não é a realidade em si, mas a percepção da realidade. Parece que, através de seus filmes, ele quer nos dizer que o cinema é um instrumento intermediário entre a realidade e a percepção que temos dela”, afirma o curador da mostra em comunicado.  É Tutto Fellini bello, bello. Buoni visita amici!


Exposição Tutto Fellini: até 17 de junho.
Horário: de terça a sexta, das 13h às 20h.
Sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h.
Entrada: franca (mente). Classificação livre
De terça a sexta, às 17h, visita guiada pela exposição.

Instituto Moreira Salles – Rio de Janeiro
Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea
Tel.: (21) 3284-7400/ (21) 3206-2500


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quarta-feira, 11 de abril de 2012

#32

Letuce: uma banda feita a dois

De namoro à revelação da cena indie, a banda Letuce se diferencia por sua ousadia sonora e pela relação de amor: à música. Nesta sexta 13, o show será no Studio RJ!!!

Manja aquelas bandas formadas por casais apaixonados? Pois bem, essas geralmente são mais intensas, mais íntimas e, até por conseqüência da relação carnal, mais sólidas em seus conceitos – apesar de que quase todas as bandas, no ideal de amor à música, também acabam vivenciando espécies de namoros (com ou sem sexo). A banda Letuce, formada por Letícia Novaes e Lucas Vasconcelos, pode aparecer como uma opção de resposta para a pergunta citada e também exemplificar como a paixão pode influenciar o processo de criação musical.“É exatamente por ai. Nunca vejo ninguém perguntar para um homem que toque com os amigos numa banda qualquer: ‘oi, Samuel Rosa, se você brigar com o Lelo, a banda termina?’ E isso é amor; amor carnal, sexual e fraterno. É tudo amor, tudo com sua própria dinâmica. Mantemos a sorte que é se apaixonar por quem se apaixona por você. Fazemos música juntos e "so far, so good", afirma Letícia, que nesta sexta-feira (13) se apresenta, ao lado do namorado e de mais um convidado fantasma, no Studio RJ, no Arpoador. Se não da azar, rs.


Desde o início do namoro e do primeiro álbum, “Plano Para Cima dos Outros e Para Cima de Mim” (2009), até o lançamento de seu elogiado segundo álbum, “Manja Perene" (2012), a banda ganhou reconhecimento, maturidade e deixou de ser uma brincadeirinha musical apaixonada para se transformar em uma aventura musical apaixonante, hoje já com certo e merecido destaque na “cena alternativa”.  “No primeiro disco, que compusemos juntos ao violão, estávamos numa fase apaixonante e curiosa, fase de descobertas e afins. Hoje em dia, 5 anos e meio juntos e depois, temos outra vida, portanto nossas composições são outras também. A Terra gira, muda, mas permanece Terra. Nosso amor mudou, mas também permanece amor. No segundo disco, por exemplo, contamos com um baixista e um baterista no processo criativo e foi maravilhoso. Viver numa bolha só faz sentido mesmo naquela fase inicial (e quase demente) da paixão”, ironiza o lado feminino dos Letuce, que completa: “Ter amigos é maravilhoso e amigos talentosos sempre agregam novos valores”.


Diferente do primeiro álbum, mais intimista e contido, o segundo e atual “Manja Perene” (Bolacha), produzido por Lucas Vasconcellos e Bernardo Pauleira, é mais ousado e consistente em suas propostas, além de soar muita originalidade - algo que não estamos habituados a ouvir por ai. O álbum, praticamente todo autoral, é surpreendente a cada faixa e também dentro das próprias músicas. As variações, os descompassos e as melodias são os pilares de um trabalho que parece não ter medo de errar, nem pretensão de ser “de ouro” e, por isso, chama atenção por sua sonoridade. Outra descoberta deste novo disco é que o Lucas, além de esbanjar talento em diversos instrumentos, ainda solta a voz em duas faixas, “Areia Fina” e “Anatomia Sexual” - música que nasceu de um poema escrito por Fábio Lima em um guardanapo. “Nosso som é o som que a gente sabe, é o som que sai. Buscamos um som novo,  por isso é difícil classificar. Hoje em dia tudo é tudo, e a Gal Costa, por exemplo, virou até música eletrônica. Isso é maravilhoso. Há possibilidade de tentar tudo, ser livre, para o bem e para o mal, claro. E que bom que as pessoas embarcam na nossa onda”, afirma a cantora.


Além da sonoridade diferenciada, o “Manja Perene” ainda se destaca por um outro fator: seu processo de financiamento, viabilizado através do crowdfunding. Imagine o artista poder receber um investimento direto ($) de seus fãs para elaborar um trabalho do qual eles ainda não sabem o que vai ser, mas confiam na capacidade de criação e no sucesso do projeto. Então, esse é o ponto de partida deste curioso método de arrecadação, que, por sinal, se destaca ao levar mais independência e liberdade aos artistas. “Em breve, o crowdfunding não será mais ser visto como um "novo método" ou um "método alternativo", e sim como um dos métodos possíveis. Ficamos muito felizes com a colaboração dos fãs e somos eternamente gratos a eles”, descreve a cantora, que prefere exaltar a mistura de seu som ao levantar bandeiras de possíveis rótulos para a dupla.“’Banda alternativa’ é uma expressão complicada, pois tudo é "alternativo" comparado ao grande mercado. Existe o grande mercado, e todo o resto é alternativo, seja rock, forró, mpb e nós, os misturados”, completa Letícia Novaes, que faz questão de convidar todos para o show especial desta sexta-feira, no Studio RJ. "Vamos tocar músicas dos nossos dois discos e vai rolar um convidado fantasma, pois é sexta 13. Vai ser divertido, venham todos”. Vamos!




Studio RJ 
Av. Vieira Solto, 110. Arpoardor (21) 2523 1204
Preço: R$ 20, R$ 10 (lista amiga)
Horário: 21h porta, 22h show.


Letuce
www.letuce.com.br

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quinta-feira, 5 de abril de 2012

#31

Terezão: de volta ao estrelato

Após passar anos no escuro, o teatro Tereza Rachel, inteiramente reformado, reabre suas portas com um novo nome, mas sem perder o peso de sua história. Evoé... lá!!!

Umas das principais referencias carioca ao redor do mundo, Copacabana se destaca por sua praia, sua mistura com farofa e também pela grande concentração de pessoas e bares. Mas, essa “calorosa” combinação que, sem nenhuma sombra (de dúvida), faz a alegria de todos, acaba ocultando algumas outras opções culturais, muitas delas bem características do bairro – caso do velho e bom teatro. Em toda sua extensão, são poucas salas que ainda conseguem exercer a resistência de manter uma programação de destaque, ou uma simples mesmo. Villa Lobos (que será reaberto em 2014), Baden Powell, Brigitte Blair, Gláucio Gill, Espaço Sesc e Café Arena são apenas alguns exemplos de como a região ainda é carente de um teatro de grande porte. No entanto, o tradicionalíssimo Tereza Rachel (situado no segundo piso do shopping da Rua Siqueira Campos, 143), que entre 2001 e 2008 esteve alugado para Igreja Universal, reabre suas portas ao grande público neste sábado (07/04) para suprir essa carência e reforçar a máxima de que Copa sempre foi palco de grandes encenações - inclusive da vida real(ce).


Contrariando o triste desfecho da Modern Sound, fechada para dar lugar a uma imensa loja de roupas, e acompanhando o monopólio do Cine Roxy, o único cinema de Copacabana -pelo menos até a inauguração do esperado Museu da Imagem e do Som -, o Tereza Rachel retoma sua trajetória embalado por uma ampla e significativa reforma. Neste caso, a mudança foi tanta que nem o nome permaneceu o mesmo: de Tereza Rachel, nome da atriz e proprietária ("pancadona" na foto abaixo), o teatro passou a se chamar Theatro Net Rio. Através da chamada Lei do ICMS, espécie de troca entre financiamento de atividades culturais e dedução fiscal, e de investimento direto, a empresa dos skavuscas patrocinará a reviravolta do espaço, que, por sua vez, não se resumirá apenas em uma única sala. Isso porque, além do tal do Terezão (Sala Tereza Rachel), um espaço com capacidade para 789 pessoas, o Net Rio ainda contará com uma outra sala de 200 lugares, nomeada Paulo Pontes – em homenagem ao dramaturgo coautor da peça Gota d’Água, também assinada por Chico Buarque. 


“Durante os anos 70 e 80, eu vinha quase que constantemente ao Rio de Janeiro para acompanhar as montagens do Grupo Ornitorrinco (de Cacá Rosset). Neste período, tudo se concentrava em Copacabana, e o teatro vivenciava um grande momento, com platéias cheias e também muitas sessões extras. Era uma verdadeira época de ouro, tanto para o Villa Lobos, como para o Tereza Rachel, onde também fiz a luz do espetáculo Chorus Line, de Michael Bennett, que marcou a estréia de Cláudia Raia nos palcos”, afirma o light designer/iluminado(r) Abel Kopanski, um verdadeiro mestre da luz. Inaugurado em outubro de 1971 com um show de Gal Costa (“Fa-Tal - Gal a Todo Vapor”) e palco de tantos outros (Novos Baianos, Luiz Gonzaga, Caetano Veloso e Gilberto Gil), o Terezão parecia mesmo ter perdido o rumo da história e esquecido toda sua relevância de outrora. Nos últimos tempos, por exemplo, o espaço estava sendo usado apenas para ensaios e seleção de elenco dos musicais de Charles Möeller & Cláudio Botelho (espécie de dupla sertaneja dos musicais).


Apesar de ter recebido algumas propostas do Sesc e da prefeitura do Rio, a atriz Tereza Rachel, mesmo sob o medo das dividas, não queria abrir mão de seu teatro. No entanto, depois de mais de um ano de negociação, ela acabou sendo convencida a arrendar o espaço e, o mais curioso, por um período dez anos. O responsável por toda essa façanha foi o ator e produtor cultural Frederico Reder, que, além de reconhecer que a missão não foi nada fácil, também faz questão de ressaltar que possui prioridade na renovação do contrato e de não falar os valores dessa transação. “Não poderia ignorar a história deste teatro. Os deuses não me perdoariam. O perfil da programação, de segunda a segunda, acompanha o mesmo perfil que o teatro tinha anteriormente e que justificou seu sucesso: diversidade e liberdade de expressão. Isso é a cara de Copacabana. Acho que a reabertura do teatro pode ser a semente da revitalização do bairro”, afirmou Reder, sócio da Brainstorming Entretenimento, em entrevista ao jornal “O Globo”. Para quem quiser conferir de perto a nova cara do Terezão, o teatro apresenta em sua reinaguração o elogiado "Bibi", um espetáculo musical que comemora os 90 anos de idade e 70 de carreira da atriz Bibi Ferreira (foto). A partir de terça-feira (10/04), o “Isto É Brasil”, que conta com Carlinhos de Jesus e Ana Botafogo, também entra na programação do Net Rio. Ou seja, motivos para essa visita não vão faltar. Evoé... lá!!!



Confira mais detalhes da programação em: http://www.theatronetrio.com.br/

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quinta-feira, 22 de março de 2012

#30

Me Gusta: Eli Iwasa na Fosfobox 

Com produção assinada por Fernando Deperon, a festa chega a sua quinta edição apresentando a DJ Eli Iwasa na caixa preta mais querida do Rio de Janeiro: a Fosfobox. A mi Me Gusta!

Alguns procuram apenas se divertir, outros escolhem de acordo com o som, com as pessoas que frequentam e com o que está “embobando” no momento, porém, todos querem uma única coisa: fazer a festa, literalmente. Apesar das reclamações em relação à falta de casas noturnas e de mais uma série de supostas adversidades, as festas cariocas de música eletrônica estão se destacando por explorar novos espaços, de casarões à beira-mar até cinema pornô, e novas propostas artísticas, como se o evento tivesse a obrigação de obrigação de agregar novas ideias e se transformar em um super-evento para deixar “a galera” feliz. Por outro lado, essa corrida em busca da inovação da semana que passou muitas vezes acaba ultrapassando simples exigências, como serviços, a qualidade do som e, até mesmo, respeito ao público. Na contra-mão desta tendência, a Me Gusta invade o Fosfobox nesta sexta-feira (23/03) com uma receita sem mistério e muita música. A mi me gusta!!!




Em sua quinta edição – a primeira realizada na caixa preta mais quente do Rio de Janeiro -, a festa, produzida por Fernando Deperon, apresenta um line up que dispensa apresentações. Isso porque, além do DJ residente Pedro Piu, a Me Gusta apresenta Eli Iwasa (entourage) e o projeto Rockker, formado por Kriptus Gomes e Ricardo Estrella (Tropical Beats), que, por sinal, ainda volta às carrapetas para fechar a noite com chave de braço. No andar de cima, ou “lounge fosfobar”, a Levada fica por conta dos Gustavos, Tata e MM. Para dar um brilho a mais, a noite também contará com as projeções do VJ Brainstorm. “A Me Gusta não é ‘mais do mesmo’ porque preza pela qualidade, conceito dos artistas, atendimento,  projeções mapeadas, decorações, promoções e facilidade de acesso ao publico, além de ser bimestral”, afirma Deperon, que completa: “Temos o intuito de preservar as origens da evolução musical, cultural e visual. As projeções do VJ Brainstorm e o conhecimento musical do residente Pedro Piu são itens fundamentais para o sucesso da Me Gusta”



Idealizar uma boa festa, independente do gosto da criança, não exige muitos esforços, assim como criticar uma produção: eu queria mais bebida, eu queria bebida mais barata e quanto é a bebida? Isso, sem falar nos “faria uma melhor”. O fato é que o que parecia ser simples e divertido, na verdade, é chato e trabalhoso. “No pré-evento, ficamos responsáveis pelas reuniões com os fornecedores, os orçamentos, as visitas técnicas, as negociações de valores e outros itens. No dia, de acordo com o cronograma elaborado anteriormente, acompanhamos a montagem, a recepção e damos um ‘check’ nos funcionários que irão trabalhar nos bares, bilheteria, segurança, monitoramento, decoração, abertura do evento, pagamentos, fechamento e desmontagem”, exemplifica Deparon, que começou a vivenciar o eletrônico em 97/98, época de Fundição Progresso, Guetto, Dr. Smith, Factoria, Bunker e Base. Apesar de todo o suor envolvido, o produtor parece não ter o que reclamar. “A preocupação é com a satisfação das pessoas e em escutar o muito obrigado. Ver a alegria e o sorriso estampados na cara das pessoas não tem preço”, completa.


Eli já é... de casa - Com uma longa e reconhecida trajetória na cena eletrônica nacional, seja como DJ residente, colunista e empresária (Heaven & Hell), Eli Iwasa é uma referência quando o assunto é pista cheia.  Mesmo depois de já ter rodado o Brasil e o mundo, a DJ paulistana não esconde seu apreço pela cidade maravilhosa e seus encantos. “É sempre um grande prazer vir ao Rio. Há anos me apresento e cada ‘gig’ foi especial a sua maneira. Fora que adoro essa mudança de ritmo. De sentar num boteco para tomar um chopp(s), ir a Lapa e, é lógico, ir a praia”, afirma Eli, que já vinha ao Rio antes de ser DJ. “Aqui, vi Laurent Garnier, Adam Beyer, Cari Lekebusch e tantos outros artistas incríveis. Nessa mesma época, vi pela primeira vez talentos como o Maurício Lopes e o Ricardinho NS arrebentando na Bunker. Eu sou fã do Mau Lopes. Quando crescer, quero mixar como ele, sério!”, ironiza a DJ, reconhecida por sua versatilidade de seus sets, que vão desde o minimal e dos sons mais abstratos até o house e funk, sem esquecer electro, do techno e do groove.



“Desde as grandes festas até as instituições como o Fosfobox e o Dama de Ferro, só carrego boas lembranças de todas as festas que toquei e frequentei no Rio. Todas as minhas ‘gigs’ foram ótimas, com a pista sempre respondendo, gente conhecida e sempre tocando o que gostava, sem fazer concessões. Para um DJ, não tem coisa melhor! Mas, o mais importante de tudo é que a cena carioca apoiou meu trabalho desde o comecinho da minha carreira. Sou super grata pela confiança e por terem botado fé quando eu ainda engatinhava como DJ”, ressalta Eli Iwasa, que antes de fazer as malas ainda manda um recadinho aos cariocas: “Não vejo a hora de chegar aí e pegar a pista do Fosfobox”. É amigos, a japa vai esquentar.


Fosfobox - R: Siqueira Campos, 143. Copacabana. 

Ingressos:
R$20,00 - Antecipados
R$30 - até às 1h
R$35 - lista após às 1h
R$40 - sem lista

Lista: listamegusta@gmail.com

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quinta-feira, 15 de março de 2012

#29

Riot de Janeiro: s/a da nova era

Reunindo ilustradores, designers, artistas plásticos, tatuadores, músicos e grafiteiros, essa inusitada “agência de criação” vive a arte em busca de novos conceitos e ideais.

A margem da sociedade, uma espécie de território fictício e, ao mesmo tempo, severamente existente, sempre apresentou uma originalidade criativa e uma capacidade única de lançar tendências. Mas, até pouco tempo atrás, esse conhecido lugar, mal visto aos olhos quadrados, ficava restrito somente às pessoas que vivenciavam esse ambiente e sua cultura paralela, além do preconceito (é claro). Apoiada em muitas outras mudanças dos novos tempos, a mesa dessa situação virou, e a sociedade, que antes não fazia questão de explorar esse mercado, já consegue valorizar toda arte absorvida e cultivada nas entrelinhas das cidades, vindo diretamente das ruas ou não. Aqui, o conceito da Riot de Janeiro, uma inovadora “agência de criação”, pode nos exemplificar um pouco melhor como os novos artistas podem trabalhar juntos em torno de objetivos em comum: o coletivo como um todo, a busca pela valorização da arte e, por consequência,  o reconhecimento dos jovens arteiros.


“A ideia surgiu no final de 2010, quando meu irmão (Hugo Inglez) pensou em fazer um blog de referências voltado pra arte, algo como o Ctrl Alt Rio. Logo, ele reparou que nós tínhamos amigos próximos que eram artistas incríveis, mas que nenhum deles recebia o reconhecimento merecido pelo nível do trabalho que estavam desenvolvendo. Isso muito por conta das inúmeras panelinhas que existem no meio artístico, principalmente no Rio de Janeiro. Então, ele reparou que o conteúdo artístico que ele precisava para o site poderia ser produzido por nós mesmos”, descreve Rique Inglez, irmão gêmeo de Hugo e amigo de Breno Moreira, três dos idealizadores do projeto. Apesar da semente ter sido plantada nesta época, a concepção da agência de criação foi iniciada há três meses e, pelo número de integrantes, já com a intenção de se tornar algo grande. Ao todo, a equipe Riot reúne 14 amigos, sendo três colaboradores e 11 artistas, entre grafiteiros, Djs, músicos, designers, artistas plásticos, ilustradores, fotógrafos e até tatuadores, uma curiosa e verdadeira mistura.


Reunindo propostas diferenciadas, como se cada dos integrantes fosse o elo de uma corrente da resistência artística, a Riot de Janeiro sobrevive a partir da experiência vivida de cada um. “Todos vêm de formações diferentes e alguns nem formação acadêmica têm. A verdade é que nós não nos importamos nem um pouco com a formação de alguém. Mesmo dentro da questão artística, seria muito difícil definir cada integrante, pois todos têm estilos muito diferentes e conseguem trabalhar em inúmeras mídias e técnicas. O único ponto comum mesmo é que todos têm um estilo próprio muito bem definido e original. Acho que é exatamente esse o diferencial da RiotJ. O que nós fazemos, só nós fazemos. Nosso foco é em ideias e exatamente por isso não podemos e nem queremos ter uma área específica. Qualquer ideia é válida e pode ser produzida. Dessa forma, podemos trabalhar com qualquer produto e, ao mesmo tempo, transformar tudo em trabalho”, acrescenta.


“Revoltados” com a falta de reconhecimento da arte, incluindo o ponto de vista financeiro, a Rio(t) surgiu como uma própria maneira de contornar essa situação de marginalidade artística. Desta forma, a união em nome da agência de criação também se tornou em uma verdadeira causa, muito justa por sinal. “Posso dizer que até o surgimento da RiotJ, em grande parte fomos basicamente ignorados. A todo o momento, um novo artista incrível e com imenso potencial desiste da carreira por simplesmente não conseguir se sustentar, enquanto outros medíocres ganham fama mundial com lixo. Nossa luta inicial é a mesma de praticamente todo artista jovem: conseguir sobreviver de arte. Há uma ideia absurda no Brasil de que arte não é ‘emprego’. O que é motivo de orgulho lá fora, por aqui é quase um estigma. Nós buscamos uma verdadeira valorização da cultura brasileira, por nós mesmos e por todos que ainda estão por vir”, dispara Rique, que também assina de um outro curioso projeto: o Artspam, um nome sugerido por Hugo.


Apostando no intercâmbio artístico, Rique elaborou dez cartolinas e também separou dez endereços totalmente distintos e aleatórios, todos para fora do Brasil. A ideia era apresentar ou presentear alguém com sua arte, mesmo sem saber o que seria feito com a mesma e nem quem seria o escolhido. Assim, quase em paralelo à agência, nasceu o Artspam, um spam que, ao contrário dos habituais, todos adorariam receber. “Meu sonho é que isso se espalhasse como uma nova forma de divulgação artística. Já pensou em novos artistas enviando seus trabalhos pelo mundo? Eu adoraria receber um e faria o possível para divulgar. Acho engraçado também como as pessoas ficam surpresas em ver alguém tendo uma atitude altruísta, o que mostra como isso não é comum atualmente. O mundo precisa de boas ações e de um pouco de espontaneidade”, afirma Rique, que, dos dez trabalhos enviados, recebeu apenas uma resposta, o que já fez o projeto valer a pena. “Pois é, recebi de um cara de Londres. Engraçado que foi a última que eu mandei. Fiquei muito feliz quando vi o email, já tinha até perdido as esperanças de resposta nessa primeira leva de cartolinas. Ele escreveu tudo num portunhol de google translator horrível, mas o email foi super legal e ele disse que se amarrou muito no desenho”.


Como parte da proposta do projeto, Rique retornou o email e explicou um pouco melhor sobre a proposta do Artspam e também sobre a cartolina, que trazia um desenho de com linhas muito finas, próximas e feitas com uma régua daquelas pequenas, de remédio (na foto abaixo). “Isso tornou o desenho mais legal ainda, pois as retas não são totalmente paralelas e isso dá meio que um efeito de movimento estranho. Improvisar com material é minha especialidade... No começo, eu tinha que me virar com muito pouca coisa e isso me ajudou bastante a encontrar o meu estilo, que é bem simples e minimalista”, explica Rique, que finaliza: “A gente quer conquistar o mundo partindo da cidade maravilhosa e mostrar que aqui nós conseguimos ter uma produção de nível mundial, mesmo com todas as dificuldades. O Rio(t) de Janeiro tem que ser uma referência em arte e cultura, e não só uma rebarba do que acontece lá fora, e eu não consigo pensar em uma época melhor pra isso acontecer”.


Saiba mais sobre a Riot de Janeiro no Facebook
Email: contato@riotdejaneiro.com

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